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Neo e Trinity têm encontro apaixonado em "Matrix Resurrections"

Com um roteiro focado na paixão dos dois personagens, Wachowski aborda o vício em drogas prescritas e a alienação causada pelos celulares na era atual

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss em "Matrix Resurrections" (2021) (Foto: Divulgação)
A cineasta Lana Wachowski apresenta um novo capítulo da narrativa de Neo e Trinity em Matrix Resurrections, sequência realizada após um hiato de 18 anos desde o término da trilogia em 2003. Com um roteiro focado na paixão dos dois personagens, Wachowski aborda o vício em drogas prescritas e a alienação causada pelos celulares na era atual, mas não esquece de reforçar a importância dos filmes anteriores no decorrer de seu novo longa-metragem.

Matrix Resurrections tem início com um Thomas Anderson mais velho e em uma profissão diferente, como programador de jogos. Em sua rotina, Thomas mergulha em novas tramas enquanto revive o sucesso de seu primeiro jogo de sucesso, chamado Matrix. Entretanto, o Sr. Anderson tem vários episódios estranhos, com visões de uma vida que não parece lhe pertencer mais.
 
Keanu Reeves em "Matrix Resurrections" (2021) (Foto: Divulgação)
Para lutar contra isso, Thomas segue os conselhos de seu psiquiatra e continua tomando sua pílula azul para manter a sua mente na realidade considerada aceitável. Tudo isso vira de cabeça para baixo com a chegada de Bugs, uma jovem que desperta a consciência do antigo salvador da humanidade e traz de volta para o mundo verdadeiro.

Contudo, Neo percebe que será impossível seguir sem a sua amada. Enfrentando diversos desafios e contratempos, desta vez é Neo quem deve salvar Trinity do destino programado pela Matrix. Para isso, ele contará com o auxílio de um grupo dedicado e de um antigo colega, Morpheus.

A premissa inicial de Matrix Resurrections até consegue se desvincular da trilogia original, mas a utilização constante de diversos elementos, cenas e, até mesmo, falas da saga antecessora remontam o cenário antigo. Com novos personagens e atores diferentes interpretando papéis já conhecidos pelos espectadores, o filme assinado apenas por uma das irmãs Wachowski não possui o mesmo brilho. O longa-metragem parece sempre querer afirmar que se trata de um novo capítulo, mas permanece enraizado nas lembranças do passado.
 
Cenas do primeiro filme são apresentadas em 'Matrix Resurrections" (2021) (Foto: Divulgação)
O primeiro filme da saga, lançado em 1997, é o ponto central deste processo de recriação. As cenas mais emblemáticas são repassadas em telas e em flashes para lembrar o personagem de sua trajetória. No entanto, esses instantes não passam de uma tentativa frustrada de alavancar a nova narrativa. Algo que não tem muito sucesso devido a diversos fatores. O início de Matrix Resurrections é enfadonho e cansativo, com cenas em sequência para mostrar a rotina maçante do protagonista, preso em uma vida que não lhe serve.

Em seguida, a trama ganha uma nova guinada, ainda mais bagunçada e difícil de acompanhar. Todo este imbróglio só começa a fazer um pouco de sentido na primeira metade do longa-metragem, quando a narrativa se transforma em uma história de amor desafortunada entre Neo e Trinity. Neste momento, a trama também ganha novos elementos inusitados e que não fazem jus ao enredo da trilogia original.
 
Cena do filme de ação "Matrix Resurrections" (2021)
Em contrapartida, as cenas de ação são muito bem elaboradas durante todo o filme. Os efeitos visuais são impressionantes e grandiosos, como sempre, principalmente quando levamos em consideração a grande distância entre a realização de cada longa-metragem desta saga criada pelas irmãs Wachowski. As lutas continuam um destaque, e envolvem muitos personagens diferentes desta vez.

Quanto ao elenco, as escolhas que, a princípio, causaram uma certa dúvida, funcionaram perfeitamente. Neil Patrick Harris aparece de uma forma totalmente diferente do que estamos habituados, mas sua performance é impecável. Seu personagem conta com o maior número de nuances durante a duração de duas horas e vinte minutos, e o ator lida com tudo isso muito bem.
 
Jessica Henwick e Keanu Reeves em "Matrix Resurrections" (2021) (Foto: Divulgação)
Jessica Henwick e Jonathan Groff dividem o segundo lugar, com grande destaque e atuações convincentes e interessantes. Por sua vez, a participação de Yahya Abdul-Mateen II é intrigante, pois é impossível não comparar o ator ao seu antecessor, o veterano Laurence Fishburne. Entretanto, como a mudança também ocorre no âmago do personagem, é fácil de se acostumar no decorrer do desenvolvimento.

Enquanto isso, Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss retornam ao seus protagonistas de origem, mas ambos possuem uma grande alteração na trama. Mesmo com uma série de inovações e recursos diferenciados, Matrix Resurrections não chega nem perto de alcançar o patamar de seus antecessores, e falha miseravelmente ao tentar reencenar um sucesso que, ao que tudo indica, ficou no passado.
 
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Edmo Bernardes

Sobre o colunista

Bruna Ferreira é uma jornalista apaixonada por filmes, séries, trilhas sonoras e tudo que envolve o universo cinematográfico. Um pouco geek, fascinada por Senhor dos Anéis, Harry Potter e Quentin Tarantino. Leitora voraz e ansiosa por adaptações de seus livros favoritos. A coluna é dedicada a reflexões e pensamentos sobre filmes e lançamentos da sétima arte.

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