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Cotidiano

Espaçonave russa realiza pouso forçado após falha de foguete

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A tripulação de uma espaçonave Soyuz, composta por um americano e um russo, que seguia para a Estação Espacial Internacional teve que fazer um pouso de emergência dramático no Cazaquistão nesta quinta (11), depois de uma falha no foguete. O astronauta Nick Hague e o cosmonauta Alexei Ovchinin pousaram sem problemas, e equipes de resgate que correram à estepe cazaque para localizá-los logo fizeram contato com a dupla, disseram a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) e sua equivalente russa, a Roscosmos. Foi o primeiro problema grave de lançamento de uma missão espacial tripulada da Soyuz desde 1983, quando um incêndio aconteceu na base do foguete auxiliar enquanto a tripulação se preparava para decolar. Os tripulantes escaparam por pouco antes de uma grande explosão. O problema desta vez ocorreu quando o primeiro e o segundo estágios de um foguete auxiliar lançado do Cosmódromo de Baikonur, dos tempos soviéticos, estavam se separando, o que ativou os sistemas de emergência pouco depois do lançamento. A cápsula Soyuz, que transportava a tripulação, se separou do foguete defeituoso e fez o que a Nasa descreveu como uma descida balística íngreme para a Terra, com paraquedas ajudando a diminuir sua velocidade. Equipes de resgate correram ao local para buscá-los, e soldados paraquedistas também foram ao local do pouso. A falha é um revés para o programa espacial da Rússia e o mais recente de uma série de percalços. Moscou suspendeu imediatamente todos os lançamentos espaciais tripulados, relatou a agência de notícias RIA, e o chefe da Roscosmos, Dmitry Rogozin, disse ter criado uma comissão para investigar o que deu errado. Pessoas ligadas à indústria espacial russa tem dito que será difícil determinar o que causou o incidente porque os segmentos do foguete auxiliar em questão ficaram muito danificados na queda. Jim Bridenstine, administrador da Nasa que estava no Cazaquistão para testemunhar a decolagem, disse em um comunicado que a falha foi provocada por uma anomalia no propulsor do foguete. No momento, há três tripulantes a bordo da ISS: a astronauta americana Serena Auñón-Chancellor, o cosmonauta russo Sergey Prokopyev, e o astronauta europeu Alexander Gerst. Eles chegaram lá em 6 de junho, e sua Soyuz (a MS-09) tem em princípio seis meses de validade, o que obrigaria um retorno deles em dezembro -- mesmo mês em que deveria subir mais uma Soyuz, com outros três tripulantes. Sem outros voos, existem duas possibilidades: ou os atuais ocupantes da ISS esticam sua estadia para além de dezembro e depois retornam numa cápsula "vencida" (e que já mostrou problemas, como o furo no módulo orbital), ou retornam e deixam a estação completamente vazia --o que nunca aconteceu desde 2000. A primeira hipótese é a mais provável, e há suprimentos suficientes a bordo. Mas nenhuma das duas "soluções" é exatamente confortável. Enquanto isso, a Nasa lamenta os atrasos no programa comercial de envio de tripulação, que envolve as empresas SpaceX e Boeing. O primeiro voo deve acontecer com a Crew Dragon, da SpaceX, em janeiro de 2019.

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