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"Cruella" converte Emma Stone em uma verdadeira rainha da moda

Filme de Craig Gillespie conta com figurinos esvoaçantes, uma trilha sonora de dar inveja e um elenco recheado de estrelas

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Emma Stone surge em um figurino fabuloso em "Cruella" (2021) (Foto: Divulgação)
Emma Stone encarna uma mulher poderosa e extremamente estilosa no live-action Cruella. O novo filme do diretor Craig Gillespie conta com figurinos esvoaçantes, uma trilha sonora de dar inveja e um elenco recheado de estrelas. Entretanto, a história por trás da vilã que amaria ter uma casaco feito com a pele de dálmatas indefesos não parece ter relação com essa nova personagem e suas motivações no longa-metragem parecem servir apenas para apresentar uma razão para suas atitudes futuras, apresentadas há diversos anos nas animações dos estúdios Disney.

A trama tem início em meados dos anos 60. Estella é impetuosa, criativa e não consegue se encaixar na sociedade conservadora em que vive. Com os cabelos divididos em branco e preto, a jovem enfrenta preconceito por onde passa. Mas isso não significa que ela aceita tudo de forma pacífica. Após ser expulsa de mais uma escola, sua mãe decide começar uma vida nova em Londres. Infelizmente, uma tragédia impede a concretização de seus desejos, e Estella acaba sozinha e órfã na grande Londres. 

Tipper Seifert-Cleveland como a jovem Estella em "Cruella" (2021) (Foto: Divulgação)

Durante uma confusão, a jovem conhece seus futuros parceiros de crime: Jasper e Horácio. Desacompanhados e solitários, os três encontram uma versão concreta de família ao se unirem. Dez anos se passam e o trio surge vivendo de pequenos furtos ao redor da cidade. Apesar de adorar a companhia e as tarefas diárias, Estella ainda sonha em se tornar uma grande estilista. Com o auxílio de Jasper, ela tem a chance de fazer parte de uma das maiores e mais renomadas lojas de roupas de Londres.

Após uma experiência desagradável em seu novo trabalho, Estella chama a atenção de sua musa inspiradora, a Baronesa Von Hellman, e a lendária estilista a convida para fazer parte de sua equipe de designers. Entretanto, o que parecia um sonho pode se transformar facilmente em um pesadelo. Trabalhando por horas sem receber o devido crédito por suas criações, Estella se torna a ajudante pessoal da Baronesa. Com o passar do tempo, segredos sobre um passado obscuro fazem com que a relação entre as duas perca o charme por completo. 

Estella em seu estágio com a Baronesa em "Cruella" (2021) (Foto: Divulgação)

Motivada por uma vontade imensa em se vingar, Estella desenterra de seu interior uma personalidade poderosa e, muitas vezes, destrutiva: o seu alter ego chamado de Cruella. Com pouquíssimos escrúpulos, Cruella decide tomar para si o destaque da alta moda londrina. Atingindo a sua rival através de estratégias bem elaboradas, a protagonista da trama surge com toda a força e atitude do movimento punk rock, criado em meados dos anos 70. Suas roupas são carregadas de emoção, assim como a performance da protagonista.

As referências ao punk rock, tanto no estilo quanto no comportamento, são gritantes ao longo de todo o filme dirigido por Craig Gillespie. O figurino e a caracterização dos personagens são fantásticos, e não se limitam à protagonista da trama. A nova roupagem em que uma Cruella jovem e despojada surge é inovadora, e seu estilo marcante é refletido em seus vestidos grandiosos e performáticos. Apesar da personagem levar o nome da famosa vilã de '101 dálmatas', as similaridades com a história original acabam por aí.

Seu cabelo, sua risada e sua paixão pela pele dos adoráveis cachorros são um mero detalhe na idealização da nova Cruella De Vil. Todos os aspectos que envolvem a parte visual do filme Cruella são repletos de detalhes minimalistas, mas o enredo não segue a mesma criatividade que vemos nos critérios mais técnicos do longa-metragem. A trajetória da protagonista parece, em grande parte do desenvolvimento, um pouco forçada e repetitiva, e o roteiro apresenta referências à grandes histórias, eternizadas tanto no cinema quanto na literatura. 

A atriz Emma Thompson aparece como a Baronesa em "Cruella" (2021) (Foto: Divulgação)

A juventude travessa e contraventora de Estella possui traços similares à diversas narrativas, com pequenos detalhes parecidos com a obra de Charles Dickens, David Copperfield. Quando passamos alguns anos à frente, as referências continuam e seu estágio com a Baronesa relembra, em muito, a experiência de Andrea Sachs e Miranda Priestly no romance O Diabo veste Prada, eternizado no cinema pela performance incrível da atriz Meryl Streep em 2006. Já com o espírito da Cruella vivo, ela faz uma aparição em um evento da sua rival, e a sua capa é envolta em chamas, revelando um belíssimo vestido por baixo.

A cena lembra, e muito, um dos momentos mais surpreendentes da série Jogos Vorazes - Em Chamas, quando o vestido de Katniss Everdeen apresenta o mesmo efeito. Outro detalhe que traz à tona características de outros filmes é o fato da conhecida vilã do universo de 101 dálmatas aparecer como a heroína de um longa-metragem que carrega o seu nome, como já aconteceu em Malévola. A vitimização de personagens conhecidos como ruins é um pouco perigosa, principalmente quando estamos falando de uma personalidade psicótica e malvada ao extremo, como Cruella De Vil era representada na animação de 1961.

Entretanto, Cruella não parece estar relacionada à sua narrativa base quando avaliamos o filme mais atentamente. O live-action de Craig Gillespie busca apresentar uma mulher forte e determinada, que não mede esforços para conquistar o que deseja. Suas manias e características perversas permanecem intactas, mas são escondidas sob um ótimo pretexto de vingança justificada e merecida, reforçada a cada instante no roteiro de Dana Fox e Tony McNamara. 

Figurinos grandiosos fazem parte do longa-metragem "Cruella" (2021) (Foto: Divulgação)

E tudo isso é expresso com muita sensibilidade por Emma Stone. Ao lado de Joel Fry, a atriz possui ótimos momentos e um desempenho impressionante, mesmo que não alcance a magnitude de sua antecessora, Glenn Close, no quesito malvadeza e insanidade. Emma Thompson também mostra todos os seus talentos e sua longa experiência nas telas, encarnando o mal em pessoa ao interpretar a Baronesa. Já o talentoso Mark Strong possui breves aparições e uma relevância insignificante para o enredo, mas acrescenta o peso de seu nome ao elenco ao apresentar um personagem misterioso.

Além disso, o filme protagonizado pela atriz Emma Stone possui um ritmo impressionante, sendo embalado por uma trilha sonora eclética e democrática. Passeando por grandes sucessos de bandas como The Zombies, The Beatles, Queen, The Doors, Bee Gees, Deep Purple, Blondie e Supertramp, Cruella percorre diferentes estilos musicais e décadas ao desenrolar uma trama com alguns elementos criativos e muita personalidade envolvida, e termina ao som de "Sympathy for the Devil, da emblemática banda britânica The Rolling Stones. 

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