"Fomos Canções" apresenta um romance sob a perspectiva feminina

Adicionando um estilo europeu à fórmula já conhecida do romance nas telas, a diretora Juana Macías apresenta uma heroína em fase de desenvolvimento

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Protagonistas da comédia romântica "Fomos Canções" (2021) (Foto: Divulgação)
O cinema já foi palco para diversas histórias de amor mescladas ao humor, o que chamamos de comédia romântica. O gênero cinematográfico vem se aperfeiçoando ao longo dos anos, com a inserção de novas narrativas e de personagens inusitados. Adicionando um estilo europeu à fórmula já conhecida do romance nas telas, a diretora Juana Macías apresenta uma heroína em fase de desenvolvimento em Fomos Canções.

A trama acompanha Macarena, conhecida em seu círculo social como Maca. Aos 29 anos de idade, Maca decide que precisa tomar as rédeas de sua vida, tanto profissional quanto amorosa. Apesar de ser muito talentosa em sua área de atuação, ela continua trabalhando para uma influenciadora digital com inclinações para a psicopatia e que não valoriza nem um pouco os seus serviços.
 
Miri Pérez e María Valverde em "Fomos Canções" (2021) (Foto: Divulgação)
Além disso, Maca enfrenta desavenças com um antigo namorado ao reencontrá-lo após muitos anos. Entretanto, as fagulhas de amor há muito perdido podem ser reativadas com extrema facilidade ao reviver antigas emoções em ocasiões inusitadas. Para ajudá-la com todos os seus dilemas, Maca conta com uma dupla poderosa: suas amigas Jimena e Adriana.

Apesar de oferecerem todo o apoio possível, as duas colegas também enfrentam situações excepcionais. Enquanto Jimena espera encontrar a alma de seu antigo amor andando em outro corpo, Adriana sofre com um casamento acomodado e sem grandes acontecimentos. O longa-metragem de Juana Macías caminha pelos problemas das três amigas ao mostrar seus desenvolvimentos pessoais.
 
Elenco feminino principal do longa "Fomos Canções" (2021) (Foto: Divulgação)
A narrativa de "Fomos Canções" possui altos e baixos. Ao mesmo tempo em que o roteiro se desenrola rapidamente, temos a desaceleração abrupta dos relatos e passamos pela fossa de uma personagem. Apesar de apresentar Maca como a protagonista, as três personagens femininas da trama são apresentadas com a mesma profundidade, mas os elementos utilizados são diferentes em cada narrativa.

Sob a perspectiva de Jimena, o longa-metragem tem um clima mais sobrenatural e dramático. Para Adriana, o romance é apresentado como uma nova descoberta após anos de comodidade. Já Maca vê toda a experiência como uma maneira de amadurecimento pessoal, em busca de alcançar total independência.
 
Cena do longa-metragem "Fomos Canções" (2021) (Foto: Divulgação)
A comédia romântica "Fomos Canções" não é muito inovadora e nem apresenta assuntos ou temas que já não foram abordados no passado. O empoderamento feminino também não é o foco da narrativa, apesar de aparecer como elemento principal na premissa do longa-metragem. Entretanto, o filme dirigido por Juana Macías cativa o espectador com um elemento interessante.

A todo instante, a protagonista possui uma linha direta com quem a assiste. No decorrer de novos acontecimentos, Maca conversa constantemente com o espectador e interage com duas personalidades distintas, guardadas nas profundezas de sua psique. Enquanto uma é mais romântica e deseja um final feliz com o amado, a outra vê a vida de uma forma mais profissional e racional.
 
María Valverde e Álex González em "Fomos Canções" (2021) (Foto: Divulgação)
As mudanças constantes e os alertas em neon que avisam quando Maca está prestes a tomar uma decisão ruim são o ponto alto do filme, mas não bastam para cobrir uma longa e arrastada duração de quase duas horas e a falta de originalidade da trama baseada no romance homônimo de Elísabet Benavent.
 
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