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Mercado de trabalho: o que vem pela frente?

por Marcelo Braga - parceiro IBMérito e Headhunter, fundador das empresas SEARCH/REACHR e CEO do DOM Diagnósticos.

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Faz pelo menos uns 10 anos que começamos a ouvir de forma mais acentuada que o trabalho no futuro seria totalmente diferente. 


Na ocasião era comum ouvir que 50% dos novos cargos ainda nem sequer haviam sido criados. Temos tido a percepção de mudanças com o avanço da tecnologia, do marketing digital, do avanço das compras onlines. Novas funções de fato foram criadas como a febre dos youtubers, as diversas novas carreiras que se abriram em tecnologia, marketing digital e negócios digitais.
No entanto, com a pandemia este processo acelerou de uma forma muito acentuada e além do imaginado.
Complexo o exercício de identificar um negócio que será igual ao pré-pandemia. O trabalho home-office está validado. O hábito de consumo está mudado. Os meios de comunicações, reuniões também. O modelo de transporte colocado em xeque, as relações humanas serão diferente.
Muitas funções deixaram de ter o espaço físico no local de trabalho. Com isto o mercado de real estate de escritórios sofre um grande impacto. Os comércios locais, que viviam do fluxo das pessoas nos escritórios serão fortemente afetados, e mais uma vez volta para o real estate. Com as pessoas em casa volume de combustível, de ida aos postos de gasolina serão altamente impactados. Grandes redes de postos vinham cada vez mais se fortalecendo na diversificação de produtos em suas lojas de atendimento rápido.
Com uma parte representativa das pessoas trabalhando de casa as compras onlines vão ser ainda mais impulsionadas. Lojas que antes não tinham seus comércios eletrônicos estão correndo para se adaptar. Perfil dos profissionais de vendas estão se adequando para esta realidade, onde passam a vender através dos seus perfis no instagram, através de vouchers. 

O mercado de entregas está saturado. 

Faltando profissionais de entregas. Mas poderíamos estar falando de áreas bem distintas, que também sofreram impactos significativos, como os médicos com consultório próprio que viram seus atendimentos despencar e tem atendidos, com o aval temporário do CRM, de forma remota. O setor automotivo com alto impacto seja na quantidade de veículos, seja no modelo de compartilhamento de veículos, carros autônomos.
Mas a grande pergunta é se estas mudanças realmente serão duradouras, se esta é a nova realidade, se já podemos trabalhar com este cenário para nos posicionarmos. Ao meu ver estamos no meio do turbilhão e nada pode ser decidido ou escrito como verdade absoluta. O impacto econômico será muito grande, muitas empresas fecharão, se transformarão, se unirão a outras. Pequenos negócios serão os mais impactados pela dificuldade de manter ativo praticamente sem receita e sem crédito acessível. 

E como ficam os profissionais neste mercado. 

O fechamento de postos de trabalho tem aumentado significativamente. A taxa de desemprego especificamente ainda não pode ser mensurada, haja vista que grande parte dos que perderam seus empregos nem voltaram a procurar novos postos. Mas além de todos os novos desempregados que se juntarão a já alta quantidade de pessoas que estavam desempregadas antes da pandemia, teremos a entrada de muitos pequenos empresários no mercado de trabalho. Pequenos empreendedores que com o fechamento dos seus negócios buscarão oportunidades no mercado. Entre estes estes desde pequenos comércios, empresas de prestação de serviços, consultorias e até empreendedores de startups.
Ainda é cedo para fazer previsões futurísticas sobre qual é a profissão do futuro. Até porque se formos olhar somente com a visão de quem está no meio do turbilhão entramos em pânico. Historicamente toda crise gera oportunidades. E em breve começaremos a enxergar melhor as oportunidades que serão oferecidas.
Mas apesar do exercício de futurologia ser complexo, alguns aspectos já é possível prever, que está relacionado a quais comportamentos serão valorizados no futuro, ou no novo atual.
Diante de tantas mudanças abruptas a demanda por pessoas com alta capacidade resolutiva, de identificar oportunidades, flexibilidade, adaptabilidade, habilidade de se relacionar no mundo digital, que lida bem com tecnologia e ferramentas de marketing digital serão importantes para praticamente todos os seguimentos.
Interessante é que estas qualificações não estão presentes no curriculum de nenhum profissional. Headhunter a 21 anos, raras foram as vezes que vi um CV com menções sobre suas competências comportamentais. Geralmente o foco se dá a experiência profissional, formação acadêmica, idiomas, atividades desenvolvidas, empresas por onde trabalhou ou trabalha. Existe a máxima no mercado de que se contrata pelo técnico e demite pelo comportamental, aspecto que é muito claro para as organizações, mas que no dia a dia são poucas as empresas, principalmente quando saímos da realidade das grandes corporações, que por mais que sejam empregadores de muitas pessoas, não representam o maior volume de profissionais no mercado, que utilizam de ferramentas para selecionar baseada em questões comportamentais que não sejam o feeling pessoal do entrevistador, sem muito embasamento técnico.
Interessante que ao incluir os pequenos empresários, fundadores e cofundadores de startups estaremos inserindo no mercado profissionais com muitas das competências desejadas para o novo mundo que está por surgir. O acirrado mercado de trabalho ficará ainda mais disputado.
Profissionais necessitarão investir no desenvolvimento destas habilidades comportamentais, além de outras técnicas relacionadas a tecnologia e marketing digital. Empresas precisarão rapidamente ter a capacidade de selecionar com base nestes comportamentos, para não correr o risco de trazer para sua empresa profissionais que não terão condições de atender as incertezas dos negócios e habilidade de rápida adaptação.
Infelizmente a lista das profissionais do futuro não é possível oferecer, mas a boa notícia é que as competências comportamentais do futuro já são possíveis de identificar. Vale investir no diagnósticos de como estamos para este novo cenário, saber maximizar os investimentos de leitura, cursos e demais estudos, e para as empresas, investir na capacidade de selecionar pessoas com as competências adequadas para este novo mercado, assim como diagnosticar os profissionais que já atuam na organização de forma a focar no desenvolvimento dos aspectos que precisam desenvolver, baseados no que está por vir, e não no espelho retrovisor de como era antes, pois tudo que sabemos é que nada será como antes.

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