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Índice irá apontar cidades inclusivas para pessoas com deficiência

Esse sistema em desenvolvimento irá identificar o grau de inclusão social de PCDs no país e ajudar na criação de políticas públicas

| ACidade ON - Circuito das Águas -

A pesquisa irá colher as demandas das PCDs para buscar a criação de políticas públicas de inclusão. Foto: Reprodução
Com o objetivo de medir o quanto as cidades brasileiras são inclusivas e o quanto elas permitem que as pessoas com deficiência (PCDs) desenvolvam suas aptidões e exerçam sua cidadania, o Instituto Olga Kos (IOK) iniciou, em 2019, a formulação de um instrumento capaz de fazer essa medição, com a metodologia de desenvolvimento. Este protótipo recebeu a chancela da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Agora, o próximo passo é fazer a pesquisa em campo, prevista para iniciar ainda este ano.

O Índice Nacional de Inclusão Olga Kos da Pessoa com Deficiência (Iniok) deve ser concluído em março de 2023, podendo preencher essa grande lacuna nacional de informações atualizadas sobre a deficiência no Brasil, já que se passaram 11 anos da realização do último censo nacional. "A ideia de realizá-lo se deve pela dificuldade de encontrar métricas no campo da inclusão, não só no Brasil como no mundo", explicou Natália Monaco, coordenadora do Departamento de Pesquisas do IOK.

"O objetivo do Iniok é analisar a condição de inclusão de pessoas com deficiência no Brasil e, com os resultados, fundamentar a formulação de políticas públicas", afirmou Natália. "O Iniok é um instrumento de âmbito nacional capaz de identificar o perfil e o grau de inclusão das pessoas com deficiências, a partir de dados primários e secundários e, de modo complementar, por pesquisas de campo e a escuta das pessoas com deficiência, de forma a caracterizar as principais barreiras à participação social."

É que, segundo Natália, "a pesquisa prevê uma metodologia qualitativa e quantitativa com a contribuição de pessoas com deficiência na validação dos indicadores que serão utilizados na versão final do instrumento". Ela explicou que, inicialmente, foram colhidos os dados secundários, a partir da síntese das três grandes fontes oficiais de dados no país: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

"Por meio de técnicas qualitativas, como grupo operativo focal, serão definidos, em colaboração com a população com deficiência, os indicadores que vão compor a versão final do instrumento. A pesquisa se dará nos próximos 18 meses, sendo que a fase de elaboração e seleção da amostra já foi iniciada", contou Natália. Acrescentou que a determinação das cidades não foi finalizada.

Durante a pesquisa de campo, equipes de entrevistadores aplicarão questionários e acompanharão o dia a dia de pessoas com deficiência, realizando o shadowing, que em português significa "sombreamento", um método de pesquisa qualitativo onde o pesquisador acompanha o usuário enquanto ele resolve um problema a ser explorado ou enquanto ele utiliza um produto ou serviço, em vários municípios brasileiros.

As temáticas a serem abordadas serão escolaridade, trabalho, saúde, reabilitação, renda, limitação das atividades, tecnologia assistiva e participação social, visando mensurar o grau de inclusão para propor a criação de políticas públicas. Veja abaixo mapa do Brasil sob a ótica da inclusão de pessoas com deficiência, apresentado por Natália durante audiência pública realizada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em 21 de setembro, sobre o tema "Índice Nacional de Inclusão". Quanto mais escuro o azul, maior a inclusão.   

Quanto mais escura a tonalidade do azul, mais inclusivo é o estado. Foto: Reprodução
"O objetivo do Iniok é analisar a condição de inclusão de pessoas com deficiência no Brasil e, com os resultados, fundamentar a formulação de políticas públicas", afirmou Natália Monaco, do IOK. Foto: Divulgação
"O Instituto Olga Kos, como uma organização do terceiro setor, incentiva e apoia a realização e desenvolvimento de pesquisa para apoiar a Política Pública efetiva que reflita em benefícios para a qualidade de vida da população. A nossa forma de reforçar este compromisso é pelo Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento do Instituto Olga Kos, que é responsável pela elaboração de instrumentos que objetivam mensurar a inclusão social. A aplicação destes instrumentos é feita em oficinas realizadas internamente, sendo continuamente aperfeiçoada e ampliada, a fim de contemplar contextos governamentais e corporativos. A partir da identificação de demandas socioculturais, propor soluções que subsidiem o progresso institucional e de desenvolvimento humano, por intermédio de evidências científicas e metodologias inovadoras, a fim de fundamentar a tomada de decisão pública no que diz respeito à promoção da equidade e da qualidade de vida."  

- Natália Monaco, coordenadora do Departamento de Pesquisas do IOK

Assista a audiência que tratou do Iniok. Para a realização do Índice, o Instituto Kos firmou parceria com o programa Pátria Voluntária do governo federal e a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup). O debate atendeu a requerimento do deputado Alexandre Padilha (PT-SP). Além de Padilha e de Natália, participaram: a secretária nacional da Família do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Ângela Vidal Gandra da Silva Martins; a presidente do Conselho Federal de Serviço Social, Elizabeth Borges; a secretária nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social (Snelis) da Secretaria Especial do Esporte, do Ministério da Cidadania, Fabíola Molina; e o presidente do Instituto Olga Kos, Wolf Kos. 



Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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