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Inverno abre temporada de colheita do café em Serra Negra

De acordo com o engenheiro agrônomo e consultor de café, Jonas Leme Ferraresso, a secagem dos grãos de cafés especiais deve ser realizada até 35ºC

| ACidade ON - Circuito das Águas -

Produtores realizam a colheita do café especial (Foto: Jonas Leme Ferraresso)
O período de estiagem, que costuma marcar a estação do inverno, pode ser prejudicial para alguns setores, devido à ausência de captação de água. Entretanto, para os produtores de café da região do Circuito das Águas, um clima mais seco e com temperaturas amenas auxilia na hora da colheita do fruto. De acordo com o engenheiro agrônomo e consultor de café, Jonas Leme Ferraresso, a ausência de umidade influencia diretamente na qualidade do café.

"O inverno seco é fundamental para que os frutos do café passem por um processo de secagem adequado e sem umidade. Quando os meses de colheita são secos, como o que estamos tendo nos últimos meses, isso indica que o café tem um bom processo de secagem", salienta o engenheiro.

Segundo Jonas, a umidade mais alta durante a secagem dos grãos pode propiciar o surgimento de elementos inconvenientes e que alteram a qualidade do fruto torrado. "A umidade interfere muito na qualidade da bebida do café, porque, se os teores de umidade ambientais são altos, essa desidratação do fruto e da semente é muito lenta, o que propicia o surgimento de alguns fungos e bactérias que podem ser indesejáveis para bebidas de alta qualidade", explica.

Além da baixa umidade, os grãos também necessitam de temperaturas amenas para realizarem a secagem correta. De acordo com Jonas Ferraresso, a temperatura ideal para os cafés especiais é de 35ºC, uma vez que as temperaturas mais altas podem ser prejudiciais para a semente do café. Dependendo da qualidade do grão produzido, as sementes podem ser secas a uma temperatura máxima de até 40ºC.

"A alta temperatura pode acelerar os processos de degradação do fruto através de fungos e bactérias, podendo ainda, prejudicar a dinâmica de secagem do café. O café tem que secar no tempo adequado. Se ele seca muito rapidamente por causa da alta temperatura isso afeta a qualidade e também porque pode matar a semente", explica o engenheiro.

O produtor Roberto Marchi é proprietário do Sítio São Geraldo e representa a quarta geração familiar a cultivar o café em Serra Negra. Sua colheita, que teve início em meados do mês de maio, ainda está em andamento e deve terminar no final de setembro. De acordo com o produtor, a florada do café começou em setembro do ano passado, com a formação do fruto em meados de outubro.

Para o produtor, o tempo seco e com temperaturas amenas auxilia na colheita de um café com boa qualidade. "O inverno não interfere, o problema é que, se chove muito, acaba estragando a qualidade dos grãos", finaliza Roberto.  

Inverno com baixa umidade auxilia na secagem dos grãos do café (Foto: Jonas Leme Ferraresso)
Selo do Circuito das Águas Paulista

De acordo com a presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap), Silvia Raylda Kurebayashi Fonte, um selo de representação da indicação geográfica de produção de cafés especiais que são colhidos nos municípios pertencentes ao Circuito das Águas Paulista está em desenvolvimento no momento.

O projeto será realizado através de uma parceria com Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Segundo a presidente da Acecap, o selo possui gerência e financiamento do Sebrae.

"Nós já iniciamos os trabalhos de desenvolvimento da documentação, junto com o Sebrae e o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), e tivemos reuniões com os produtores de cafés especiais associados", finaliza Silvia.

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