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Especial Névio Archibald

Eleições 2020: BRT e CSs são "última esperança" para Jonas

Na semana em que foi condenado à perda de mandato, prefeito vê problemas crescerem após sua reeleição e busca meios de manter poder até eleição municipal

| ACidadeON Campinas

Incertezas rodeiam prefeito de Campinas. Foto: Código 19
Um segundo mandato cercado de denúncias e condenações tem colocado em xeque a capacidade do prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), fazer um sucessor ou fortalecer o partido para boas alianças em 2020.

Desde que foi reeleito, o peessebista vive um caos em seu mandato, assolado por denúncias de corrupção em áreas vitais como a Saúde e, mais recentemente, alvo de uma condenação por improbidade administrativa em segunda instância: contratou funcionários para desempenharem cargos em comissão sem qualificação técnica, segundo a Justiça, para o seu favorecimento e de aliados políticos. (LEIA MAIS AQUI)

O chefe do Executivo também amarga outras denúncias. Ele é citado em uma investigação que apura o recebimento de dinheiro de Caixa 2 da CCR e é acusado de desvios de verba na merenda. A combinação de denúncias e condenações é explosiva e tem movimentado o xadrez político da cidade.

OURO VERDE

A gestão de Jonas começou a degringolar com o Caso Ouro Verde, que expôs um esquema de fraudes em licitação, corrupção e favorecimento de empresários na cidade no setor da Saúde. O agravante é que a área é uma das que mais sofre com a falta de investimento do poder público. Hospitais superlotados, falta de médicos, equipamentos e remédios. Mesmo com a construção de novas unidades, não há recursos para o custeio desses serviços. A previsão é de inaugurar outros dez postos de saúde até o final do mandato.

A aposta dos integrantes da atual gestão para resgatar a credibilidade está nas obras que Jonas deve entregar antes de deixar o cargo. O que os aliados esperam é que ele saia do governo, pelo menos, com uma avaliação mediana, caso nenhum outro escândalo venha à tona até lá.

Um das obras que são uma aposta da atual gestão é o BRT, corredor de ônibus que ligará os distritos do Campo Grande e do Ouro Verde à região central. O processo de construção dos corredores dura mais de 10 anos na cidade e, até agora, tem causado muitos transtornos aos moradores.

Entre as obras de Centros de Saúde, está o da região do Sirius - os moradores aguardam uma unidade desde de a criação do bairro, em 2011. Atualmente, eles usam o CS do Florence, que fica a 4km do local.

ELEIÇÃO

O partido de Jonas tem um nome que é considerado forte entre os dirigentes para à disputa em 2020, o do deputado estadual Rafael Zimbaldi. No entanto, não há garantias que Rafa continue na legenda. O sobrinho de Jonas, ex-deputado federal Luiz Lauro Filho, que seria um eventual nome do partido para o cargo, não conseguiu se reeleger e perdeu o protagonismo. Ele aguarda a abertura de uma vaga na Câmara, já que ficou como suplente, para conseguir resgatar o seu capital político.

Há informações de que o prefeito também tem conversado sobre mudanças de sigla e que os laços estariam mais estreitos com o DEM. Antes de ingressar no PSB, Jonas era filiado ao PSDB. (LEIA MAIS AQUI)

Algumas legendas já manifestaram a intenção de ter candidatura própria em 2020 e pretendem surfar na queda da popularidade do prefeito, entre elas o PSDB, PSD, PDT, PT, Solidariedade e PSL.

O problema está nas siglas que atualmente são aliadas do governo. Neste momento, os partidos avaliam os riscos e benefícios de continuarem com o apoio incondicional a Jonas. O prefeito passou por uma Comissão Processante na Câmara, mas conseguiu maioria e acabou inocentado pelos seus apoiadores. As relações com o Legislativo foram pacificadas.

CONTRA A CORRUPÇÃO

Jonas foi eleito prefeito pela primeira vez em 2012. Naquela época, a sua bandeira de campanha era o combate à corrupção. Ele se colocou como o político que iria reescrever a história da cidade após a queda do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), cassado por negligência e omissão no Caso Sanasa.

Nos primeiros anos de seu mandato, Jonas declarou que o seu foco era na "organização da casa". Em muitas declarações, o prefeito alegava que precisava colocar os processos administrativos em dia, antes de começar a avançar em políticas públicas para a cidade.

Ao ser reeleito, em 2016, o prefeito reconheceu os problemas na Saúde, Educação e em Serviço Públicos. No ano seguinte, começaram as denúncias de irregularidades contra a sua gestão.
  
 

CASOS QUE ENVOLVEM PREFEITO

OURO VERDE

Um ano depois o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou a primeira operação do Caso Ouro Verde, que revelou um esquema de corrupção no hospital público com o envolvimento de servidores, empresários e do ex-secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, braço direito de Jonas, que chegou a ser preso. Desde então foram várias operações, que continuam até hoje. O Caso Ouro Verde está na sua quarta fase.

CAIXA 2

Nesse meio tempo, Jonas também apareceu em uma lista de Caixa Dois entregue pela CCR, concessionária que administra rodovias na região de Campinas. Ele teria recebido R$ 100 mil para a campanha.

MERENDA

No ano passado, o Ministério Público Federal denunciou o prefeito por suposto desvio de verbas da merenda escolar. O prejuízo causado pela prática criminosa R$ 2,8 milhões. Jonas é acusado de dispensa indevida de licitação e desvio de verbas públicas em proveito de terceiros

IMPROBIDADE

Na última semana, o prefeito teve seu mandato cassado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo por improbidade administrativa. Contratou funcionários em cargos de comissão para quadros técnicos.

Segundo a relatora, Silvia Meirelles, o prefeito fez contratações para atender aos seus interesses. "E, neste ponto, restou comprovado o cometimento de ato ímprobo pelo réu Jonas Donizette, uma vez que este, reiteradamente, nomeou livremente pessoas despreparadas para o exercício de funções meramente burocráticas, sob o argumento de que se tratavam de cargos comissionados. Note-se que a prova testemunhal é farta no sentido de demonstrar que as indicações para os cargos comissionados ocorriam sem quaisquer critérios técnicos e para o fim de satisfazer o interesse público, mas, ao revés, o eram tão somente para atender aos interesses pessoais de apaniguados políticos, favorecendo pessoas determinadas", colocou.

A defesa do prefeito informou que ele irá recorrer da decisão no cargo, mesmo condenado em segunda instância. (LEIA MAIS AQUI)

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