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Cuidado com saúde mental precisa fazer parte de nossa cultura

Desequilíbrio mental não é sinal de fraqueza e não é preciso ter vergonha. Diga não ao preconceito! Diga sim a você! Se ame e se cuide para ser sol, assim o seu jardim viverá com muito mais cores e luz. Vamos cuidar de nossa saúde mental!

| ACidade ON - Circuito das Águas -

O Janeiro Branco é uma campanha ao estilo do Outubro Rosa e do Novembro Azul. Ela busca chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à Saúde Mental e Emocional das pessoas. | Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
2021 está no início e as notícias esta semana sobre o colapso do sistema de saúde de Manaus por conta da Covid-19 me deixaram ansiosa e nervosa. Respirei fundo e me lembrei que estamos no Janeiro Branco, uma campanha de conscientização em prol da construção de uma cultura de saúde mental na sociedade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter saúde é estar em "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade".

Eu não sei você, mas me sinto bem cansada e algumas noites tenho sono superficial diante da pandemia, da crise econômica e de algumas agruras do dia a dia. Por isso, penso que não há saúde sem a saúde mental! Para saber um pouco mais sobre a importância dessa campanha, cujo lema nesta 8ª edição é "Todo Cuidado Conta", busquei me informar. Pedi ajuda à Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC).

Quem atendeu ao meu apelo por informações foi o psiquiatra Osmar Henrique Della Torre, coordenador do Departamento Científico de Psiquiatria da SMCC. No vídeo abaixo, ele fala sobre a importância dessa campanha e o que fazer diante dessa nossa impotência diante desse novo vírus, que precisa ser "nosso inimigo em comum". Friso esse trecho entre aspas dito por Osmar porque muitas pessoas continuam ainda negacionistas, deixando de fazer o uso de máscara e promovendo aglomerações.  

  

Depressão é um transtorno mental  

Segundo texto elaborado por Ana Carolina Pegoraro Martins, psiquiatra da Assessoria Técnica de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde do Estado de Paulo, essa combinação de fatores, como a pandemia e desemprego, "gera aumento dos índices de violência de todos os tipos e suicídio, e é esperado um grande aumento de novos casos de transtornos mentais e agravamento de quadros pré-existentes, numa expectativa de prevalência de 1 individuo acometido a cada 5 pessoas. E grupos vulneráveis, como idosos, por exemplo, ficam mais vulneráveis." O texto dela, intitulado "Sentimentos e sintomas frequentes na pandemia - Os Impactos na Saúde Mental" pode ser acessado no site da Programa Autoestima, do governo do Estado. Clique aqui para lê-lo na íntegra.  

Minha primeira postagem no blog, em setembro de 2020, foi "Setembro amarelo, seja um sol para alguém na primavera", para falar sobre o mês mundial de prevenção do suicídio. Eu posso e quero ser o sol de muitas pessoas, como disse anteriormente. Clique aqui para ler essa matéria do Setembro Amarelo. Mas, para ser esse sol a iluminar e a ajudar a florescer os meus girassóis, preciso estar bem. Para isso, preciso cuidar de minha saúde mental.

A depressão é um dos transtornos mentais que pode levar ao suicídio, que atinge mais os jovens. Veja aqui um infográfico sobre Suicídio em Adolescentes e Jovens nas Américas. Uma pesquisa feita pela internet com 11.863 indivíduos por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que mais da metade da população adulta do Estado de São Paulo sentiu ansiedade ou nervosismo com frequência desde que a pandemia causada pelo novo coronavírus começou.

Para 39% dos entrevistados nessa pesquisa, sentir-se triste ou deprimido passou a ser algo rotineiro durante a quarentena e quase 30%, que antes dormiam bem, começaram a enfrentar problemas de sono. Os dados foram coletados entre os dias 24 de abril e 24 de maio por meio de questionário on-line. Quer conferir mais dados da pesquisa, clique aqui.  

Álcool e drogas usados com escapes

O Dia Mundial da Saúde Mental tem como data o dia 10 de outubro, instituído em 1992, pela Federação Mundial de Saúde Mental. Segundo matéria da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas): "Quase 1 bilhão de pessoas vive com transtorno mental, 3 milhões de pessoas morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool e uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. E agora, bilhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pela pandemia de COVID-19, que está causando um impacto adicional na saúde mental das pessoas." Leia matéria na íntegra aqui.  

Há uma relação entre o uso do álcool e problemas emocionais. Dado comprovado pela pesquisa feita pela Unicamp, UFMG e Fiocruz: "18% dos entrevistados relataram aumento no uso de bebidas alcoólicas durante a pandemia, índice similar entre homens e mulheres (...) e o aumento do consumo de álcool também está associado aos sentimentos de tristeza e depressão e foi relatado por 24% das pessoas com esse estado de ânimo".   

Acredito que, assim como eu, você tinha expectativa de que em 2021 voltaríamos à normalidade, como se fossemos detentores do poder de virar a chave do ano, simbolicamente, é claro. O problema é que os números da Covid-19 só aumentam, o que nos empurra ainda mais para a continuidade do isolamento social, causando piora em nossa saúde mental.

Mas, o Janeiro Branco está aí para nos convidar a mudar de postura, seja mental, física e psicológica. É tempo de olharmos internamente, respirarmos profundamente e praticarmos atividade física. Neste último quesito, preciso me esmerar; confesso. Também é tempo de sermos solidários.

Uma das campanhas de que tomei conhecimento é a que busca angariar materiais de higiene pessoal para mulheres em situação de cárcere, já que estão sem visitas nesse período de pandemia. As Promotoras Legais Populares (PLPs) Cida da Terra em parceria com o Coletivo Lélia Gonzáles, o Espaço Cultural Cupinzeiro e o Coletivo Mulheres pela Justiça buscam doações para o presídio feminino de Campinas, onde, segundo as PLPs, encontram-se cerca de 330 mulheres. Quem não puder fazer a entrega na sede das entidades, poderá doar em dinheiro por meio de depósito bancário. Os dados estão na imagem de divulgação.  

Imagem divulgada pela campanha
Janeiro Branco

A campanha Janeiro Branco foi criada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão. Ela objetiva colocar em evidência na sociedade dois temas: a saúde mental e a saúde emocional, e combater o preconceito relacionado aos transtornos mentais democratizando a informação sobre a saúde mental. Faz alusão ao início do ano, considerando janeiro como uma "página em branco" para ser preenchida com novas metas, objetivando o bem-estar da saúde mental. Clique aqui e leia o release.   

Um dos materiais de divulgação da campanha

Então, se você quer ser sol ou continuar a brilhar, mas está cansado, triste, ansioso e/ou nervoso.., enfim, em sofrimento, que tal procurar por ajuda de um amigo ou de um profissional especializado? Desequilíbrio mental não é sinal de fraqueza e não é preciso ter vergonha. Diga não ao preconceito! Diga sim a você! Se ame e se cuide para ser sol, assim o seu jardim viverá com muito mais cores e luz. Vamos cuidar de nossa saúde mental! 

Outra imagem de divulgação da campanha



Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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