- Publicidade -
CampinasPolíticaEleições: Lula quer governo com menos PT, mais centro e guinada na economia

Eleições: Lula quer governo com menos PT, mais centro e guinada na economia

A senadora Simone Tebet (MDB), que ficou em terceiro lugar na eleição, vai apoiar o ex-presidente e é cotada para ocupar um ministério em eventual governo Lula

- Publicidade -
Candidato Lula e vice-candidato Geraldo Alckmin (Foto: Reprodução/Instagram)
Candidato Lula e vice-candidato Geraldo Alckmin (Foto: Reprodução/Instagram)

A constatação de que o bolsonarismo se fortaleceu nas eleições fará a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aproximar mais de partidos fora do campo de esquerda no segundo turno. A ideia é mostrar que, se vencer a disputa contra o presidente Jair Bolsonaro, Lula vai recrutar nomes de centro para governar, mesmo que tenha de sacrificar o PT na composição da equipe.

A senadora Simone Tebet (MDB), que ficou em terceiro lugar na eleição, vai apoiar o ex-presidente e é cotada para ocupar um ministério em eventual governo Lula. Outro nome citado é o do empresário Walfrido dos Mares Guia. Fundador do grupo Pitágoras, Mares Guia foi ministro do Turismo e das Relações Institucionais sob Lula, vice-governador de Minas (1995 a 1999) e deputado federal.

- Publicidade -

O ex-presidente se reuniu ontem com a coordenação de sua campanha para traçar as estratégias do segundo turno. “Agora a escolha não é ideológica. Agora vamos conversar com todas as forças políticas que têm voto e representatividade para somar”, disse Lula. “Precisamos conversar com aqueles que parecem que não gostam da gente e do nosso partido.”

LEIA TAMBÉM

Campinas registra abstenção de 21,91% dos eleitores durante eleições

Algum vereador da Câmara de Campinas foi eleito? Veja como ficou

- Publicidade -

 

Uma ala mais à esquerda do PT avalia que o comitê de Lula errou ao ficar na “defensiva”, sem fazer o tradicional corpo a corpo nas ruas, nem mesmo na periferia, e sem partir para o confronto direto com Bolsonaro. Para correntes mais “radicais” do partido, não adianta o ex-presidente adotar um estilo “paz e amor” no meio da guerra. Mas o candidato não vê o cenário assim. “Se for preciso conversar, o Lulinha paz e amor está pronto”, insistiu ele.

Desde que o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles declarou apoio a Lula, no mês passado, o mercado financeiro reagiu com otimismo, interpretando que ele poderia voltar ao comando da economia. O ex-presidente tem dito, porém, que quer na pasta um político com trânsito no Congresso.

EX-MINISTRO

Questionado pelo Estadão se havia conversado novamente com Lula, Meirelles disse que não. “Estou só observando”, afirmou o ex-ministro do governo de Michel Temer. “Pai” do teto de gastos, rejeitado pelo PT, Meirelles também foi presidente do Banco Central nos dois mandatos de Lula.

- Publicidade -

Se eleito, Lula pretende dar uma “guinada” na economia, promovendo mudanças negociadas com governadores, principalmente em relação ao sistema tributário, chamado no comitê de “manicômio”, ainda que haja divergências com a cúpula petista. Em troca do apoio a essa reforma, ele planeja oferecer compensações aos Estados, por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs) nas áreas de infraestrutura e logística.

Até agora, Lula não divulgou seu programa de governo, mas prometeu revogar o teto de gastos e mudar o arcabouço fiscal, sem dizer como, além de pôr “o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”.

Nem ele nem Bolsonaro, porém, explicam de onde vão tirar dinheiro para manter o Auxílio Brasil de R$ 600, em 2023. No Planalto, o presidente afirma que Lula nunca detalhou o plano porque quer dar um “cavalo de pau” na economia.

“O que vai haver é uma mudança importante no sentido de recuperar a credibilidade que a gente perdeu e conquistar estabilidade”, disse o economista Guilherme Mello, da campanha de Lula. “Queremos construir uma mesa de diálogo com os governadores e demais poderes. Não é no sentido de ruptura institucional. Quem gosta de ruptura é Bolsonaro”, emendou.

O novo papel do PT em um possível governo não está definido, mas o acerto ali é para dar carta branca ao ex-presidente. Se nos dois mandatos de Lula, e mais ainda no período de Dilma Rousseff, o PT fazia barulho, pressionava para ter mais espaço na Esplanada e cobrava o fim do superávit primário, a situação agora é outra.

FRENTE AMPLA

A ideia é montar uma “frente ampla”, que também incluiria nomes da sociedade civil, para administrar e ter maioria no Congresso. As eleições de domingo mostraram que aliados de Bolsonaro tiveram votação expressiva na Câmara e no Senado. Para ter governabilidade, Lula também precisará, se chegar ao Planalto, ampliar as alianças e obter a adesão de parlamentares do MDB, PSD, PSDB – ainda que o partido tenha virado nanico – e do União Brasil.

“O governo mais ao centro é uma consequência da união das forças políticas. Não há problema nisso. Ao contrário”, disse o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos coordenadores da campanha petista

Em 27 de setembro, após receber o apoio de ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula deu a senha da estratégia para atrair antigos adversários. Ao se dirigir a Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo e vice em sua chapa, fez questão de avisar: “Meu caro, você já foi promovido a general.”

Na disputa mais polarizada do País, a primeira após enfrentar processos que o mantiveram 580 dias na prisão, entre 2018 e 2019, Lula não teve mais a seu lado seus dois “generais”. A patente na campanha do PT foi criada em 2002, quando ele venceu pela primeira vez a eleição para o Palácio do Planalto.

Abatido no rastro de escândalos do mensalão e do petrolão, o ex-todo poderoso ministro José Dirceu, da Casa Civil, atua hoje nos bastidores; Antônio Palocci, ex-titular da Fazenda sob Lula e da Casa Civil no primeiro mandato de Dilma, virou inimigo após fazer delação premiada. Palocci saiu do PT.

Foi nesse cenário de turbulência e enfraquecimento do PT que um ex-tucano, rival em outras campanhas, se transformou no símbolo da inflexão que o ex-presidente quer fazer. Na prática, Lula começou a percorrer o caminho rumo ao centro muito antes da aliança com Alckmin, quando José Alencar foi seu vice. “Desde 2002, Lula sempre quis que o PT fosse um dos partidos de seu governo, e não o único”, afirmou o ex-deputado Paulo Delgado.

Agora, Alckmin virou um curinga: nos últimos meses, foi apontado como possível ministro da Economia e até da Defesa, mas jogou água na fervura de todas essas apostas. “Se o Alckmin for ministro, o presidente não pode ligar para ele em Lisboa e demiti-lo”, disse o ex-senador Cristovam Buarque, com uma pitada de ironia. “O vice é indemissível.” Em 2004, Cristovam era ministro da Educação e foi dispensado por Lula, pelo telefone, quando estava em Portugal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

LEIA MAIS

‘PodFalar, Mãe!’: Novo episódio traz explicações sobre descolamento retrocoriônico

 

- Publicidade -
Mídias Digitais
Mídias Digitaishttps://www.acidadeon.com/
A nossa equipe de mídias digitais leva aos usuários uma gama de perspectivas, experiências e habilidades únicas para criar conteúdo impactante., com criatividade, empatia e um compromisso com a ética e credibilidade.

veja mais

- Publicidade -
- Publicidade -

Recomendado por Taboola

Notícias Relacionadas