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Unicamp: questões abordaram 'Bella ciao', racismo e Temer

A prova foi aplicada em 35 cidades de cinco estados e do Distrito Federal

| Folhapress

Prova aconteceu na tarde deste domingo. (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

A relação entre o fascismo e a canção "Bella ciao", um slogan do presidente Michel Temer (MDB), racismo, fake news, religião, eleições e depilação a laser. Esses foram alguns dos temas presentes entre as 90 questões apresentadas na primeira fase da Unicamp, neste domingo (18).    

A prova foi aplicada em 35 cidades de cinco estados e do Distrito Federal. Segundo a universidade, 69.761 candidatos compareceram aos locais de prova para disputar uma das 2.589 vagas disponíveis para 69 cursos. A taxa de abstenção foi mais baixa do que no ano passado, chegando a 8,6% dos inscritos, cerca de 6,5 mil candidatos.    
 
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Para professores de cursos de pré-vestibular, a prova foi "atual" e "inteligente". O nível de dificuldade manteve-se o mesmo de anos anteriores. Enquanto algumas disciplinas tiveram nível médio, outras, como química, foram consideradas difíceis.  "A prova é essencialmente contemporânea, com assuntos, conceitos e informações básicas ligados à realidade dos alunos e nossos grandes problemas sociopolíticos. O aluno não estuda por estudar, mas para entender a realidade que vive", diz o diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo.    

A prova, porém, exigia conhecimento prévio dos alunos. A lista de leituras obrigatórias, por exemplo, foi exigida quase na íntegra. Segundo o coordenador do sistema Anglo, Daniel Perry, em algumas das questões a leitura do enunciado não era suficiente.  "As questões priorizaram a extração de informações através de tabelas, gráficos e textos, exigindo muita habilidade analítica, não eram questões imediatas. Foi uma prova bem contextualizada, bem atual", avalia ele.    

Perry destaca uma questão de história que envolvia propagandas do regime fascista de Benito Mussolini, na Itália, com o hino antifascista "Bella ciao", que virou moda este ano graças à série espanhola "La Casa de Papel".  "A única matéria que destoa é matemática, em que a abordagem foi muito mais clássica, com questões diretas e sem contextualização. Foram 14 questões, cada uma tinha um tema", ressalta ele.  Embora tenha destacado a qualidade das questões -como a pergunta envolvendo o slogan "dois anos em 20", do governo Temer, que tinha uma vírgula no lugar errado- a coordenadora pedagógica do Objetivo encontrou uma ressalva na estrutura das 90 questões.  "São questões muito bem elaboradas, mas elas exigiram uma leitura cuidadosa e acabou sendo trabalhosa. Algumas questões, além de charge, foto, texto, tinham alternativas muito longas, de até 5 linhas cada. Essa é única crítica que eu faria, porque exige uma atenção maior e o aluno fica cansado durante a prova", explica ela.    

Segundo José Alves de Freitas Neto, coordenador executivo do vestibular da Unicamp, fazer com que a prova dialogasse com temas urgentes e atuais era uma preocupação da instituição.  Este ano, a prova de literatura trouxe obras de Carolina Maria de Jesus, escritora negra, moradora de favela dos anos 1950 e 1960. Para o ano que vem, a Unicamp já anunciou a inclusão das letras do grupo de rap Racionais.    

Questionado se a presença de certos temas pode gerar polêmica, Freitas Neto diz que a universidade tem que ser lugar de "liberdade de pensamento e ensino". "Não estamos preocupados com críticas, porque as questões estão dentro do contexto educacional, não estamos fazendo panfletagem", afirma ele.  "Não posso querer um aluno que vem para a universidade, no século 21, que não tenha opinião sobre desigualdade, preconceitos ou questões relacionadas a direitos humanos. Da mesma forma que enfatizamos ciência, tecnologia, também queremos a leitura do mundo atual".    

O vestibular iniciado com a prova deste domingo marca o início do sistema de cotas étnico-raciais na Unicamp. Desde 2003, a universidade trabalhava com sistema de bonificação para aluno pretos, pardos e indígenas, somando 30 pontos extras para estudantes auto-identificados racialmente assim e vindos de escolas públicas.  Há dois anos, por pressão da sociedade e da própria comunidade acadêmica, a universidade decidiu adotar vagas por cotas étnica-raciais. No próximo dia 2 de dezembro será realizada a prova específica para indígenas, com 72 vagas disponíveis para 34 cursos.

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