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Política

Em 2020, Câmara pode ter renovação expressiva

A expectativa é que a renovação também dê fôlego para candidaturas legislativas e que o PSL amplie seu número de cadeiras na Câmara

| ACidadeON Campinas

(Foto: Câmara de Campinas/Divulgação) 

A renovação recorde no Congresso Nacional em 2018 não deve se repetir nas câmaras municipais de São Paulo, e de Campinas, em 2020, de acordo com cientistas políticos. Os especialistas analisaram que o fenômeno da última eleição legislativa, quando o país teve 51% das cadeiras de deputados federais ocupada por novatos, perdeu força com a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, do PSL.

O partido, que levou quase um terço dos candidatos novatos eleitos (29 de 91), depende de coligações fortes e de aprovação de reformas em âmbito federal para ter peso no ano que vem. Em Campinas, o diretório PSL foi reconfigurado nesta semana e tem agora na sua diretoria cinco nomes ligado ao atual vereador Tenente Santini, que ainda está no PSD, mas deve ser o nome do pesselista para concorrer ao Executivo em 2020.

A expectativa é que a renovação também dê fôlego para candidaturas legislativas e que o PSL amplie seu número de cadeiras na Câmara, mas o sucesso da empreitada está ligado ao desempenho federal.

CENÁRIO

Campinas teve 30% de renovação em sua Câmara em 2016, com 10 novos vereadores na Casa, uma das mais baixas da história. Em 2020, a cidade até pode ter uma renovação maior, mas não deve chegar aos 50% de Brasília, segundo o professor de Filosofia e Ética da Unicamp, Roberto Romano. Ele explicou que ainda é cedo para fazer previsões. Mas as reformas federais serão importantes para os políticos que apoiam Bolsonaro terem consistência em seus discursos no ano que vem.

E, apesar da agenda municipal ter diferenças consideráveis da nacional, a falta de empenho do presidente em abraçar a pauta das reformas enfraquece a retórica da retomada econômica, e pode influenciar na credibilidade das propostas dos candidatos a vereadores do PSL e simpatizantes.

"O cenário macro presidencial pode sim influenciar totalmente nas eleições do ano que vem. E acredito que, apesar da popularidade do Bolsonaro estar diminuindo, o Sul e Sudeste ainda terão muitas candidaturas apoiadas no presidente. E neste cenário, as reformas são muito importantes", disse Romano.

AJUDA

Para compensar a queda de popularidade, Bolsonaro bateu recorde em liberação de emendas parlamentares: foram R$ 3 bilhões entre julho e agosto e há pressão de parlamentares para liberação de pelo menos mais R$ 2 bilhões antes da votação da Previdência no plenário do Senado. "Essas verbas vão para os redutos de deputados em municípios, que já estão ajudando também seus candidatos a vereadores para o ano que vem", completou o professor.

O cientista político da PUC-Campinas, Vitor Barletta Machado, acredita que o PSL de Bolsonaro ainda tem um reduto eleitoral forte em Campinas, mas que não deve repetir o mesmo feito de 2018. "O poder de influência vai diminuir. O PSL já teve algumas baixas de nomes, então com certeza aquele boom inicial perde força", explicou.

ESQUERDA


Machado disse ainda que a esquerda, principalmente o PT, não tem ainda um cenário favorável para conseguir prefeituras no Sudeste, mas que o discurso "Lula Livre" ainda tem fôlego para manter cadeiras no legislativo municipal. "O PT hoje fala com nichos e ainda tem força para eleger vereadores. Mas esse discurso dificulta o caminho para conseguir o Executivo. Ele teria que mudar o discurso, ser mais moderado para atrair novamente a massa de eleitores".

Já Romano acredita que o PT tem mais chances de performar bem em 2020 se conseguir se abrir para diálogo e alianças políticas com outros partidos de esquerda. "Eles teriam que assumir o tom mais moderado, como fez Lula no passado. Mas estamos vendo o PT insistir na radicalidade. O partido foi formado nas Prefeituras, ficou conhecido nas cidades pelo modo petista de governar, mas se afastou muito disso".

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