Documentário mostra preocupações de jovens da periferia de São Paulo, como a volta da fome, durante a pandemia de Covid-19

Produzido pela Oxfam Brasil e pelo coletivo TV Doc Capão, o documentário curta-metragem A Conta fica para a juventude foi lançado no aniversário de um ano da declaração oficial pela OMS da pandemia de Covid-19, ocorrido em 11 de março

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Divulgação da Oxfam Brasil
Este mês, mais precisamente em 11 de março, a pandemia de covid-19 completou oficialmente um ano, levando-se em conta a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS). De lá para cá, a transmissão, o grau letalidade e as fake news aumentaram. Especialistas estimam que o número de mortes pode chegar a 5 mil por dia no Brasil em entre abril e maio por conta da doença. Além do medo de se contrair o vírus, a juventude da periferia teme o desemprego, a fome e a falta de condições de estudo.

Essas preocupações e incertezas fazem parte dos depoimentos que estão no documentário curta-metragem "A conta fica para a juventude", que assisti esta semana. Ele foi feito pela Oxfam Brasil e pelo coletivo TV Doc Capão, produtora de vídeos do Capão Redondo (zona sul de São Paulo). Não é à toa que o filme foi lançado em 11 de março deste ano. Segundo a Oxfam Brasil, a ideia é destacar que os jovens brasileiros estão pagando um preço alto pelo descaso das autoridades.

Enquanto isso, a vacinação segue em passos lentos, os hospitais entraram em colapso muitas vezes e o mundo começa a registrar variantes do coronavírus, como a "duplamente mutante" na Índia e as mutações no Brasil. Junto com os cuidados e o medo de pegar a Covid-19, afetando a saúde mental de todos, a pandemia escancarou as desigualdades.

Por isso, já escrevi aqui sobre da campanha "Tem Gente Com Fome", feita Coalizão Negra por Direitos, em parceria com diversas organizações,  entre elas a Oxfam Brasil. O objetivo dela é ajudar mais de 200 mil famílias brasileiras. Mais de R$ 1 milhão já foi arrecadado em doações! Também falei do Campinas Mobiliza. Na ocasião, a Prefeitura de Campinas ainda não tinha lançado a sua campanha "Campinas sem fome". Moradores da cidade podem se preparar para fazer suas doações no estilo drive-thru no "Dia D" entre os dias 10 e 11 de abri, das 9h às 17h, no Paço Municipal.

O documentário 

 

Voltando ao documentário "A Conta fica para a juventude" (trailer acima), o filme reúne histórias de jovens de periferias de São Paulo e suas angústias em relação à pandemia. "Estamos vendo, de maneira dramática, uma geração inteira de jovens sofrendo com diferentes desigualdades, e essa situação foi ampliada pela pandemia. Os jovens estão impedidos de construírem planos de futuro e sonhar", afirma Tauá Pires, coordenadora da área de Juventudes, Raça e Gênero da Oxfam Brasil, por meio de assessoria de imprensa. 

"As periferias sofrem mais com a crise do coronavírus, isso é inegável. Os efeitos da crise estão sendo sentidos agora, e serão parte da realidade do Brasil por um longo período de tempo", afirma André Luiz, do coletivo TV Doc Capão, por meio de assessoria de imprensa. "O objetivo deste documentário é mostrar, a partir do olhar do jovem, as suas perspectivas sobre quais passos o Brasil precisa tomar para sair dessa crise. A conta está ficando com a juventude. E quem vai pagar essa fatura? O jovem rico ou pobre?"

De acordo com a Oxfam Brasil, o "documentário curta-metragem foi produzido ao longo de 2020 seguindo todos os protocolos de segurança e sanitários para evitar o contágio por covid-19. Não houve caso algum de contágio por covid-19, nem dos entrevistados, nem da produção, durante as gravações". Para assistir ao documentário, é preciso preencher um breve cadastro. Clique aqui ou assista abaixo caso você já tenha se inscrito e tenha recebido uma senha de acesso. 

  

Os participantes do documentário 

Amanda Monique tem 25 anos, é líder comunitária da região do Jabaquara, moradora da Favela da Coreia, na zona sul de São Paulo. Responsável pela campanha Covid Coreia, que propõe o direito à alimentação e assistência social na região. Foi orientadora socioeducativa nos equipamentos do SUAS. 

Bruna Carvalho (25 anos) e Felipe Datti (28 anos) fazem parte do Expinafru, empreendimento familiar que oferece alimentação à base de vegetais e educação por meio de consultoria e produção de conteúdo. 

Isaac de Souza, de 27 anos, foi um dos fundadores do coletivo Núcleo de Jovens Políticos da zona sul de São Paulo. Foi o conselheiro mais jovem e mais votado no distrito do Jardim Ângela. Em 2015, iniciou o projeto Clube de Leitura "Quilombo Mirim", em parceria com a editora Companhia das Letras e Gestão da Escola, ganhando o prêmio Nacional Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro. 

Mariana Resegue, jornalista e fotógrafa, consultora e facilitadora em projetos de organizações como Greenpeace e Instituto Ethos, secretária executiva do grupo Em Movimento. 

Matheus Cardoso tem 26 anos, é engenheiro e empresário, pós graduado e mestre em empreendedorismo social, doutor em inovação social. Empreendedor do @Moradigna. Sócio consultor e palestrante de inovação na @FábricadeCriatividade. Reconhecido pela @Forbes como um dos jovens mais influentes do Brasil #30under30. Pai da Isabela. 

Tamiris America tem 24 anos, é jornalista e co-autora do livro Vozes do Vagão Quem São os Vendedores Ambulantes do Metrô e CPTM de São Paulo. Apaixonada pela escrita e pelo jornalismo literário atualmente faz parte do time de marketing da FC Nuvem. 

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