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LEIA PARA AS CRIANÇAS, projeto do LEIA/UFRN, trata sobre o hábito da leitura

Por meio de lives, laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte busca ouvir as crianças sobre suas dicas, facilidades e dificuldades para aprender

| ACidade ON - Circuito das Águas -

No centro, os mascotes Léo, Teo, Nina e Charles que representam crianças de realidades distintas e com necessidades específicas em seus processos de aprendizagem. Em breve, mais detalhes serão divulgados nas mídias sociais do LEIA/UFRN | Montagem/Divulgação
Muito além das questões da aprendizagem, que passam desde a ativação do cérebro, estimulando a memória, a atenção e as funções linguísticas, principalmente a ampliação do vocabulário, até a geração de uma "poupança de neurônios" na velhice, o hábito de leitura é um exercício ativo de cidadania, de conhecimento... um direito. É de fundamental importância na infância.

Por isso, fiquei encantada ao assistir a primeira live do projeto "Leia para Crianças", do Laboratório de Linguagem Escrita, Interdisciplinaridade e Aprendizagem (LEIA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O convite me foi feito pela fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni, que coordena o LEIA/UFRN.  

Coordenadora do LEIA/UFRN, a fonoaudióloga Cíntia Alves Salgado Azoni | Foto: Divulgação
Cíntia é ainda professora do curso de Fonoaudiologia da UFRN e dos programas de pós-graduação em Fonoaudiologia UFPB/UFRN/UNCISAL e Psicologia UFR, coordenadora do Departamento de Linguagem da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), membro da diretoria da Psiquiatria Infantil e presidente do Capítulo Rio Grande do Norte da Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Infantil (Abenepi). "Este ano, veio a ideia de conversarmos diretamente com as crianças e ouvir delas as demandas durante este período de pandemia", explicou.

Assim, nasceu o projeto "Leia para as crianças", que consiste em uma série de cinco lives quinzenais com crianças que abordarão diferentes temáticas dentro da leitura. A primeira delas, realizada no último dia 7, foi com a cearense Taís Santana de Assis, de 10 anos, que criou um perfil literário em seu Instagram, o @passaporte.magico, e é autora de seu primeiro livro "A astronauta Mila", que ganhou o IG (nome do perfil) @aastronautamila.  

A live com Taís está disponível no perfil do Instagram do LEIA. Clique aqui para ser direcionado e poder assistir o bate-papo. O tema foi a "A leitura e a imaginação". E pensar que o perfil de Taís foi criado em maio de 2020, depois de ter frustrada sua viagem dos sonhos com os pais para conhecer a França, Bélgica e Holanda por conta do isolamento social devido à pandemia, e tem hoje mais de 5 mil seguidores.  

Dona de perfil literário na web e autora de livro infantil, a cearense Taís Assis, de 10 anos, foi a primeira a participar da live do LEIA/UFRN | Foto: Reprodução
Live de Taís do IG @passaporte.magico

Peço desculpas a Cintia porque darei alguns spoilers da live para mostrar que vale a pena assisti-la, antes de falar das próximas e do trabalho do LEIA/UFRN. Com a curadoria da mãe, a advogada Larisse Assis, Taís contou que escolhe os livros para as contações de histórias. Durante a live, revelou ainda que o livro que mais gosta é "O estranho caso do sono perdido", da jornalista Mirian Leitão.  

Isso porque, segundo ela, "é um livro muito engraçado" e nela é a neta quem vai contar uma história para a avó, uma mulher moderna, com uma agenda lotada de reuniões e viagens, e que esqueceu seu remédio para dormir. "Ô livro maravilhoso esse!"

Outra dica de Taís é "A pior princesa do mundo", da autora Anna Kemp. Que conta a história de uma princesa bem diferente das dos contos de fadas. Uma dica que ela deu é o clube de assinaturas de livros infantis com protagonistas femininas, chamado Minha pequena feminista. Esse clube é indicado para crianças até 13 anos. Um dos livros que ela recebeu do clubinho foi "Sulwe", da autora Lupita Nyongo.  

Agora, aproveitando a dica de Sulwe, darei uma sugestão de clube de assinatura para quem busca por um que ofereça conteúdo educativo e de cultura antirracista para crianças: o Clubinho preto. Um dos livros do "cardápio" dele é "Meu pai vai me buscar na escola", do meu amigo Antonio Junior, o Junião. Ele escreveu e é o autor das ilustrações. A publicação tem a Cátedra Unesco de Leitura, selo Qualidade em Leitura Infantil e Juvenil. 

O estudante Guilherme Salgado Ferreira, de 8 anos, morador em Campinas, é o próximo entrevistado do LEIA/UFRN | Foto: Divulgação
Próximas lives

A próxima live do LEIA/UFRN acontece em 21 de agosto próximo e vai ajudar e muito quem está aprendendo a ler e a escrever. Isso porque o tema é "Como me alfabetizei durante a pandemia?". O entrevistado é Guilherme Salgado Ferreira, de 8 anos, sobrinho de Cíntia que mora em Campinas. "Ele foi alfabetizado em 2020 de forma remota e a gente vai discutir as dificuldades e desafios", explicou a fonoaudióloga.

Ainda não está fechada a live para o dia 4 de setembro por questões de agenda. Mas, o Instagram do LEIA/UFRN estará dando publicidade futuramente. No dia 18 de setembro, o tema será "Música, poesia e leitura", com Clara Delgado, de 10 anos, da Paraíba. Ela é filha de dois fonoaudiólogos e gosta de tocar violão e ler livros.

"Dislexia e TDAH: como eu aprendo!" é o tema da última live, com Sara Diniz, de 8 anos e que mora no interior de São Paulo. Ela tem quadro de TDAH diagnosticado e está em investigação sobre a dislexia. "Além das lives, pretendemos divulgar dicas de leitura para as crianças e falar sobre temáticas que os interesse ao longo das postagens", explicou Cíntia. 

"A leitura é essencial no desenvolvimento social e econômico do indivíduo, consequentemente do país. É a base da educação, que transforma vidas", afirma o fonoaudiólogo Alexandre Lucas de Araújo Barbosa | Divulgação
A importância da leitura

O fonoaudiólogo Alexandre Lucas de Araújo Barbosa, pesquisador voluntário do LEIA desde 2016 e atualmente cursando doutorado em Psicologia, explica que existem várias formas de ajudar a desenvolver a leitura. "Em primeiro lugar, é preciso adquirir o hábito e o gosto pela leitura. Para isso, a criança precisa estar envolvida em atividades que envolvam o conhecimento das letras e palavras, além de ter acesso a livros de seu interesse, aplicativos e brinquedos que estimulem a leitura."

Outra forma de estimular um leitor, em especial aquele em processo de aprendizagem, segundo o fonoaudiólogo, "é a estimulação das habilidades de consciência fonológica, que envolvam os sons da língua nativa, como a rima e a aliteração". "Brincar de rimar é extremamente benéfico para crianças! Por fim, outro fator importante seria o estímulo da aprendizagem baseado na fonologia, isto é, aprender o som específico de cada letra, ao invés de aprender o bê-á-bá." 

Barbosa frisou ainda o impacto da pandemia de Covid-19 na educação, que afeta principalmente os mais vulneráveis. "Por conta disso, se faz muito mais essencial a participação dos pais no processo de estimulação da leitura no ambiente familiar. Estamos pesquisando sobre esse assunto e observamos que houve uma redução nessa estimulação em casa, o que é o contrário do ideal. Precisamos agora de políticas públicas para subsidiar e facilitar este processo." Leia aqui o depoimento de Barbosa na íntegra. 

Logo do LEIA/UFRN | Foto: Divulgação
O LEIA

O LEIA existe desde 2015 e é um laboratório de pesquisa e extensão que atende crianças e adolescentes com queixas de dificuldades de aprendizagem escolar entre 6 e 14 anos de idade, com proposta de avaliação e intervenção fonoaudiológica e avaliação neuropsicológica, segundo Cíntia. Ela explicou ainda que atualmente há cinco grupos de trabalho (GT):
 

 GT Bilinguismo: atende crianças de escolas bilíngues para compreender as demandas do desenvolvimento e suas alterações nas diferentes línguas; 

GT Vulnerabilidade: tem como foco as crianças em situação de pobreza, especialmente as de escolas públicas com baixo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica); 

 GT TEA: tem como proposta realizar estimulação de habilidades de leitura e escrita em crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo; 

 GT Desenvolvimento e Transtornos de Aprendizagem: atende principalmente crianças com sinais de dislexia, mas também atua na perspectiva de estimular o desenvolvimento a partir de práticas, como a literacia familiar; 

 GT Telessaúde: iniciou suas atividades em 2021 em função da pandemia, no qual é feito atendimento de orientação aos pais das crianças com problemas de aprendizagem por teleconsulta em fonoaudiologia e psicologia. 

Capa do e-book do LEIA/UFRN
E-book gratuito

"Dentro deste grande grupo, surgiram ideias sobre como podemos auxiliar nossas crianças durante a pandemia", disse Cintia. "Então, em 2020, elaboramos um e-book para famílias, chamado Léo no Planeta Leitura: consciência fonológica para família com atividades e brincadeiras para os pais fazerem com seus filhos e estimularem as habilidades de linguagem, importante para o aprendizado da leitura", contou.

Para ter acesso ao e-book, basta clicar aqui. A ideia do material ocorreu em virtude de uma pesquisa realizada em escolas públicas municipais de Natal (RN), com crianças em período de alfabetização, provenientes de famílias de baixa renda. Este projeto, financiado pela Lemann Brazil Research Fund e Harvard Graduate School of Education, acompanhou durante aproximadamente quatro anos estes escolares em uma pesquisa direcionada para a estimulação de preditores de leitura, dentre eles, a consciência fonológica. Com a pandemia, as aulas ficaram prejudicadas e aí a ideia do e-book.

"Embora as atividades tenham como foco as crianças em vulnerabilidade social, famílias com crianças em alfabetização, crianças com dislexia ou qualquer outra necessidade educacional podem também desfrutar deste momento." Esse é um trecho do texto de apresentação do e-book.

Então, convido todos a viajar pelo mundo da leitura, em especial os pais de crianças. Vamos nos transportar para outras histórias e culturas e nos abrir para um mundo de conhecimentos e mais ensinamentos, sem preconceitos e com promoção da cidadania. Viva a leitura e toda Alma Inclusiva dos livros que nos abraça com novos repertórios culturais e intelectuais para o respeito e a troca de informações com quem convivemos!







Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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