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Especial Névio Archibald

Como o desentendimento no PSB vai afetar as eleições

Racha entre executivas nacional, estadual e municipal pode sacramentar ida de Jonas Donizette para o PSDB

| ACidadeON Campinas

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB) (Foto: Luiz Granzotto/PMC) 

O desentendimento dentro do PSB com a expulsão do deputado federal Luiz Lauro Filho para que ele assumisse uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PSDB terá impactos no cenário eleitoral deste ano em Campinas.

Mesmo tentando uma reaproximação, o prefeito Jonas Donizette (PSB) lida hoje com a insatisfação da alta cúpula do partido em relação a esse movimento político, que fortaleceu o núcleo tucano e gerou conflitos dentro do grupo peessebista. A articulação pode resultar na saída de Jonas da legenda, seu retorno ao PSDB e em mudanças no xadrez eleitoral.

Jonas foi convidado pelos tucanos para mudar de partido. "Esse convite já aconteceu e o prefeito ainda não decidiu. Eu não vou mudar do PSB. Continuo no partido. Tenho uma história com o PSB", afirmou secretário de Relações Institucionais e presidente da sigla em Campinas, Wanderley Almeida, braço direito de Jonas e que deve lançar sua pré-candidatura a prefeito na reunião do diretório nesta quinta-feira (30).

Jonas está em processo de reaproximação com o grupo do governador João Doria (PSDB) desde que Marcio França perdeu a disputa pelo governo do Estado para os tucanos. De lá para cá, essas inúmeras conversas já geraram, inclusive, o comentário de que o prefeito se filiaria ao DEM, partido do vice-governador, Rodrigo Garcia. Na época, ele negou qualquer intenção de deixar o PSB e fez questão de afirmar que suas relações com o partido eram muito sólidas.

Do outro lado, Jonas, após a ida de Luiz Lauro para o PSDB, também ganhou prestígio entre os tucanos e criou conflitos com sua atual legenda. Se resolver fazer as malas para o PSDB, ele poderá ser colocado em cargos estratégicos do governo do Estado assim que deixar a Prefeitura, no final deste ano, e fortalecer seu nome para uma eventual disputa ao Senado em 2022, seu desejo para a continuidade na vida pública.

O estopim para essa crise foi a negociação da vaga de Luiz Lauro, que não conseguiu se eleger no ano passado e ficou na suplência da Câmara dos Deputados. Desde o fim do processo eleitoral, Jonas trabalhou para que seu sobrinho pudesse voltar à Câmara dos Deputados.

"O Luiz inicialmente assumiria uma vaga do Cidadania. Acontece que um deputado do PSDB se licenciou e ele está nessa cadeira. Mas assim que o parlamentar retornar ele perde esse posto. A cadeira não é dele. Essa situação toda aconteceu por causa da vaga dos tucanos. Foi uma decisão da Executiva, que não passou pela aprovação do diretório", disse.

Wandão também não nega os conflitos com as outras instâncias do PSB após a expulsão do Luiz Lauro - a Eexecutiva nacional do PSB foi à Justiça para questionar a expulsão de Luiz Lauro e pedir sua cadeira de volta. "Mas o prefeito já conversou com o Carlos Siqueira (presidente nacional), eu já conversei com o Marcio França (estadual), que esteve recentemente em Campinas. Estamos discutindo esse assunto", disse.

ELEIÇÕES

O PSB é comandado em Campinas pelo secretário de Relações Institucionais, Wanderley Almeida. Nas duas eleições vitoriosas do partido, a aliança na majoritária foi com o PSDB. Acontece que agora o partido, em nível nacional e estadual, não teria mais interesse em se alinhar com os tucanos em cidades estratégicas, e Campinas é uma delas. Isso porque querem fortalecer o nome de Marcio França, que chegou ao segundo turno com Doria.

Mas na cidade o desejo da cúpula do PSB é outro. Wandão disse não ver problemas em uma nova aliança desde que o partido esteja na cabeça de chapa. "O que eu posso garantir é que o partido terá uma candidatura que represente o nosso governo e o nosso legado", afirmou.

Do outro lado está o deputado estadual Rafa Zimbaldi, que vem sendo preparado para a candidatura ao posto de prefeito nos últimos anos. A relação dele com o partido em Campinas começou a desandar no meio do ano passado, mas o parlamentar conquistou a simpatia da alta cúpula da legenda e deve manter seu nome, já que não tem janela para a troca de sigla nesta eleição. A briga pela vaga promete ser quente.

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