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Após confusão em estações e protestos de passageiros, greve da CPTM é encerrada em SP

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A greve dos trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) terminou por volta das 17h30 desta quinta-feira (15). Em assembleia, ferroviários dos sindicatos da Sorocabana de São Paulo e dos Engenheiros de São Paulo que atuam nas linhas 7, 8, 9 e 10 decidiram voltar ao trabalho.

A greve dos trabalhadores da CPTM foi iniciada à 0h desta quinta. A paralisação foi nas linhas 7-rubi, 8-diamante, 9-esmeralda, 10-turquesa e em parte da linha 13-jade. Cerca de 3 milhões de passageiros foram prejudicados.

De acordo com os sindicatos, a proposta aceita pela Secretaria de Transportes Metropolitanos é de pagamento de metade do PPR (Plano de Participação de Resultados) 2020 no dia 10 de agosto e os 50% restantes, com acréscimo da multa contratual, em 10 de janeiro de 2022.

Ainda de acordo com sindicalistas, houve o compromisso acordado de não haver recurso no TST (Tribunal Superior do Trabalho) das decisões que envolvem os dissídios econômicos (salários e benefícios) referentes aos anos de 2020 e 2021. Já o dissídio coletivo de 6,22% vai ser debatido em nova audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), ainda a ser marcada.

A Secretaria de Transportes e a CPTM confirmam os termos do acordo e dizem que a operação será normalizada nesta sexta (16).

Muitos trabalhadores só souberam da paralisação ao chegar na estação da Luz, no centro da capital paulista, e não conseguir acessar as plataformas da CPTM.

"Perdi meu dia de trabalho. Se soubesse da paralisação, não teria saído de casa às 5h30 para ficar parado aqui. Ainda perdi uma condução", disse o pedreiro Paulo de Sousa, 45. Ele saiu do Capão Redondo, na zona sul da capital paulista, para ir ao trabalho em Jundiaí (a 47km da capital).

Os usuários eram informados da paralisação por avisos sonoros. Funcionários da CPTM também comunicavam a greve e orientavam os passageiros sobre alternativas para chegar ao destino final.

Mesmo os passageiros que sabiam da greve tentaram usar os trens na manhã desta quinta. "Soube ontem [quarta] à noite da paralisação, mas achei que por volta das 7h já teria normalizado", disse Jefferson Alves, 30.

Ele mora em Guaianases, na zona leste, e tentava chegar ao trabalho em uma gráfica no Alto de Pinheiros, na zona oeste. "Vou atrasar muito, devo perder o dia."

A auxiliar de escritório Evelyn Tamires Santos, 47, soube da greve pela manhã quando pegava o ônibus para chegar à estação do Tucuruvi, na zona norte. "Já estava a caminho, então não tinha outra opção a não ser tentar."

Ela ia para a Lapa e foi informada pelos funcionários da CPTM sobre um trajeto alternativo pelas linhas do metrô.

Houve tumulto na estação Grajaú, na zona sul. Cerca de 200 pessoas obstruíram a avenida dona Belmira Marin em protesto pela falta de trens. Dez viaturas da PM foram posicionadas na saída do terminal rodoviário urbano, anexo à estação de trem, o que impediu a circulação de ônibus.

Em Francisco Morato, na Grande São Paulo, também houve tumulto, sendo que uma mulher teria sido ferida no olho. Policiais militares usaram bombas de efeito moral e spray de pimenta para dispersar a multidão.

A CPTM não acionou o sistema Paese, que funciona com ônibus da SPTrans, pela manhã. A EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), por sua vez, disse que reforçou a operação de 24 linhas com 34 veículos.

Entre Barueri e Itapevi, na Grande São Paulo, a empresa também acrescentou 16 carros para operar em 12 linhas. E 18 veículos a mais passaram a operar em outras 12 linhas gerenciadas pela empresa do governo do estado.

A categoria está em estado de greve desde 1º de abril. Ferroviários dos dois sindicatos ajuizaram no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) o dissídio de greve.

Pela manhã, a CPTM afirmou que os grevistas paralisaram em 100% as operações nas linhas 9 e 10, descumprindo determinação judicial.

"A companhia tem uma decisão da Justiça do Trabalho que determina a manutenção de 80% dos trabalhadores no horário de pico e 60% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 100 mil."


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