Apesar de 75 anos, "A felicidade não se compra" é um filme atual

Obra, com várias indicações para o Oscar, tem um impacto emocional que não o deixa envelhecer; permite ao espectador refletir sobre os valores humanos

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Filme "A Felicidade não se Cobra" (Foto: Divulgação)
 Um espírito desencarnado pretende tornar-se um anjo e, para ganhar asas, recebe de Deus a missão de ajudar um valoroso empresário que, em virtude de grave problema financeiro, provocado por desonesto banqueiro, tem a intenção de se suicidar. 

Protagonizado por James Stewart, "mascote" de Alfred Hitchcock que atuou em "Janela Indiscreta" e "Um corpo que cai", além de outros grandes filmes, vemos o ator versátil Stewart vivendo o sonhador George Bailey. Uma história extremamente envolvente, do início ao fim. Além, é claro, de contar com a belíssima Donna Reed de "A um passo da eternidade" que interpreta a simpática Mary Hatch. 

George Bailey (James Stewart) é o nosso herói. Na mais clássica concepção da "lenda do herói", ele está ali representando uma espécie de "conto de Natal" diferente do comum, onde vemos um personagem entrando em completo desespero e pedindo ao seu anjo da guarda para que nunca tivesse nascido. 

George Bailey é um jovem que desde pequeno sonha em crescer na vida e ajudar o mundo a ser melhor. Ele cresce e sua vontade de vencer na vida também. 

George manteve a firma do pai, um banco, "diferente" dos padrões normais. Lá tudo era feito para ajudar as pessoas que necessitavam de dinheiro, mas sem a cobrança dos tradicionais juros absurdos. 

James Stewart brilha como sempre na tela, oferecendo uma ótima performance neste filme contracenando com Donna Reed, que faz o papel de sua esposa "também perfeita". 

Ela é compreensiva, amorosa e companheira em todas as situações. O trabalho e a química entre os dois funcionaram muito bem. 

Com um excelente roteiro, o filme apresenta diversos argumentos sobre uma felicidade que o dinheiro simplesmente não pode comprar.

George, o personagem vivido por James Stewart, nos faz refletir a respeito dos verdadeiros valores da vida. E a história do filme apresenta diversas cenas que demonstram esse lado humanitário.

O romantismo também se faz presente em cenas magistrais. "A felicidade não se compra" tem muito a oferecer e isso só foi possível graças ao grande trabalho de Frank Capra na direção. 

Um ousado filme que em suas doces cenas, mostra que é possível construir um mundo melhor.
O cineasta Frank Capra nasceu em Bisacquino, Palermo, na Sicília, Itália, e naturalizou-se cidadão estadunidense em 1920. Ele dirigiu clássicos que estão no coração de muitos cinéfilos e é considerado precursor das comédias sofisticadas da Hollywood do inicio do cinema falado. 

A família chegou aos Estados Unidos em 1903 e se estabeleceu na Califórnia, onde seu pai trabalhava na colheita de laranjas. Para ajudar na renda familiar e pagar seus estudos, Capara vendeu jornais e tocou banjo em botecos. 

Formou-se em engenharia química em 1918, mas sem conseguir emprego, envolveu-se com indústria cinematográfica (1921). Começou como técnico de um pequeno laboratório, para depois tornar-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Roach e Mack Sennett. 

Iniciou sua carreira de cineasta em 1925 em uma associação com o cômico Harry Langdon, um dos astros da comédia muda com quem passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. 

Rompida a parceria em 1926, mas definitivamente contagiado pelo cinema, ele seguiu a trilha como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias e alcançou seu primeiro sucesso com o filme "Submarino" (1928). Depois seguiram outras produções: "Loira e sedutora" (1931) "e "Loucura americana" (1932). 

Associado ao roteirista Robert Riskin, ele lançou a comédia "A Dama Por Um Dia" (1933) seguido de outros três filmes que lhe valeram Oscars de melhor diretor; "Aconteceu Naquela Noite" (1934), " Galante Mr.Deeds" (1936) ,"Do Mundo Nada Se Leva" (1938). 

Durante a segunda guerra mundial dirigiu documentários para as forças armadas dos Estados. Morreu em La Quinta, Califórnia, e seu filme mais importante no pós-guerra foi justamente "A Felicidade Não Se Compra" (It's a Wonderful Life,1946). 

Entre seus principais filmes destacamos:
"Os viúvos também sonham" (1959); "Órfãos da tempestade" (1951); "Nada além de um desejo" (1950); "Sua esposa e o mundo"; (1948): "A Felicidade não se compra" (1946); "Este mundo é um hospício" (1944); "Adorável vagabundo" (1941); "A mulher faz o homem" (1939); "Do mundo nada se leva" (1938); "Horizonte perdido" (1937); "O galante Mr. Deeds" (1936); "Aconteceu naquela noite" (1934), "Dama por um dia" (1933); "O último chá do general Yen" (1933)

Dirigiu também vários episódios de séries da televisão como "Caravana", "Bonanza" e "Gunsmoke". 

Seu filho, Frank Capra Jr., e seu neto Frank Capra III, também continuaram na indústria cinematográfica. A fotografia em preto e branco é bela, digna de montar um quadro com qualquer frame do filme e conta com a trilha sonora de Dimitri Tiomkin. 

"A felicidade não se compra" tem um impacto emocional e apesar de contar com 75 anos de existência, não envelheceu, muito pelo contrário, está ainda melhor e muito atual. Também permite ao espectador refletir sobre os valores humanos neste século XXI. 

Com várias indicações ao Oscar, como direção, ator (para James Stewart), edição e som, esse filme é considerado um clássico absoluto do notável Frank Capra.

Ficha técnica
Filme:
"A felicidade não se compra"
Produção e direção: Frank Capra
Obra originalmente em preto e branco
Produção:
RKO Radio Pictures Inc /Liberty Films
Ano: 1946
Elenco: James Stewart; Donna Reed; Thomas Mitchell; Lionel Barrymore; Henry Travers; Beulah Bondi; Gloria Grahame e Ward Bond.
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra
Filme baseado na história de Philip Van Doren Stern
Música: Dimitri Tiomkin