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Política

Jonas sobre Moro: "Difícil um homem com princípios trabalhar em ambiente como aquele"

Prefeito de Campinas voltou a criticar posições do presidente da República e ministros

| ACidadeON Campinas

 

Após vídeo de reunião divulgado, Jonas diz que entende decisão de saída do ex-ministro Sérgio Moro (Foto: Walter Campanato/ Agência Brasil)

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), voltou a se posicionar e criticar o conteúdo do vídeo divulgado ontem (22) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), da reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que teve o sigilo quebrado nesta sexta-feira (22), e afirmou que entende a saída do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.  

Em uma transmissão pelas redes sociais neste sábado (23), o prefeito opinou que "é difícil um homem com princípios trabalhar em ambiente como aquele", e que mesmo sendo duro em medidas, jamais continuaria com o cargo. 

"Sou prefeito há um tempo, já fiz muitas reuniões de secretariado, e quero dizer que ao ver aquilo, compreendo a demissão do ex-ministro Sérgio Moro. Eu não suportaria um ambiente como aquele, palavras como aquelas, pessoas serem tratadas daquele jeito. Tenho fama de ser duro com quem trabalha comigo, mas nem de longe daquele jeito. Não dá pra trabalhar numa circunstancia como aquela", criticou.   
 
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A posição do prefeito de Campinas, que é presidente da FNP (Frente Nacional de Prefeitos) foi a segunda desde a divulgação do conteúdo. Em suas redes sociais, logo após a difusão dos trechos da reunião, Jonas criticou os palavrões e ofensas proferidas pelo presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), dizendo que o mesmo demonstra descontrole com governantes e com o povo. 

"Usar palavrões para se referir a prefeitos demonstra o descontrole de Bolsonaro. Indigna que o presidente da República tenha tamanho desrespeito com governantes eleitos pelo voto. Os limites democráticos já foram rompidos e esse vídeo explicita isso", publicou na noite de ontem.  

RELAÇÕES ENTRE ESTADOS  

Continuando a falar sobre a relação do presidente com os governantes, Jonas disse neste manhã que torce para a divulgação do vídeo não afete o relacionamento entre estados e o governo federal, o que prejudicaria ainda mais as ações neste momento de pandemia.  

"Antes do vídeo ser divulgado, o presidente teve uma reunião com governadores num clima de paz, até entre ele o dória, o que foi notícia. Tomara que esse ponto não seja para as coisas degringolarem, porque a gente já tem problema demais", declarou.  

CRÍTICA A PREFEITOS E AO JUDICIÁRIO  

Como presidente da FNP, Jonas defendeu o prefeito de Manaus, Artur Virgílio, que foi criticado pelo presidente durante a reunião.  

"Compete a mim, não posso ficar calado. O prefeito de Manaus, Athur Virgilio foi duramente atingido. É um homem de carreira diplomática, já foi senador, já foi prefeito em outras épocas, e quem acompanhou viu o drama que viveu na cidade dele. Eu conheço Manaus, é uma cidade muita complexa pra se administrar, com muita vulnerabilidade social. É uma cidade mais populosa que Campinas e com orçamento menor", criticou.  

O prefeito de Campinas disse se solidarizar com Virgílio e com todos os prefeitos, afirmou que "quem fala não sabe administrar".
"Queria deixar meu desagrado, os prefeitos têm enfrentado momentos muito difíceis e para aumentar grau de dificuldade momentos como esses são vistos. Declaro minha solidariedade ao prefeito de Manaus, e a outros prefeitos de forma generalizada. Acho que quem falou ali não faz nem idéia do que é administrar uma cidade, a responsabilidade sobre os ombros", declarou.  

Jonas declara ainda que é um desrespeito as palavras dirigidas pelos ministros contra o STF, e que as falas saem do campo civilizatório.  

"Já tive divergências com decisões mas não podemos sair do campo civilizatório, se não o Brasil vira uma balbúrdia", declarou.

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