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Academia da Força Aérea isola 247 cadetes em surto de Covid-19 em Pirassununga

No total, 39 cadetes contraíram a Covid-19 e foram isolados dos demais alunos e funcionários da AFA, dos quais 27 estão com a doença atualmente

| FOLHAPRESS

Cadete estuda na Academia da Força Aérea de Pirassununga. Foto: Reprodução EPTV

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O surto de Covid-19 que atinge a Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga (SP) fez com que ao menos 247 cadetes fossem isolados por terem tido contato com outros cadetes com suspeita de terem contraído o novo coronavírus. Quatro deles, com diagnóstico confirmado, foram internados no Hospital da Força Aérea de São Paulo.

No total, 39 cadetes contraíram a Covid-19 e foram isolados dos demais alunos e funcionários da AFA, dos quais 27 estão com a doença atualmente.

Os quatro cadetes que foram transferidos para o Hospital da Força Aérea estão, segundo a Aeronáutica, internados em enfermaria. Os demais 23 apresentam sintomas leves, sem a necessidade de remoção para uma unidade hospitalar.

Não é a primeira vez que a AFA enfrenta um surto interno entre seus cadetes. No ano passado, num intervalo de um mês, cerca de cem deles tiveram sarampo, o que representava 14% dos 692 cadetes da academia. 

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Aumento repentino 
Pirassununga, cidade de 78 mil habitantes no interior paulista, viu disparar neste ano as mortes provocadas pela Covid-19. Até o início de março, eram 67 óbitos causados pela doença, total que nesta quarta-feira chegou a 180.

A origem da contaminação no maior complexo de ensino da aviação militar do país é incerta. Dos 247 isolados na quarta, o Primeiro Esquadrão, com 89, liderava os casos de isolamento, seguido pelas turmas Anúbis (64), Orthrus (52) e Mihos (42).

No primeiro esquadrão, todos foram isolados entre os dias 16 e 27, com previsão de saída que varia, até o limite de 10 de maio. Dois dos cadetes foram para o Hospital da Força Aérea --os outros dois são da Orthus e da Anúbis.

O alto número de cadetes isolados ocorre porque, conforme a AFA, quando um apresenta sintomas suspeitos de Covid-19, mesmo sem a confirmação, os que tiveram contato com ele são afastados preventivamente.

Segundo a AFA, a equipe médica está fazendo busca ativa com aferição de temperatura e nível de saturação de oxigênio no sangue, com o objetivo de detectar pacientes com sintomas iniciais para fazer isolamento precoce, além de testes PCR nos casos suspeitos.

"Devido a esse constante acompanhamento da conjuntura da doença, foi possível identificar uma elevação do número de cadetes da AFA que apresentaram sintomas gripais. Isso permitiu que a Academia afastasse os cadetes de atividades que pudessem gerar maior risco de propagação, seja pela proximidade física ou pela natureza", diz trecho de comunicado enviado à reportagem pelo comando da Aeronáutica.

O surto ocorre ao menos desde meados de março, já que há cadetes que tiveram alta no dia 19 do mês passado, conforme planilha à qual a reportagem teve acesso.

A Aeronáutica informou que os cadetes têm acompanhamento em tempo integral das equipes de saúde e que, como o efetivo está inserido na comunidade e as atividades essenciais para a formação estão em andamento, "não é possível identificar como ocorre a contaminação".

A reportagem ouviu um dos alunos da AFA diagnosticado com o novo coronavírus. Ele relatou ter tido febre alta e sintomas como fadiga e dores no corpo e na cabeça, e que esse cenário é recorrente entre os cadetes.

Um docente morreu no último dia 8 devido a complicações da Covid-19. A FAB, que lamentou o óbito, informou que os professores estavam em home office, ministrando aulas online, sem contato com o efetivo desde o início da pandemia.

Formação 
No total, 138 militares, sendo 77 aviadores, 43 intendentes e 18 de infantaria, se formaram no último mês de dezembro em Pirassununga - 122 homens e 16 mulheres. Um dos formandos é de Senegal.

No local, eles recebem diplomas de graduação em nível superior em áreas como ciências aeronáuticas (aviadores), militares (infantaria) e logística (intendentes). A AFA tem área construída de 215 mil m², dos quais 73 mil m² são de área residencial.

O forte avanço da pandemia em Pirassununga em 2021 fez com que o prefeito Dimas Urban (PSD), que é médico, encerrasse com irritação um vídeo no mês passado em que falava à população dos impactos provocados no município.

"Para de ser ignorante, pelo amor de Deus. A Covid está aí, e quem não acredita nela é porque é ignorante, 'zóio' tapado. Pelo amor de Deus, inferno", disse o prefeito ao final do vídeo de cerca de 15 minutos.

Ele demonstrou indignação com negacionistas da pandemia e criticou aglomerações formadas na cidade, numa fala que inspirou a operação "Entendeu? Inferno!", desencadeada nos dias seguintes e que resultou na interdição de 11 estabelecimentos.

Além das 180 mortes provocadas pela Covid-19, Pirassununga já registrou 6.692 casos confirmados da doença. A cidade tem 23 pacientes internados e há 132 pessoas em isolamento domiciliar. Seis das mortes foram confirmadas nesta quarta, de pessoas com idades entre 59 e 81 anos.


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