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Manobra da oposição derruba sessão que abriria CP contra Santini

Vereadores que apoiam Santini abriram mão de votar e sessão acabou encerrada por falta de quórum

| ACidadeON Campinas

Santini de defende na tribuna (Foto: Sarah Brito/ACidade ON) 

A sessão da Câmara de Campinas desta segunda-feira (24) que votaria a abertura de uma CP (Comissão Processante) contra o vereador Tenente Santini (PSD) foi suspensa por falta de quórum.

O processo de votação foi tenso. Marcelo Silva (PSD) solicitou contagem de quórum logo depois da leitura do pedido de abertura da CP. Havia 21 vereadores presentes e a votação foi autorizada pelo presidente Marcos Bernardelli (PSDB).

Na votação, 14 vereadores foram favoráveis à CP. Boa parte da oposição, que apoia Santini, não votou. Aos berros, Silva argumentou que não havia quórum e que a sessão deveria ser encerrada. Pelo regimento interno, é necessária a presença de 17 vereadores para a continuidade das sessões.

Bernardelli rebateu. "Os senhores abriram mão de votar. Estavam no plenário, mas não votaram. A CP foi aprovada", disse. Em seguida, voltou atrás. "Atendendo parecer da Procuradoria Jurídica declaro que a sessão está encerrada por falta de quórum".

O pedido, agora, será votado na sessão da próxima quarta-feira (26). O item é o primeiro da pauta.

POR QUE A CP?

No último dia 5, Santini fez denúncias envolvendo seus colegas na prática de 14 crimes, entre ligação com roubo de carga, com o PCC e tomada de parte dos salários pagos a assessores.

O pedido de CP foi feito por Jorge Schneider (PTB), que justificou o requerimento nesta segunda-feira. "Ninguém está pedindo a cassação. Só queremos que ele prove o que está dizendo. Estou com a consciência tranquila, não tenho nada contra ele, pelo contrário, admiro a força e a coragem dele como vereador, mas eu não posso aceitar uma acusação dessa", afirmou.

Na primeira parte da sessão, vereadores subiram na tribuna para se manifestar sobre o caso. Marcelo Silva defendeu o colega de partido. "Estão querendo calar uma voz que se levanta contra o governo. Ele falou meia dúzia de verdades e muita gente se incomodou", disse.

Vinícius Gratti (PSB) antecipou seu voto contrário à criação da CP. "Comissão Processante não é para levantar provas. O único e exclusivo objetivo é cassar o parlamentar. Não é instrumento para investigação", disse Gratti.

"Está coberto pela imunidade parlamentar. Não citou nomes e disse que já levou as denúncias ao Ministério Público. Eu não me senti ofendido com nenhuma das práticas que ele denunciou aqui", completou. "Teremos eleições no ano que vem, quem tem que julgar se o Santini pode ou não ser candidato é o povo, não esta Casa."   

Marcelo Silva e Paulo Galtério batem boca no microfone de aparte (Foto: Sarah Brito/ACidade ON)

OUTRAS TENTATIVAS

Antes do esvaziamento da sessão, a oposição já tinha feito outras tentativas para barrar a CP. Nelson Hossri (Podemos) fez um pedido de vistas contra a abertura da CP, mas o requerimento foi negado por Bernardelli, sob alegação de que esse tipo de pedido não pode ser feito diante de um requerimento de CP. "O senhor fechou meu microfone. Tenha mais educação", esbravejou Hossri a Bernardelli, posteriormente.

O terceiro suplente do PTB, Walter Rocha de Oliveira, o Waltinho, precisou tomar posse no lugar de Jorge Schneider, que por ser autor da denúncia, não pode votar. Waltinho foi chamado porque o primeiro suplente, Thiago Ferrari, declinou a posse alegando motivos pessoais e a segunda, Leda Vergueiro, também recusou o chamado dizendo que está com problemas de saúde.

Marcelo Silva questionou a posse de Waltinho, que teve 1.332 votos nas eleições de 2016, menos que o necessário para poder assumir. Bernardelli disse que "suplente é suplente" e que a posse estava avalizada pela Procuradoria Jurídica da Casa.

Depois, Silva elaborou outro requerimento, solicitando um parecer jurídico sobre a legalidade do pedido de CP. O pedido também foi negado por Bernardelli.  

O painel com o registro de votos a favor da CP (Foto: Sarah Brito/ACidade ON)
SANTINI

Na tribuna, Santini se defendeu. Disse que não cometeu crime algum e que a CP é um "processo ilegítimo, ilegal, imoral, inconstitucional e contra a vontade popular". "Temos imunidade para falar, senão não existiria democracia, Eu tenho que ouvir um monte de groselha que vocês (vereadores) falam aqui todos os dias, mas tudo bem, vocês têm o direito de falar", disse.

Em seguida, ele ironizou e agradeceu a Schneider, dizendo que ele "teve coragem" para pedir a abertura da CP, que será uma oportunidade para que ele mostre "muitas arbitrariedades" cometidas por vereadores em Campinas.

Santini também afirmou que os parlamentares da base ligada ao prefeito Jonas Donizette (PSB) "têm interesse pessoal" em tirá-lo "do jogo" - Santini é cotado para ser candidato a prefeito no ano que vem. "Por que a base tem tanto medo que eu vire prefeito? Porque sabem que meu primeiro ato seria derrubar metade dos assessores ilegais da Prefeitura."

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