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Atiradores matam ao menos oito em escola em Suzano (SP)

A PM divulgou que os autores seriam Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, 17; colégio Raul Brasil tem alunos a partir da 5ª série

| FOLHAPRESS

 

Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro (em foto antiga) (Foto: Arquivo pessoal)

 

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Oito pessoas, sendo pelo menos seis alunos, morreram em um ataque a tiros na escola estadual Professor Raul Brasil em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (13).  

Segundo a Polícia Militar, quatro estudantes e dois funcionários —entre eles a coordenadora— foram mortos no local e outros dois alunos morreram após serem levados a hospitais da região. 

Os disparos foram feitos por volta das 9h30, quando dois homens encapuzados atiraram contra os alunos e, em seguida, se mataram.Há ainda ao menos outras dez pessoas feridas, duas em estado grave, de acordo com o Corpo de Bombeiros. 

A PM (Polícia Militar) divulgou que os atiradores seriam Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25.

Entre as vítimas está um proprietário de um lava-jato em frente à escola. Segundo o coronel Marcelo Salles, comandante da Polícia Militar, os atiradores dispararam neste homem antes de entrar na Raul Brasil —ele está sendo operado num hospital da região. 

A dupla levava um revólver calibre 38, uma besta e artefatos explosivos.A reportagem conversou com Juliano Simões de Santana, vizinho da escola. O morador disse que ouviu os disparos próximo ao intervalo das aulas do período matutino. 

"Moro ao lado, ouvi um tumulto e fui para lá. Cheguei e vi várias crianças saindo correndo ensanguentadas. Um desespero, professor, funcionário, todos correndo", afirmou. 

A Raul Brasil tem alunos apenas a partir da 5ª série. São 1.067 alunos no total, a maior parte deles no ensino médio (693), boa parte nos anos finais do ensino fundamental (358) e alguns na educação especial (16), segundo informações de 2017. Ao todo, são 105 funcionários. 

A nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2017 foi 5,8, abaixo da meta nacional, de 6.Pouco depois de participar de coletiva de imprensa sobre as enchentes no estado, o governador João Doria (PSDB) cancelou sua agenda para o resto do dia e decidiu ir para Suzano para acompanhar de perto o ocorrido. 

"Estou muito impactado com o que eu vi aqui nesta escola, é uma cena muito triste. A mais triste que vi em toda minha vida. São adolescentes que foram brutalmente assassinados. Aos pais de vítimas e aos feridos, nossa solidariedade", afirmou Doria, que pediu à secretaria de Saúde garantia de apoio psicológico aos atingidos e decretou luto oficial de três dias no estado. 

Além do comandante da PM, o general João Camilo de Campos, secretário de Segurança Pública, e Rossieli Soares, secretário de Educação, acompanham o governador no local.Foram acionadas seis unidades de resgate dos Corpo de Bombeiros, três do Samu, dois de suporte avançado e dois helicópteros águia.  

A PM também enviou uma equipe do Gate para apurar os artefatos parecidos com bombas.A polícia isolou a rua que dá acesso à escola. Só a perícia e carros de resgate passam no local. Um gabinete de crise será montado na quadra da instituição de ensino para concentrar as informações sobre o ataque. 

Outros casos

Já houve no país ao menos outros sete casos similares ao de Suzano com atiradores (alunos ou não) dentro de escolas abrindo fogo contra estudantes e outras pessoas. 

Em Salvador, um jovem de 17 anos matou duas colegas dentro da sala do colégio particular Sigma e foi preso em flagrante. À época, em 2002, a delegada encarregada do caso afirmou que o revólver calibre.38 utilizado pelo garoto pertencia ao pai, que era perito policial.Em janeiro de 2003, em Taiúva (a 363 km de São Paulo), Edmar Aparecido Freitas, 18, ex-aluno da escola estadual Coronel Benedito Ortiz, invadiu o pátio da instituição, atirou em alunos, professores e funcionários e depois se matou. 

Em abril de 2011, em Realengo (zona oeste do Rio), doze adolescentes –dez meninas e dois meninos– morreram no massacre da escola municipal Tasso da Silveira. Eles foram vítimas de Wellington Menezes de Oliveira, 23, que atirou contra as vítimas na sala de aula. 

No mesmo mês, um adolescente de 14 anos que se disse vítima de bullying matou um colega com golpes de faca no interior do Piauí.  O caso ocorreu na zona rural da cidade de Corrente, no extremo sul do Estado.Também em 2011, mas em setembro, um aluno de 10 anos de idade que estava no 4º ano atirou na professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, e depois se matou na escola Professora Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul (Grande São Paulo).Em abril de 2012, um adolescente de 16 anos atirou em outras três alunas de escola estadual de Santa Rita (região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba).  

O objetivo do rapaz era acertar um menino de 15 anos com quem havia discutido duas vezes.O último caso foi em outubro de 2017, quando um adolescente de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro, em Goiânia. O jovem utilizou uma pistola .40 da mãe, que assim como o pai é policial militar. Segundo a Polícia Civil, na época, o adolescente foi motivado por bullying. 

A CRONOLOGIA DO ATENTADO 

1. Por volta de 9h30, dupla de homens jovens ataca dono de lava-jato próximo à escola a tiros —ferido, o homem depois é socorrido e levado para cirurgia ainda no fim da manhã; 

2. Os homens seguem até a escola, onde entram e atiram na coordenadora pedagógica, que morre; 

3. Eles atiram em uma segunda funcionária da escola, que também é morta; 

4. Os atiradores se encaminham para o pátio da escola. É hora do lanche e há apenas alunos do ensino médio; 

5. Os atiradores abrem fogo. Quatro adolescentes são mortos no local, e outros são feridos; 

6. Atiradores se dirigem para o centro de línguas que funciona na escola, em outro andar. Lá, a professora e os alunos se trancam em uma sala; 

7. Do lado de fora, os dois atiradores se suicidam;8. Polícia chega ao local 8 minutos após ser chamada e examina o armamento encontrado com os criminosos. Há suspeita de que haja explosivos.

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