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Vereador de Campinas usa tribuna para espalhar fake news

Antonio Flôres usou notícia falsa para atacar sua colega, Mariana Conti, ao afirmar que o Psol teria envolvimento no caso da facada contra Bolsonaro

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Antonio Flôres usou fake news para atacar o Psol e defender o 13º dos vereadores (Foto: Divulgação/Câmara)

Há quem espalhe fake news pelo Whatsapp. Outros, pelo Facebook ou Twitter. Mas o vereador de Campinas Antonio Flôres (PSB) foi além e inaugurou uma nova forma de espalhar boatos e informações falsas: usando a tribuna da Câmara, durante seu horário de expediente, bancado pelo contribuinte da cidade.  

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O vereador acusou o ex-deputado federal Jean Wyllys (Psol) de ter participação no atentado contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL). A atribuição foi feita durante a sessão da noite dessa quarta-feira (13) na Câmara de Campinas.

Flôres discursava contra a vereadora Mariana Conti (Psol), que se opõe à proposta de pagar um 13º salário para os vereadores da Câmara, que está em análise pela Mesa Diretora. A história foi divulgada pelo ACidade ON na última terça-feira. Segundo a psolista, a medida é "imoral".

Durante o discurso, quando Conti já não estava mais presente, o peessebista afirmou que a vereadora é incoerente. Primeiro por ter sido contra o aumento de quatro para sete assessores - proposta que ela formou oposição quando votada em 2017, mas da qual fez uso, nomeando três três novos assessores, quando a medida foi implementada - e segundo, por "ser do Psol, partido de Adélio Bispo, que tentou assassinar o presidente atual do Brasil", disse.

ACUSAÇÕES

O vereador continua dizendo que Bispo, o homem que atingiu o presidente Jair Bolsonaro com uma facada no dia 6 de setembro, durante a campanha eleitoral de 2018, visitou duas vezes o gabinete do ex-deputado federal Jean Wyllys. "[A Polícia Federal] já levantou um depósito do deputado federal na conta do advogado que defendeu o Adélio Bispo", afirmou o vereador, citando uma corrente de Whatsapp que divulga a informação de um site conhecido por espalhar notícias falsas.

O vereador complementou, dizendo que Mariana é respeitada e admirada por todos os parlamentares da casa, mas que é preciso, no entanto, "deixar de dar uma de Madre Teresa de Calcutá".

"Vossa excelência tem que assumir a tribuna e dizer 'eu sou do partido de Adélio Bispo, que tentou assassinar cruelmente o atual presidente, que ia no gabinete do deputado Jean Wyllys, que se mandou do Congresso quando soube que a Polícia Federal está muito próxima de descobrir as razões dessa ligação'", afirmou Flôres. "Diga isso para a mesma população de Campinas que ouve o discurso eloquente de vossa excelência", disse o vereador em referência às críticas de Mariana ao pagamento do 13º aos parlamentares.   

VEJA O VÍDEO  


A íntegra da sessão da Câmara desta quarta-feira (13) pode ser vista neste link. O trecho com o discurso de Flôres tem início após as 2h40m.

OUTRO LADO  

Por telefone, Mariana afirmou a reportagem que as acusações de Flôres nada mais são que "fofoca de WhatsApp". "Na minha opinião, o vereador utilizou essa história para tirar o foco do 13º salário", explicou a parlamentar.

"Eu votei contra o aumento dos cargos comissionados de uma Câmara que funciona como base do prefeito. Sou contra a nomeação de cargos para referendar tudo o que o prefeito faz. Mas nós temos bons profissionais aqui. Quem deve julgar a competência da minha equipe é o munícipe", afirmou. "Estou mais focada na discussão da CP (Comissão Processante) do Ouro Verde e os vereadores também deveriam focar nisso do que em aumentar os próprios salários", concluiu Mariana. 

A reportagem procurou o vereador Antonio Flôres para comentar as declarações. Ele atendeu o telefone e disse que não poderia falar porque estava dirigindo. Depois, não atendeu mais as ligações. 

ADÉLIO BISPO

Um inquérito da Polícia Federal concluiu em 28 de setembro de 2018 que o agressor do presidente Jair Bolsonaro, Adélio Bispo, agiu sozinho no atentado. Não há registros ou denúncias oficiais de que o ex-deputado federal Jean Wyllys tenha feito repasses ao advogado que defende Bispo ou que tenha tido contato com ele.

Além disso, o Ministério Público Federal de Minas Gerais, responsável pela investigação, e a Procuradoria Geral da República, que cuida investigações de pessoas com foro privilegiado, já confirmaram que não houve envolvimento do parlamentar com o caso.

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