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Por Trás das Capas de Hilda Hilst

Artes Visuais estavam sempre integradas a obra de Hilda Hilst, por ela mesma ou por outros tantos e tantos artistas

| ACidade ON

Capas de livros de Hilda Hilst

Há muita história por trás da criação das capas dos livros de Hilda Hilst. A própria concepção de um livro era olhada de uma maneira integral, com a sempre iluminada participação do editor-artista Massao Ohno, que publicou várias das primeiras edições de suas obras.

O ateliê construído por Jose Luis Mora Fuentes como um "adendo" da Casa do Sol já estava lá quando Olga Bilenky chegou, em 1976. Foi naquele cômodo que muitas criações dos dois artistas surgiram, inclusive para servir de capa aos livros de Hilda. "Lá, eu presenciei o Zé fazendo várias capas. A que eu mais me lembro é a do Tu não te moves ti (1980), amarela, com o trem e aqueles rostos", conta Olga.

Ela mesma também ilustrou duas edições originais dos textos de Hilda. A primeira veio logo após "A Obscena Senhora D" (1982) cuja capa, aliás, havia sido concebida por Mora Fuentes no livro de poesia Cantares de Perda e Predileção" (1983), editado por Massao Ohno. Naqueles anos, Olga se dedicava sobretudo a pintar mandalas, espécie de marca registrada de sua arte. "Usamos uma que a Hilda adorava. Ela achava que parecia uma mandala zen budista, porque era muito enxuta e com poucos elementos", lembra. "O lançamento foi uma festa super linda, e uma coisa peculiar foi que o Massao me pagou em dólares, no meio da noite!"

Anos depois, a editora Nankin organizou o primeiro volume do Teatro Reunido de Hilda, que trazia na capa mais uma mandala de Olga esta, ao contrário da minimalista do Cantares, mais colorida e cheia de elementos. Foi mais ou menos nessa época, no início dos anos 2000, que o cantor Zeca Baleiro iniciou sua parceria com Hilda para musicar os poemas de "Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio", CD lançado em 2005. "Eu já sabia que a Hilda gostava das minhas coisas, então eu queria fazer a capa do CD. Mostrei para o Zeca todas as pinturas que eu tinha em pastas, mas combinamos que eu faria uma coisa nova que fosse a cara do disco", conta Olga.

A artista e Mora Fuentes, responsável pelo projeto gráfico do álbum, tentaram fazer uma colagem com fotografias da escritora. "Ao mesmo tempo que idealizávamos essa capa, eu estava pintando uma tela que a Hilda achava linda. Não pensei que aquilo serviria para a capa, mas em determinado momento eu olhei para a pintura e pensei: vai dar super certo, isso é a capa do CD." O trabalho rendeu, inclusive, o prêmio Tim de 2006, na categoria Projeto Visual. "Fiz até uma piada na época: nem Hilda Hilst, nem Zeca Baleiro, mas eu era o nome daquele ano!", brinca Olga.

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