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Apeoesp repudia modelo militar em escola de Campinas

Unidade no São Domingos vai receber gestão de militares, seguindo programa do governo federal

| ACidadeON Campinas

A escola Profª Odila Maia Rocha Brito foi a escolhida para ser cívico-militar (Foto: Reprodução)
A Apeoesp Campinas, sindicato que representa professores na rede pública na cidade, emitiu uma nota repudiando a definição da escola Odila Maia Rocha Brito, no São Domingos, para receber o modelo de gestão cívico-militar do governo federal.

"Não tem outro objetivo a não ser ocultar a falta de investimento público nas escolas onde estudam os filhos e filhas dos trabalhadores, também fica claro que se trata de uma medida oportunista para governos que querem passar a imagem de que estão fazendo algo pela educação quando na realidade, estão aprofundando ainda mais as desigualdades e o Apartheid educacional", diz a nota.

No dia 21 de novembro o MEC (Ministério da Educação) confirmou que Campinas seria a única cidade do Estado a receber o programa. A Prefeitura anunciou a adesão de Campinas ao programa no dia 10 de outubro.

Os critérios para escolher a unidade, que fica na Rua Juvenal de Oliveira, foi o menor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da rede, ser do 6ª ao 9ª ano, ter entre 500 e 1.000 alunos e estar em área de vulnerabilidade. A escola tem, atualmente, 775 alunos.

Uma consulta à comunidade sobre a escola cívico-militar deve ocorrer na próxima quinta-feira (5). A Secretaria de Educação disse que a consulta é aberta à comunidade (bairro), mas quem tem direito a voto são os professores, alunos, pais e funcionários, que formam a comunidade escolar da unidade.

"Eu acredito que os pais vão querer, mas vamos ouvir e respeitar a decisão. Caso eles não queiram, vamos encaminhar ao Ministério da Educação e ver o que poderemos fazer", afirmou o prefeito Jonas Donizette.

LEIA A NOTA DA APEOESP NA ÍNTEGRA

A APEOESP Campinas repudia a escola militarizada nesta cidade, pois não tem outro objetivo a não ser ocultar a falta de investimento público nas escolas onde estudam os filhos e filhas dos trabalhadores, também fica claro que se trata de uma medida oportunista para governos que querem passar a imagem de que estão fazendo algo pela educação quando na realidade, estão aprofundando ainda mais as desigualdades e o Apartheid educacional já existente históricamente na sociedade brasileira.

É fato, que se procura com as escolas Militarizadas passar uma ideologia autoritária e de pouca reflexão crítica impondo a ideologia daqueles que um dia torturaram e massacraram os trabalhadores em nome de uma falsa bandeira de igualdade que se apresentou nos 21 anos de governo militar no Brasil onde se aprofundaram as desigualdades e a perseguição a lideranças de trabalhadores, professores secundaristas e universitários.

A desculpa é melhorar a segurança nas escolas, mas sabemos que a melhoria da segurança se da com medidas sociais em toda sociedade como melhoria no salário, geração de emprego e inclusão social dos menos favorecidos.

Não é com autoritarismo nem o rompimento do pensamento crítico imposto pela ideologia militar que serve para os quartéis, mas não para a formação acadêmica e cidadã que construiremos uma escola de qualidade.

Para melhorar o ensino é necessário que o professor tenha salário digno, condições humanas de trabalho dentro das escolas e que os alunos também tenham um local aprazível para o desenvolvimento da sua aprendizagem e é fato real que as nossas escolas são precarização em absolutamente tudo.

Alem do mais, quem está no colégio militar são em sua maioria filhos de oficiais oriundos de setores privilegiados da sociedade brasileira e que escolheram estar ali algo que não acontecerá com a imposição das escolas Militarizadas.

O decreto do governo federal não deixa claro quais são os objetivos e regras, nada está claro nem definido e acatar tamanha monstruosidade é assinar um cheque em Branco.

Na prática esse objetivo é claramente para doutrinar os filhos dos trabalhadores, cercear e monitorar suas vidas fora do ambiente escolar. É um terrorismo de estado sem limites e a clara intenção de ocultar os reais problemas históricos da educação brasileira. Nós lutaremos até o limite de nossas forças para por abaixo esse golpe na educação e na sociedade brasileira.

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