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Brincadeiras nos incluem e nos tornam o que somos

Em tempo de pandemia, o lúdico é um bom remédio, especialmente para as crianças

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Dia 28 de maio é o Dia Mundial do Brincar Foto: Caique Silva Fotografo/Pixabay
O quintal de minha casa era o meu mundo mágico na infância. Sempre o achava gigante ao revisitá-lo nas minhas memórias. Até que, há alguns anos, ao pisar nele novamente, com os olhos de uma adulta, percebi que não era bem assim. Entretanto, suas dimensões físicas, naquele momento, não tiveram a menor importância. Ele sempre será "gigante" para a construção de minha história.

E hoje, 28 de maio, mais ainda por ser um dia consagrado à comemoração lúdica e à valorização do brincar em diferentes países do mundo, inclusive no Brasil. É o Dia Mundial do Brincar. Instituída pela UNESCO/ONU em 1999, durante a 8ª Conferência Internacional de Brinquedotecas (ITLA- International Toy Library Association), em Tóquio, a data é um convite para refletirmos sobre a importância das brincadeiras.

O brincar nos traz ensinamentos sobre inclusão e empatia, ainda mais diante do isolamento social por conta da Covid-19. Ele pode se transformar em um bom remédio, estimulando a criatividade e reforçando os laços em casa durante essa pandemia. Adolescentes e adultos podem brincar, por exemplo, com o "Leuco-ataque!", um jogo de tabuleiro que simula o funcionamento do sistema imunológico humano, já que estamos sob ameaça de um vírus.

Brincar nos faz enxergar o mundo

Foi com o "Leuco-ataque!" que a bióloga Ana Carolina de Carvalho, doutoranda em Imunologia e Virologia pela Unicamp e pela Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica), ganhou o prêmio de divulgação científica "Apaixonados por Imunologia", da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), no ano de 2019. O jogo custa pouco e precisa apenas da impressão de folhas de sulfite. Quer ter acesso a ele? Clique aqui.  

A bióloga Ana Carolina de Carvalho com o seu jogo de tabuleiro Leuco-Ataque!
 "Apaixonada por jogos desde que me lembro por gente, vejo hoje que brincar, jogar, foram peça fundamental na construção de quem sou até hoje basta citar que um jogo de videogame sobre vírus me apresentou, nos anos 2000, ao que viria ser minha profissão hoje: bióloga virologista", contou Ana Carolina. Para ela, a parte de imunologia nas escolas, especialmente nas públicas, acaba espremida entre tantos outros tópicos e disciplinas a abordar. 

"Não saímos da escola com um entendimento sólido sobre como nosso sistema imunológico funciona, como são formados e como atuam os anticorpos, o que é e como funciona uma vacina... E isso estamos vendo em tempo real gera grandes problemas que ameaçam nossa própria segurança, como o medo da população em relação a vacinas, por não compreenderem direito seu funcionamento", contextualiza Ana Carolina. "Diga-se de passagem: vacinas são boas e importantes. Vacine-se!", recomendou.

Segundo a bióloga, "brincar e jogar são peças fundamentais pra se enxergar o mundo, despertar paixões e aprender". Atualmente, ela concentra esforços num grupo de Divulgação Científica, o DLC Ciência, onde são ensinados conceitos básicos de Ciências através de Jogos. Clique aqui para conhecer o canal DLC Ciência no YouTube. Para ela, os jogos eletrônicos têm grande potencial de inclusão e de desenvolvimento de habilidades. Para ler o depoimento de Ana na íntegra, clique aqui

Não pode ser apenas virtual

Não há como negar que a tecnologia nos ajuda e muito, inclusive os jogos eletrônicos. O problema é o tempo que gastamos com ele. Para a pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo, doutoranda e mestre em Educação e Psicologia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é essencial impor limites quanto ao tempo de brincar virtualmente.

A pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo fala sobre a importância de estabelecer limite de uso para os jogos eletrônicos
 Em 2016, Ana Lúcia fez uma pesquisa com 21 crianças com idade entre oito e 12 anos que estudavam em uma escola particular da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e todas passavam de quatro a seis horas por dia na frente de um computador. A pedagoga lembrou que apenas uma das crianças entrevistadas, com 12 anos, tinha construído as noções lógicas elementares, que são às relacionadas à matemática e ao espaço.

Ana Lúcia fundamentou-se na teoria do epistemólogo Jean Piage (1896-1980), que enfatizava que todo desenvolvimento se constrói com a interação da criança com o objeto: o brincar e a relação interpessoal, para fazer a pesquisa. Esse estudo apontou que há um atraso no desenvolvimento dessas crianças por falta do brincar", explicou Ana Lúcia. Informações sobre a dissertação "O uso de aparelhos eletrônicos de tela e a construção das estruturas lógicas elementares e infralógicas de espaço" podem ser acessadas no Jornal da Unicamp. Clique aqui

Ela lembrou ainda que um estudo publicado na revista Pediatrics, em 2010, constatou que crianças que ficam por mais de duas horas diárias expostas à televisão e aos games aumentam em 67% suas chances de apresentarem problemas de atenção. "É importantíssimo proporcionar brincadeiras que a criança possa inventar, criar, pois é através do jogo simbólico, em que situações conflitos sociais são resolvidos e interiorizados", escreveu no artigo "O brincar virtual e a neurociências". Leia-o aqui na íntegra.  

Capa do livro, lançado em janeiro deste ano, por Ana Lúcia de Camargo. Foto de Divulgação

Ana Lúcia também é autora do livro "O menino Rafael: há tempo para tudo", da editora Adonis, lançado este ano. A publicação conta a história de Rafael, um menino que ainda não construiu as estruturas de inteligência para planejar a sua rotina. "Além da história para crianças, o livro traz um QR Code para professores e pais poderem dar suporte, e tem atividades de intervenção", explicou. Agora, a pedagoga está dando curso para educadores para algumas prefeituras, que transformaram o livro em projeto pedagógico. Assista aqui ao lançamento da publicação. 

Brincar na pandemia e do adulto

A psicóloga hospitalar Alessandra Lima, do Hospital da PUC-Campinas, explicou que "as brincadeiras alicerçam as aprendizagens dos elementos mais complexos de nossa psique e podem contribuir de forma inequívoca e inigualável para o desenvolvimento infantil". Segundo ela, "o brincar pode, então, ser considerado como uma fonte de energia que impulsa a criança na direção do seu desenvolvimento psicológico e cognitivo."  

"Brincar é a coisa mais séria para uma criança", afirma a psicóloga hospitalar Alessandra Lima, do Hospital da PUC-Campinas. Foto de divulgação

Alessandra afirmou que o brincar para a criança é a coisa mais séria do mundo. "Conclui-se que a criança torna-se menos dependente da sua percepção e da situação que a afeta de imediato, passando a dirigir seu comportamento também por meio do significado em seu desenvolvimento. Uma criança que brinca na sua infância tem a possibilidade de ser um ser humano melhor para a sociedade." Leia o depoimento completo da psicóloga, clicando aqui.  

A psicóloga Tatiana Slonczewski, doutora em Psicologia e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas desde 2008, fala no vídeo também sobre o brincar do adulto. Foto de divulgação.

A psicóloga Tatiana Slonczewski, doutora em Psicologia e professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas desde 2008, afirmou que hoje é um desafio brincar, mas que é preciso fazer isso. "É hora de brincarmos enquanto enfrentamos a pandemia". Docente em carreira de Extensão, responsável pelo Projeto Girassóis, de conscientização de comunidades sobre a importância da saúde mental e da prevenção do comportamento suicida e das violências, Tatiana enviou um vídeo falando inclusive da importância do brincar na fase adulta. Ela atua nas áreas de psicologia clínica, hospitalar e da saúde, supervisionando estágios de formação de psicólogos. Assista abaixo o seu depoimento.   


Atividades da Semana do Brincar

Em Campinas, a Semana Municipal do Brincar de 2021 terá, no dia 29 de maio, sábado, um "drive tour" com a "Turminha Inclusão na Diversão" nas dependências externas do Museu da Água, na rua Visconde de Congonhas do Campo, 567, no Parque São Martinho, ao lado do Parque das Águas. As atividades foram restritas a um dia em função da pandemia. O passeio será um circuito de atrações a ser realizado de carro. As informações são da Prefeitura de Campinas. 

Imagem áerea do Parque das Águas. Foto de divulgação
A Secretaria de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos de Campinas informou que a Turminha Inclusão na Diversão é composta pela personagem Sofia, que é uma criança cega; o Enzo, que é autista; o João Victor, que tem paralisia cerebral; a Isabella, criança surda; e a Jade, uma criança sem deficiência e que representa o elo da inclusão.

O Sesc Campinas também realizou atividades da Semana Mundial do Brincar. Este ano, a Semana Mundial do Brincar traz a temática "Casinhas das Infâncias". É uma campanha realizada pela Aliança pela Infância, com participação do Sesc São Paulo. "É importante, pois valoriza o brincar de diversas formas, como fundamento e expressão genuína dos bebês e crianças. Além disso, traz a reflexão do quão essencial é o brincar para a vida humana", disse Carol Reis, técnica de programação do Sesc Campinas , por meio da assessoria de imprensa.

Mais informações sobre brincadeiras e eventos e as atividades que aconteceram na Semana do Brincar podem ser acessadas pelo Youtube e nos espaços virtuais Curumim CampinasEspaço de Brincar Campinas. A educadora Sandra Siqueira enviou um vídeo onde contou um pouquinho sobre como foi essa semana no Sesc Campinas. Assista abaixo e depois aproveite para brincar e relaxar um pouco! 







Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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