Publicidade

Blogs e colunas   -   alma inclusiva

25,7 milhões de brasileiras já sofreram ameaça de morte por algum parceiro, segundo pesquisa

Projeção é do levantamento Percepções da população brasileira sobre feminicídio, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio do Fundo Canadá, divulgada esta semana

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Cartaz da campanha  nacional
Cartaz da campanha nacional "Violência contra a mulher: sua evolução leva ao feminicídio. Observe os sinais. Denuncie", produzido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH)
É como se toda a população da Austrália fosse ameaçada de morte. A comparação quantitativa se refere às 25,7 milhões de brasileiras que já sofreram ameaça de morte por ao menos um parceiro ou ex-parceiro. Elas representam 30% dessa população ou 3 em cada 10 mulheres adultas no Brasil. A projeção é da pesquisa "Percepções da população brasileira sobre feminicídio", realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio do Fundo Canadá, divulgada este mês.

Já 16%, ou 13,7 milhões das mulheres brasileiras, mais que toda a população da Bolívia - declararam já ter sofrido tentativa de assassinato por ao menos um parceiro; entre as mulheres negras são 18%. Chama a atenção que, entre as mulheres que já sofreram ameaça de morte pelo atual ou ex-parceiro, mais da metade (53%) disseram também terem sido vítimas de tentativa de feminicídio. O dado serve de alerta para os riscos do feminicídio.

A pesquisa foi feita de forma virtual e contou com a participação de 1.503 pessoas (1.001 mulheres e 502 homens), com 18 anos de idade ou mais, entre 22 de setembro e 6 de outubro de 2021. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. Segundo o Código Penal brasileiro, o feminicídio consiste no assassinato cometido em razão do sexo feminino.

"A pesquisa mostra que a violência doméstica e o risco de feminicídio assombram o cotidiano das brasileiras", disse Jacira Melo, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, por meio de assessoria de imprensa. "Das mulheres que foram ameaçadas, 53% disseram também ter sido vítimas de tentativa de feminicídio, o que reforça a importância de que as ameaças sejam levadas a sério, tanto pela mulher como pelas autoridades quando ela faz uma denúncia."

O estudo traz muitos dados interessantes, como o de que 1 em cada 3 atribui alguma culpabilização à vítima de feminicídio (para 30% a culpa costuma ser do casal e para 3%, da mulher). Ainda assim, para 92% o homem que comete feminicídio sempre é responsável e deve ser punido, pois a culpa nunca é da vítima. Leia a pesquisa completa clicando aqui

Os resultados da pesquisa apontam ainda para a importância da promoção de campanhas para sensibilizar a população sobre essas questões e estimular a denúncia. O estudo revelou ainda que a maioria dos entrevistados apoia a capacitação dos profissionais dos serviços de assistência para avaliarem o risco para as mulheres, até porque, para 93% da população, mais importante do que punir o assassino é evitar o assassinato da mulher .Isso porque, para 9 em cada 10, o local de maior risco de assassinato de mulheres é dentro de casa, por um parceiro ou ex.

"Violência contra a mulher: sua evolução leva ao feminicídio. Observe os sinais. Denuncie"

Nesta quinta-feira, dia 25 de novembro, foi o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a campanha global "Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres". No Brasil, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou, no último sábado, a campanha nacional "Violência contra a mulher: sua evolução leva ao feminicídio. Observe os sinais. Denuncie".

A iniciativa integra as ações dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres e conta com a parceria do Ministério da Cidadania (MC) e da organização Virada Feminina. O objetivo é alertar toda a sociedade para os riscos do feminicídio.

A campanha nacional, com peças de cunho publicitário para dar visibilidade ao tema, tem a proposta de estimular a cultura da denúncia, segundo o MMFDH. Por isso, os holofotes foram dados às principais ferramentas para iniciar o acionamento de toda a rede de proteção às pessoas em situação de violência, que são o Disque 190 (Polícia Militar) e o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Confira aqui o cartaz da campanha. 

"A violência contra a mulher é um problema social grave, que por muitos anos foi naturalizado. O Brasil, infelizmente, figura na lista dos países que mais mata mulher no mundo, é o quinto no ranking mundial", enfatizou a ministra Damares Alves, por meio de assessoria de imprensa. "Para evitar essas tragédias, a sociedade precisa denunciar e, desta forma, acionar a rede de atendimento. Das vítimas de feminicídio, 70% nunca haviam denunciado."

De acordo com o portal do MMFDH, o Ligue 180 registrou mais de 97,4 mil denúncias de violência doméstica e familiar contra a mulher de julho do ano passado a novembro deste ano. Outras violações somaram mais de 24,5 mil casos no período.

"Lembro a todos que o feminicídio é o final do chamado ciclo da violência. Até chegar nessa situação, geralmente começa com algo considerado por muitos como simples, seja um empurrão ou agressão verbal, por exemplo", alertou a titular da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres (SNPM/MMFDH), Cristiane Britto, por meio de assessoria de imprensa. "Nós mulheres precisamos estar atentas aos sinais que envolvem violência física, psicológica, moral, sexual, patrimonial e as situações de risco."

21 dias de ativismo no Brasil

Os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é um movimento proposto pela ONU. A ação ocorre todos os anos, em mais de 150 países, com atividades de conscientização e mobilização. No Brasil, os eventos são promovidos durante 21 dias. A programação começa em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, considerando a dupla vulnerabilidade da mulher negra, e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Ela passa pelo 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, e pelo dia 6 de dezembro, Dia Nacional dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Várias instituições e entidades participam dessa luta, como a Promotoras Legais Populares Cida da Terra, de Campinas e Região.

Cartaz de divulgação das Promotoras Legais Populares Cida da Terra
Edição 2021 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública

Em 2020, o país teve 3.913 homicídios de mulheres, dos quais 1.350 foram registrados como feminicídios, média de 34,5% do total de assassinatos. A taxa de homicídios de mulheres caiu 2,1%, passando de 3,7 mulheres mortas por grupo de 100 mil mulheres em 2019 para 3,6 mortes por 100 mil em 2020. Os feminicídios, por sua vez, apresentaram variação de 0,7% na taxa, que se manteve estável em 1,2 mortes por grupo de 100 mil pessoas. Confira o Anuário clicando aqui.  

Edição 2021 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública



Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


Publicações


Facebook


Publicidade

Publicidade