Pode Falar, canal de ajuda virtual em saúde mental atende jovens de 13 a 24 anos

Lançado em fevereiro deste ano pelo Unicef, a ferramenta oferece, além das conversas, materiais sobre saúde mental e até um quiz para medir o nível de ansiedade

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Reprodução do site "Pode Falar"
 "Em janeiro de 2021, eu perdi meu pai. Ele era minha base e meu mundo, eu sei que no começo a dor é enorme, mas a ajuda da família e dos amigos é bem importante para superar isto. Eu pensei por vários momentos em desistir, mas não iria valer a pena, o importante é você pensar nos momentos bons e olhar pra frente, tentar viver uma vida feliz, sair com os amigos ou procurar fazer novos, fazer atividades ou até mesmo algum hobby que você goste. A vida é linda demais pra você desistir, se alguém de importante foi embora, lembre-se que essa pessoa iria querer você bem."  

O depoimento é de um ou de uma adolescente de 15 anos confidenciado ao "Pode Falar", um canal de diálogo via internet, e que funciona de forma anônima e gratuita. Essa ajuda virtual em saúde mental tem como público alvo os jovens de 13 a 24 anos.

Se você está nesta faixa etária e se sente só no meio dessa pandemia de covid-19, busque ajuda e uma delas pode ser o "Pode Falar". Para isso, basta acessar pela internet o endereço www.podefalar.org.br e clicar em "Começar a falar" para iniciar a conversa por meio de um chatbot ou ainda pelo número de WhatsApp (61) 9660-8843.

Ninguém precisa se sentir só. Se você chegou até aqui lendo este post - é porque venceu muitas batalhas. Se está cansado (a) ou triste, é hora de recarregar as forças, com ajuda, apoio e acolhimento de pessoas especializadas. O legal é que o serviço é anônimo, assim você pode falar tudo que está sentindo sem medo.   

Apesar de ter sido lançado em 9 de fevereiro deste ano, no Dia da Internet Segura, o "Pode Falar" era desconhecido de muitos jovens que tenho contato. O canal foi idealizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e conta com parcerias de várias entidades, como o Centro de Valorização da Vida (CVV). Pedi informações à assessoria de imprensa da Unicef para saber quantos jovens foram atendidos até o momento, mas o dado não foi informado.

Cenários enfrentados pelos jovens

Desigualdade social e tecnológica, redução de renda, maior dificuldade de entrar no mercado de trabalho e/ou desemprego, violência doméstica e policial e exclusão educacional. Esses são os cenários de muitos jovens brasileiros e esses impactos foram ainda mais agravados com a pandemia de covid-19, especialmente nas populações mais vulneráveis.

Como lidar com a morte de um ente querido nessa pandemia? Como agir diante da descoberta de sua identidade sexual, que pode não ser aceita por familiares? E tudo isso em plena pandemia, onde somos forçados ainda ao isolamento social e, por isso, alguns foram privados de se despedir de pessoas importantes em suas vidas. Nessas condições, é importante buscar ajuda!

Em setembro do ano passado, o Unicef realizou uma enquete no Brasil com adolescentes, principalmente entre 15 e 19 anos. O resultado foi que 72% dos participantes sentiram necessidade de pedir ajuda em relação ao bem-estar físico e mental durante a quarentena. Entretanto, 41% não recorreram a ninguém.

Além disso, 46% disseram que estavam mais pessimistas do que antes da pandemia, e 80% falaram que tiveram sentimentos negativos nos últimos dias, como depressão, ansiedade e preocupação. Embora o impacto na vida deles seja incalculável, uma nova análise da London School of Economics, incluída no relatório do Unicef, estima que transtornos mentais que levam jovens à incapacidade ou à morte acarretam uma redução de contribuições para as economias de quase US$ 390 bilhões por ano. 
 
Além de poder conversar, o canal "Pode Falar" oferece aos jovens acesso a materiais sobre saúde mental, a um quis para medir o seu nível de ansiedade (clique aqui para fazê-lo) e a histórias inspiradoras e dicas de ajuda de outros jovens que passaram por dificuldades, como o depoimento do início do texto.

Quem está por trás do "Pode Falar" 

O Pode falar foi idealizado pelo Unicef e implementado em parceria com Associação pela Saúde Emocional das Crianças (Asec), Instituto Vita Alere, Instituto Syntese, Núcleo do Cuidado Humano da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Centro de Valorização da Vida (CVV), Programa Vidas Preservadas, Ministério Público do Estado do Ceará, Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Estado do Ceará (APDMCE), além de contar com o apoio do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e da SaferNet. O sistema foi desenvolvido pela Ilhasoft e a identidade visual é da Agência Nativa.