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Curadoria Hilst
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    Brincadeira, Jogo e Arte - O que nos Faz Humanos

    Nós, os sapiens sapiens, vencemos a corrida evolutiva contra os demais hominídeos graças à nossa capacidade artística. Sobreviveríamos sem ela?

    | ACidade ON

     

    Homo Sapiens Sapiens

    Há muito tempo vivo incomodado com a obrigação de se incluir em projetos culturais alguma "contrapartida" social. Como se, ao propor alguma ação cultural, o autor estivesse pedindo que alguém o ajude a realizar seu sonho de artista. 

    Isto está impregnado até mesmo no pensamento dos redatores e avaliadores de editais públicos e das leis de incentivo à Cultura, como se a Arte não fosse em si uma ação social. Como se Arte fosse um luxo ou algo de pouca importância diante de um país com tanta desigualdade. Uma atividade subalterna a Educação, à Saúde e a obtenção de renda.  

    Não é assim. A Arte está na brincadeira da criança (e do adulto), na criação da indústria, no diálogo entre as nações. Uma sociedade saudável protege, produz e usufrui da Arte. A "boa" Arte, a Arte "alta", aquela da qual se ouvirá falar ainda daqui a 100 anos, só acontece onde há muita arte sendo feita pela maior quantidade possível de pessoas e sendo usufruída também por uma parcela grande da população. 

    Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Econômico, Desenvolvimento Ambientalmente Sustentável. A Arte pode contribuir com tudo isso e mais, pois é ao fazer Arte que o ser humano se torna efetivamente humano. É brincando, jogando e criando, que o ser humano liga seu impulso de transformação ao seu impulso de conservação, liga o desejo de ser mais à sua identidade de se saber quem é; a felicidade de agir ao ideal de perfeição.

    É na Arte que nos tornamos completos. Humanos criativos, inteligentes, com grande capacidade de empatia e emocionalmente bem resolvidos. Se ainda por cima estivermos felizes e com nossa autoestima efervescente, somos melhores ainda.

    Arte é Desenvolvimento Humano. Investir em Arte é investir no presente, no passado e no futuro.

    Não é mágica. É Arte.
     

    Renato Musa é Consultor de Negócios Culturais, diretor executivo da RMusa Responsabilidade Cultural e Diretor do Instituto Hilda Hilst. Escreve às quintas-feiras.

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