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    Cidades Culturais - O Impacto do Investimento Social Privado

    Fazendo um paralelo com o impacto ambiental que a instalação de uma fábrica causa a determinada localidade, podemos imaginar um impacto cultural?

    | ACidade ON

     

    Cidades e a Cultura

    Fazendo um paralelo com o impacto ambiental que a instalação de uma fábrica causa a determinada localidade, será que podemos imaginar um impacto cultural causado nessa mesma localidade? O que acontece com a Cultura de um lugar após a chegada de uma estrada de ferro, ou do telégrafo, de uma autoestrada moderna, ou de uma empresa com 500 novos empregos e outros 500 novos empregados "forasteiros"?  

    Quando uma empresa instala sua fábrica numa pequena cidade do interior do país, é preciso entender os impactos sobre aquela cultura e avaliar como as mudanças na identidade daquela comunidade poderão afetar o seu negócio no médio e longo prazos. Não quero advogar aqui que as culturas devam ser congeladas no tempo, mas é imprescindível garantir que os impactos culturais sejam mais positivos que negativos. De fato, os impactos positivos do investimento em Cultura em determinada comunidade trazem efeitos salutares para o negócio da empresa investidora. 

    A comunidade que se reconhece em sua história e seus legados, que preserva seu passado e discute seu presente de forma salutar e até mesmo divertida, que sabe sonhar e extravasa seus medos com maturidade é uma comunidade estável e ao mesmo tempo dinâmica. Essa comunidade conseguirá encontrar soluções para seus dilemas e desafios de desenvolvimento. E um ambiente social estável e dinâmico é sempre bom para os negócios.  

    É importante também que os colaboradores que vivem numa cidade onde está instalada sua empresa sejam felizes, tenham opções de lazer saudável e ao mesmo tempo vibrante, sintam-se bem numa cidade onde há vida inteligente e onde vale a pena trabalhar. Felicidade é algo muito difícil de se medir, mesmo utilizando ferramentas qualitativas. Não podemos, no entanto, assumir que "felicidade" não exista por que não temos a capacidade de medi-la. Precisamos evoluir nesse sentido. 

    Há ainda as potencialidades de desenvolvimento econômico do investimento em Cultura. O Turismo é fortemente intensivo em temas culturais e artísticos e é um multiplicador econômico tão intensivo em pessoas quanto as Artes e a Cultura propriamente ditas. Com melhor formação e alto nível de criatividade e imaginação, numa cidade em que o interesse de permanecer só cresce, os novos negócios prosperam e trazem mais renda. Mais importante ainda, o fortalecimento do Turismo Cultural traz recursos de fora da cidade, incrementando a economia da cidade como um todo.  

    Existem impactos negativos sobre a Cultura local, que podem ser mitigados com investimento social responsável, mas para isso é necessário estudo e planejamento. Numa próxima oportunidade tentarei abordar diretamente esse aspecto mitigador do investimento. O fato é que investir em cultura não é tão somente uma questão de retorno à sociedade. É um olhar de longo prazo do investimento, no retorno para os acionistas ou sócios no longo prazo. Para continuar dando retorno ao investimento daqui a 30 ou 50 anos é fundamental garantir o melhor desenvolvimento da sociedade.
      
    Renato Musa é Consultor de Negócios Culturais, diretor executivo da RMusa Responsabilidade Cultural e Diretor do Instituto Hilda Hilst. Escreve às quintas-feiras.


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