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Inovação vira gambiarra sem estabilidade institucional

Inovar demanda planejamento e trabalho de longo prazo, que são impossíveis sem atenção às instituições constitucionais

| ACidade ON - Circuito das Águas -

A criatividade é uma função do cérebro. Quando o tempo é curto e os recursos, limitados, a gente acaba criando gambiarras que às vezes são soluções bastante úteis. O legal na gambiarra é que é barata de implementar, inclusive porque usa materiais e funções que já estavam por à disposição. Elas dão pouco trabalho para ajeitar e pode até ser uma boa relação de custo e benefício. Na melhor das hipóteses, serve como a inspiração para uma inovação importante. Mas a gambiarra é fruto do improviso e das necessidades urgentes.

Inovação é melhoria nos processos ou em produtos que precisamos para alcançar nossos objetivos. Em empresas, inovações dão lucro e melhoram produtos e serviços. Nos serviços públicos, geram produtividade e melhoram a vida de todo mundo na sociedade. Em casa, nas nossas vidas privadas, ajudam a fazer mais com menos e a melhorar a vida da gente. A diferença é o planejamento e o método na implementação. Uma etapa crucial na inovação é medir a melhoria que ela trouxe, seja em termos financeiros ou de qualidade. No processo de inovação existe um cuidado em procurar o que pode ser melhorado, pensando no futuro e levantando hipóteses a respeito de soluções e resultados esperados. Há investimento e cuidado para não perder o que já está bom.

Aí é que entra a estabilidade institucional. Instituições constroem os direitos e deveres que organizam a vida da gente, o funcionamento da sociedade e do mercado, como também ajudam a fazer esses direitos e deveres presentes de fato. Instituições sérias fazem falta, democracia não é um enfeite e políticas públicas não são um estorvo. Isso tudo dá estabilidade para fazermos planos de futuro e, portanto, para medir os resultados atuais e arquitetar o que vai acontecer depois da inovação ser implementada. Isso permite que as empresas e o governo façam projeções a respeito dos investimentos em inovação e possam planejar para ganhar mais produtividade e melhores processos de trabalho.

A falta de seriedade, sobriedade e estabilidade institucional torna mais difícil para os brasileiros o mero ato de imaginar o futuro próximo, impedindo os investimentos no progresso de nossa sociedae ou na sofisticação da economia. Os capitais e as pessoas, dada a insegurança generalizada, se voltam para o mais simples e de menor custo. No lugar da inovação, produzem-se gambiarras.

Luiz Marcello de Almeida Pereira escreve às quintas. É advogado, mestre em Direito Constitucional e professor da disciplina. Visite Lextra para mais informações ou envie mensagem para marcello@lextra.com.br em caso de dúvida, crítica, ou sugestão.

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Sobre o colunista

Luiz Marcello de Almeida Pereira é advogado e escreve sobre Direito Constitucional para quem gosta de política.

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