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Com câncer, Bruno Covas decide se licenciar da Prefeitura de São Paulo

Ele está se tratando de um câncer no sistema digestivo com metástase óssea. Na semana passada, havia deixado o hospital e estava sendo medicado em casa

| Folhapress

Bruno Covas. (Foto: Reprodução/Instagram)
 

IGOR GIELOW E CLÁUDIA COLLUCCI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), voltou a ser internado na tarde deste domingo (2) e decidiu se licenciar do cargo a partir desta segunda (3). O vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), assumirá a maior prefeitura do país. 

Ele está se tratando de um câncer no sistema digestivo com metástase óssea. Na semana passada, havia deixado o hospital e estava sendo medicado em casa. 

O licenciamento será oficializado nesta segunda-feira (3), com um pedido médico que a equipe que o assiste no Hospital Sírio-Libanês encaminhará à prefeitura. Depois, o documento precisa ser validado pela Câmara Municipal de São Paulo.  

Em seu perfil no Instagram, Covas publicou uma nota em que diz que solicitará à Câmara uma licença de 30 dias para se dedicar totalmente à sua recuperação e que tem certeza de que vai superar mais essa batalha.  

"Assim como tenho a convicção que o nosso vice Ricardo Nunes e a nossa equipe de secretárias e secretários manterão a cidade no rumo certo, cumprindo o nosso programa de metas e plano de governo, priorizando o combate à pandemia e seus efeitos", escreveu.  

À Folha, o oncologista Tulio Flesch Pfiffer, que faz parte da equipe médica que acompanha Covas, disse que o visitou na manhã deste domingo e que a decisão pelo licenciamento foi do prefeito com total concordância da equipe médica.  

"Ele está um pouco mais cansado, sentindo um pouco mais de dor, e quer priorizar o tratamento da doença dele. Ele mesmo disse que o ritmo de trabalho frente à prefeitura não está tão bom quanto ele gostaria e que a cidade merece e precisa nesse momento", afirma.  

Segundo Pfiffer, a nova internação e o pedido de licenciamento não são devido à uma piora do quadro de saúde do prefeito. "Ainda é muito cedo para falar em piora. A gente começou a nova estratégia de tratamento há menos de duas semanas", diz. Nesta segunda, deve sair um boletim médico atualizado.  

Em seu perfil no Instagram, Covas disse que nos últimos meses a vida tem apresentado enormes desafios e que ele tem procurado enfrentá-los com fé, cabeça erguida e muita determinação.  

O presidente estadual do PSDB , Marco Vinholi, disse que "em nome dos tucanos de São Paulo, manifesto nosso total e irrestrito apoio ao prefeito Bruno Covas. O PSDB de São Paulo confia que, ao fim deste período de 30 dias, Covas retomará suas atividades com ainda mais dedicação. Estamos com Covas, lado a lado, nesta batalha".  

O tratamento de quimioterapia e imunoterapia a que o prefeito seria submetido neste fim de semana foi adiado porque a equipe médica achou melhor esperar os resultados de novos exames que serão feitos nesta semana. Pfiffer diz que o tratamento deve seguir o cronograma inicialmente traçado. 

De acordo com Pfiffer, já estava prevista uma nova internação nesta segunda cedo para repetir os exames de sangue e de imagem. "A gente ia dar um final de semana de descanso para ele ficar com o filho, a família dele. Mas, nesta conversa de hoje cedo, ele preferiu antecipar a internação", diz.  

O prefeito tem recebido alimentação venosa suplementar para recuperar o peso perdido nos últimos meses. Ele já tinha sido tratado com quimioterapia e imunoterapia, mas a doença avançou no começo deste ano. Reeleito no segundo turno em novembro passado, o tucano vinha despachando do hospital e de casa, mas agora seu estado inspira mais cuidados.  

Nunes, que era vereador, é ligado ao grupo do poderoso presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (DEM). Entre tucanos, sua ascensão é vista com reservas, em especial da hipótese de o afastamento de Covas se estender.  

No Palácio dos Bandeirantes, contudo, a avaliação do governo João Doria (PSDB), fiador de Nunes na chapa com Covas em nome de uma aliança maior para 2022, o vice tem recebido elogios por seu desempenho em reuniões e ações recentes na prefeitura.  

O câncer do prefeito originou-se na cárdia, uma válvula no trato digestivo, e depois afetou também o fígado. Ele iniciou tratamento ainda em 2019 e evita, desde então, afastar-se de suas funções na prefeitura, limitando suas licenças médicas.
Entre outubro de 2019 e fevereiro último, o prefeito fez oito sessões de quimioterapia. As lesões cancerígenas regrediram, mas não desapareceram por completo.  

Em fevereiro, um novo nódulo no fígado foi descoberto. Na ocasião, a equipe médica disse que o câncer no sistema digestivo que ele trata desde 2019 conseguiu "ganhar terreno", mas que ainda era menor do que o primeiro encontado há dois anos.
No último dia 16, os médicos anunciaram que exames detectaram o surgimento de novos focos de câncer no fígado e ossos do prefeito.


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