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Inclusão deveria ser considerada um sentimento por promover empatia

Por isso, falar abertamente sobre emoções é importante, visando a promoção do bem-estar. Livros lançados este mês falam disso em forma de conto e poema

| ACidade ON - Circuito das Águas -

A inclusão deveria ser considerada um sentimento, na minha avaliação. Empatia é tudo! Dois livros lançados recentemente tratam de emoções. Imagem de Comfreak/Pixabay
Os sentimentos são a base da conexão que nos une, que nos incluem. Afinal, nos permitem desenvolver empatia, facilitando que possamos entender o estado do outro ou mesmo de nos colocarmos em seu lugar. Então, a inclusão deveria ser considerada um sentimento, na minha avaliação, já que a sensação de pertencimento nos traz bem-estar e, quando isso nos falta, ficamos famintos de gratidão e amor, chegando a nos machucar dentro do nosso vazio.

E como não falar de emoções com as festas de final de ano e com o agravamento da pandemia de Covid-19? Sei que a empatia não é suficiente para promover a inclusão, mas é o primeiro passo para a formar um batalhão de pessoas na luta pela democratização do acesso à cultura, à educação, à informação, ao transporte público e tudo mais que estiver disponível para a população como um todo. Isso porque, para ter empatia, é preciso haver comunicação, interação e cooperação. E nada melhor do que trabalhar isso desde a infância.
Capa do livro em que Cibele Madai Valderramas Ignácio é uma das autoras. Foto: Divulgação
Essa ideia martelou em minha cabeça com o lançamento do livro "Sinto o que Conto, Contos que Sinto", no último dia 16. Clique aqui para assistir ao lançamento no canal da Editora Adonis no YouTube. A publicação me fez lembrar da Dona Generosa, uma amiga que me ajudou muito durante o crescimento infantil do meu filho. E o nome dela refletia exatamente como ela era: a bondade em pessoa. Morreu, este ano, após lutar contra a Covid-19.

Essa relação entre o livro e a Dona Generosa veio por meio de sua sobrinha, a valinhense Cibele Madai Valderramas Ignácio, que é uma das autoras do livro. "Posso dizer que conheci a generosidade em pessoa. Ela tinha nome e sobrenome, mas não sabia escrevê-los muito bem apesar de nunca desistir de tentar. Também me ajudou a vencer muitos sentimentos incômodos... Ela lutou bravamente contra a Covid e talvez tenha saído de cena para que esse sentimento de ser generoso não ficasse concentrado apenas nela", escreveu a pedagoga Cibele, com especialização em Psicopedagogia pela Unicamp, em uma cartinha para homenagear a tia. Leia aqui o depoimento na íntegra.   

Dona Generosa e o marido Luiz. Ambos faleceram recentemente por conta da Covid-19. Generosa ajudou Cibele a vencer medos da infância. Foto: Divulgação

"Sinto o que Conto, Contos que Sinto" nasceu do projeto "Emoções sob diferentes olhares..."e com a proposta de trazer diferentes aspectos sobre as emoções. Sua produção se deu por meio de financiamento do site Catarse e foi coordenado pela psicóloga e autora Maria Vilela George, que reside na Flórida, nos Estados Unidos.

O livro conta com textos, além do de Cibele, de Adriana Bordinhão Vicioli, Alyssa Tomiyama, Elaine Alcantara, Flávia Bruno Neves, Maria Beatriz Marinho dos Anjos, Maria Vilela George, Rossane Correia de Brito e de Valéria Maria Fusch Ferreira. Cada uma escreveu um conto infantil e, ao final, todos os personagens foram reunidos em um conto único, escrito em conjunto. Já as ilustrações são de José Luiz Gozzo Sobrinho. Mais informações sobre o livro podem ser obtidas pelo Facebook ou pelo Instagram (@contosquesinto). Os interessados em adquiri-lo podem fazer o pedido por meio do e-mail sintooqueconto@gmail.com ou pelo site da Editora Adonis.    

As nove autoras do livro "Sinto o que Conto, Contos que Sinto"

O medo

O conto de Cibele é "O Menino e o Medinho", que fala sobre o medo que um menino carregava consigo. Acho que o medo nasce com a gente e muitas vezes nos protege. Por isso, não pode ser escondido e não dito. Isso me leva a outro livro lançado também este ano: "E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas", do cantor de rap Emicida, pela Companhia das Letrinhas/LAB Fantasma. Emicida trabalha o contraste entre luz e sombra para dizer às crianças que tudo bem sentir medo, mas a coragem é maior. As ilustrações são de Aldo Fabrini, que também fez para "Amoras", primeiro livro do cantor.

O conto de Cibele Madai Valderramas Ignácio fala sobre medo
Em falar em Emicida e inclusão social, sugiro também o documentário "AmarElo É Tudo Pra Ontem" já disponível na Netflix, onde o rapper usa os bastidores do show no Theatro Municipal de São Paulo para resgatar a história da cultura e dos movimentos negros no Brasil nos últimos 100 anos. Assista aqui ao trailer oficial.    

Empatia

Precisamos de mais empatia neste momento em que a pandemia desse novo coronavírus trouxe ainda mais exclusões, com pessoas passando fome; sem acesso à internet para executar o seu trabalho, seja escolar ou profissional, quando ainda o tem; e colocando os nossos idosos em risco ao não evitarmos aglomerações e não fazermos o uso de máscara. A sociedade precisa cooperar em um ato de civilidade. É Natal! Vamos exercitar a nossa solidariedade? Vamos lutar para que 2021 seja o ano da inclusão? 2020 está sendo difícil, mas podemos e devemos aprender com ele. Como diz Bráulio Bessa, "seja menos preconceito, seja mais amor no peito". Assista abaixo o poema sobre diversidade.
 

"O amor é própria cura". Assino embaixo com o Bráulio. E coincidência ou não, o Emicida apareceu novamente. E, logo me veio à cabeça a música "Quem tem amigo (tem tudo)". Por conta do Natal e do Ano Novo, as postagens darão uma trégua e retornarão em janeiro de 2021. Por isso, quero terminar com essa música do Emicida em homenagem a todas as minhas amigas e a todos os meus amigos. Como diz o refrão: "Quem tem um amigo tem tudo/ Se o poço devorar, ele busca no fundo/ É tão dez que junto todo stress é miúdo/É um ponto pra escorar quando foi absurdo." Que sejamos mais amigos, mais irmãos! Que como um mantra, possamos promover empatia, tornando-nos sol para muitos girassóis.  


Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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