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"Os implacáveis": um clássico das cenas de ação dos anos 70

Apesar da violência, filme também proporciona um drama de amor especial entre os dois personagens principais, Steve McQueen e Ali MacGraw

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Cena do filme "Os Implacáveis" (Foto: Divulgação)
 

Doc McCoy está preso há quatro anos. Para escapar, ele trama um plano ousadíssimo: pede à esposa Carol para fazer um acordo com Jack Beynon, um político corrupto. Neste acordo, Doc ganha a liberdade e em troca, assalta um banco no Texas para dividir o dinheiro com Beynon. 

Depois de planejar meticulosamente o assalto, Doc conta com a cumplicidade de Rudy e Jackson, dois capangas de Baynon. Porém, durante o crime, a quadrilha se desentende e Rudy elimina Jackson. 

Percebendo que vai ser traído por Rudy, Doc vai ao encontro de Baynon, para dividir o produto do roubo. No entanto, o político facínora tem outros planos: além de ficar com todo o dinheiro, ele quer ficar com Carol. E, para isso, vai usar toda a sua astúcia política. 

"Os implacáveis" é um filme que apresenta muita ação e violência. Mas ao mesmo tempo, a história também proporciona um drama de amor em especial quando à relação dos dois personagens principais (Steve McQueen e Ali MacGraw) está sob pressão. 

Eles flutuam para longe um do outro em muitas cenas e, às vezes, se agarram de novo. Afinal, pareciam feitos um para o outro. Com certeza, formaram um casal perfeito, um dos mais fofos da tela na década de 70. 

Na vida real, McQueen e Ali também se casaram um ano depois, mas como a maioria dos casamentos de Hollywood, acabou em divórcio, apenas alguns anos depois. 

"Os implacáveis" é um verdadeiro filme dos anos 70, o que significa que tem algumas edições e trabalhos de câmera renovados. É um filme de corte rápido, com duração média de tomada de 3,5 segundos. 

Isso, é claro, ajuda a tornar a ação real, pois o filme em si é realmente cheio de tiroteios e perseguições de carros. Uma obra que conta com um roteiro bem escrito, que ganha real profundidade com a abordagem de direção do ótimo Sam Peckinpah, além das atuações espetaculares do elenco principal. 

Peckinpah fez sua própria versão de "Bonnie and Clyde" e o resultado foi um filme com espetaculares cenas de ação que impressionam com uma trilha sonora de Quincy Jones. Sem contar o enredo que se desenrola onde a imprevisibilidade é fundamental, com ótimas sequencias e cenários violentos. 

O diretor Sam Peckinpah era conhecido nos anos 70 por fazer filmes violentos de ação. E foi muito criticado por isso. Violência que estamos acostumados a conhecer todos os dias ao vivo na TV, mas que ainda era algo novo e provocador nos anos 70. 

Os filmes de Sam Peckinpah também têm uma profundidade incrível, devido à maneira como foram construídos e as histórias contadas. 

Ele foi chamado de o "poeta da violência" devido ao seu modo peculiar de filmar em câmera lenta as cenas mais fortes, que em seus filmes são inúmeras, sempre dentro de um contexto estético. 

Peckinpah se consagrou como um dos mais vigorosos e hábeis cineastas norte-americanos pela utilização estética da violência e da brutalidade na maioria das suas obras. 

Também desenvolveu um cinema cheio de realismo, onde a característica principal não era somente a violência que os filmes continham e sim a forma como ele a manipulava em função de seus personagens. 

Sam Peckimpah morreu aos 59 anos de idade em um hospital de Los Angeles, depois de ter sofrido um ataque cardíaco no México, onde passava as férias com a mulher, à atriz Begona Palácios e sua filha Guadalupe. 

O mundo perdia, naquele momento, um dos maiores cineastas de sua história, aquele que teve coragem de romper com a pasmaceira do cinema industrial americano sem medir as conseqüências. 

Já Steve McQueen conhecido por seus papéis de anti-herói, influenciou diversos nomes do cinema como Colin Farrell, Kevin Costner, Pierce Brosnan e Bruce Willis. 

Egresso de um ambiente familiar muito tumultuado, McQueen muitas vezes deu vida a personagens difíceis, rebeldes, homens determinados e sedutores o que correspondia à sua realidade pessoal. 

O tom de voz grave e baixo, a economia de movimentos, os gestos precisos, o olhar expressivo, o carisma, o talento. São inúmeras as razões para o seu sucesso nas telas dos cinemas. 

O ator se considerava um cínico indomável e um rebelde nada bonito que sempre procurava personagens obcecados por uma ideia. Apaixonado por carros e motos, ele se tornaria um ávido colecionador, contabilizando mais de 100 modelos de motocicletas. 

Ao chegar a Hollywood, na década de 1950, McQueen foi logo saudado como o sucessor de James Dean, ator que brilhava nas telas em "Juventude transviada", em 1955. 

Foi durante as filmagens de "Os implacáveis" que Ali MacGraw conheceu Steve McQueen, com quem se casaria em 1973. Ela havia sido casada com o ator e produtor Robert Evans (pai de seu único filho), e casou-se com McQueen menos de um mês após se divorciar de Evans. 

Ela ficou conhecida internacionalmente após participar como protagonista principal em "Love Story Uma História de Amor" em 1970 ao lado do astro Ryan O´Neal, filme que contou com a direção de Arthur Hill. 

Após a produção de "Os implacáveis" Steve Mcqueen deu um tempo na carreira, enquanto que Ali também se afastou das telas como o marido. Ela retornou ao cinema quando se divorciou dele em 1978, atuando no filme "Comboio", em 1978, novamente sobre a direção de Peckinpah. 

Seu filme seguinte foi "Amor em jogo", no ano de 1979, onde fez par romântico com o ator Dean Paul Martin, filho do também ator Dean Martin. Depois, a atriz atuou no filme "Diga-me o que você quer", em 1980, sob a direção de Sidney Lumet. 

Na década de 80 sua carreira já não fazia tanto sucesso. Atuou na série de televisão "Sangue, suor e lágrimas", de 1983, e no telefilme "A rosa da China", no mesmo ano. 

Em 1985, ela participou da série "Dinastia", no papel de Lady Ashley Mitchell. Anos mais tarde revelou que só aceitou o papel porque precisava do dinheiro. Neste ano também atuou no cinema na produção de terror "Crime na cidade". 

A partir de 1990, Ali MacGraw atuou pouco no cinema. Alguns de seus trabalhos foram em "Naufrágio no Pacífico", no ano de 1992, "Gunsmoke: A longa cavalgada", em 1993, e "Causa: morte natural", em 1994. 

Seu último trabalho no cinema foi "Glam: roteiro de uma obsessão", em 1997, dirigido por seu filho, o ator e diretor Josh Evans. 

Desde 1994 a atriz vive em Tesuque, Novo México. Atualmente, Ali MacGraw dedica seu tempo à proteção animal onde ela é membro ativa do Grupo Peta. Em 2008 ajudou no resgate dos animais de estimação abandonados durante a passagem do furacão Katrina. Ela também é uma ativista do feminismo. 

REMAKE EM 90 

Em 1990, o cineasta australiano Roger Donaldson realizou "A Fuga", que foi um remake do filme "Os implacáveis", produzido em 1972, e contou com a presença de Alec Baldwin e Kim Basinger, mas não obteve o sucesso da versão anterior. 

Walter Hill fez em "Os implacáveis" uma adaptação do romance de Jim Thompson para este filme, que com duas horas e três minutos de duração é notavelmente bem ritmado e cheio de muita ação e suspense. Uma obra que nunca vacila, chegando a um empolgante ato final. 

Ficha técnica
Filme:
"Os implacáveis"
Direção: Sam Peckinpah
Produção: Warner Bros
Ano: 1972
Gênero: Policial, suspense, ação e drama
Elenco: Steve McQueen, Ali MacGraw, Ben Johnson, Al Lettieri, Roy Jenson, Jack Dodson, Sally Struthers, Slim Pickens e Bo Hopkins
Roteiro: Walter Hill (baseado no romance de Jim Thompson)
Música: Quincy Jones
Fotografia: Lucien Ballard
Direção de arte: Ângelo P. Graham e Ted Haworth
Figurino: Ray Summers
Edição: Robert L. Wolfe


Sobre o Blogueiro

Alma Inclusiva

Nelson Machado Filho passou a gostar de cinema por influência do pai e da avó que o levavam para longas sessões nas salas de Amparo. Apaixonado, ele nos traz no blog “Filmes que o tempo levou” uma análise das obras que marcaram a sétima arte e sua vida.


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