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Natal e respeito: quando uma praça transcende a sua própria função

Ato de vandalismo destrói decoração natalina do Espaço Renascer Thaís Vive", em Campinas, mas comunidade avisa que tornará a decorar a praça no ano que vem

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Presépio feito pelos moradores da comunidade do São Marcos, em Campinas. Foto: Antônio Rodrigues Alves
Natal resiste na praça

Primeiro, roubaram-nos as luzes do Natal
A praça "Renascer Thaís Vive" escureceu, como nossos corações
Dias depois, destruíram a árvore natalina e seus enfeites.

Não satisfeitos, derrubaram a cerca da manjedoura
As imagens do Menino Jesus e de seus pais permaneceram intactas
Assim, como a nossa fé e a nossa resiliência.  

Afinal, o Natal nos ensina a amar a todos, vivenciando-o na prática
Por isso, continuará a ser celebrado diariamente nesta praça
Porque as luzes também brotam de dentro da gente.

Suas flores são símbolo de amor, desabrochando a cada renascer
E se forem arrancadas, nos darão força para combater a violência
Como diz a comunidade do São Marcos, nesta praça sempre é Natal!

 
Resistir, lutar e esperançar foram os verbos mais exigidos este ano em nossas vidas diante dos efeitos sociais e econômicos causados pela pandemia de covid-19, na minha avaliação. Exemplifico isso com um fato específico: o furto e a destruição da decoração natalina do canteiro central da Avenida Comendador Aladino Selmi, em Campinas, feita de forma voluntária por moradores, que refizeram tudo e prometem decorar de novo a praça no próximo ano.

Essa área pública é chamada pelos moradores da comunidade do São Marcos de "Espaço Renascer Thaís Vive", em homenagem à jovem Thaís Fernanda Ribeiro, assassinada em maio de 2019 pelo ex-namorado. O acusado foi condenado pelo júri, em novembro, a 18 anos de prisão.  
 
A inauguração da iluminação do "Natal na Praça" aconteceu em 18 dezembro deste ano. No dia seguinte, parte da fiação e das lâmpadas foram furtadas. Chateados, os moradores voltaram a arrumar a praça, que foi depredada novamente no dia 26. Os vândalos destruíram a árvore natalina e vários outros enfeites, derrubando, inclusive, a cerca da manjedoura e furtando plantas. Pela segunda vez, os voluntários voltaram à praça e fizeram os consertos.

"Estou muito triste por conta do vandalismo", disse Marli Rodrigues Alves, professora de Educação Física. "Foram muitos dias se dedicando para decorar a praça e deixá-la linda para todos; trabalhei cansada várias vezes, saía direto do meu trabalho para a praça, sendo que algumas vezes saí de lá quase às 22h. Tudo para deixá-la muito linda! Trabalhei com muito amor..."

E acrescentou: "Quando vi o vídeo que o Delfino compartilhou, fiquei emocionada em ver o nosso trabalho destruído. Mas isso, não me desanimou. Muito pelo contrário, estou mais forte e animada para deixar a praça o ano que vem melhor do que este."

Delfino, citado por Marli, é o microempresário Delfino José Ribeiro, pai de Thaís Fernanda e uma liderança na iniciativa de cuidar da praça e decorá-la. É a segunda vez que a praça é ornamentada para o Natal.

Para Delfino, o espaço público transcende a sua função, pois é o seu "consultório a céu aberto" e está ligado à sua história e a da sua filha, que adorava montar a árvore de Natal. Isso deixa o canteiro, transformado em praça, ainda mais importante, e parte da formação e edificação de Delfino, e de muitas outras pessoas da comunidade.  
 
Confira abaixo o depoimento feito por Delfino. 

 
O padre Antônio Rodrigues Alves, da Paróquia São Marcos o Evangelista, um dos idealizadores do projeto, contou que a iniciativa mobilizou diretamente 25 pessoas, e contou com doações anônimas e também do Sindicato Profissional dos Servidores da Justiça do Trabalho da 15ª Região (Sindiquinze) e do Grupo Primavera.

Ele lembra que a praça pertence a todos e que o objetivo de decorá-la é, além de embelezar o espaço público, também aquecer o coração dos moradores e das pessoas que passam pelo local. Confira abaixo o vídeo do padre Antônio. 
  

 A história dessa praça é micro dentro do cenário nacional. Mas, é macro dentro do universo das pessoas envolvidas. Uma praça pode deixar de ser um mero espaço territorial, de convívio social e de passagem para ser um caminho de paz, consciência e transcendência, como significa para Delfino. Por isso, respeitar qualquer espaço é fundamental para a inclusão e a empatia.  
 
Que mais "Delfinos", "Marlis" e "Antônios" nos mostrem o exercício de cidadania e as atitudes de solidariedade, resistência, resiliência, luta e esperança. E que tenhamos sensibilidade e força para perceber e absorver esses ensinamentos. Que tenhamos consciência de que respeito, educação e amor ao próximo são a base da civilidade e da inclusão. Feliz 2022! 
 
Em tempo: Caso ainda possa e queira ajudar moradores de cidades afetadas pelas chuvas na Bahia, além das campanhas das prefeituras, há ainda outras divulgadas pelas mídias sociais. Irei dar dois exemplos aqui: 
 
Ação da Cidadania: Doação para as cidades da Bahia. 
Doe o quanto puder em natalsemfome.org.br ou pelo PIX | CNPJ: 00346076000173 

Banco do Brasil
Ag 1211-4
CC 500.537-x 

Itaú
Ag 0417
CC 65638-6 
 
Coalizão Negra por Direitos: Doação para comunidades quilombolas
Ajude a @conaquilombos a auxiliar a esses quilombos:
Faça sua doação pelo PIX:
CNPJ: 27 101 102 0001 50 

Caixa econômica federal
Ag 0002
Op 003
Cc 5085-2
Associação Nacional de Quilombos para Cooperação - Negra Anastácia



Sobre o Blogueiro

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Nice Bulhões é jornalista, disléxica e mãe azul. Pantaneira, nasceu em Corumbá (MS) e mora em Campinas (SP) há mais de 20 anos. Passou por redações de jornais impressos nos dois estados e atualmente faz assessoria de imprensa. No blog, trata de assuntos referentes a todas as formas de inclusão.


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