Aguarde...
Curadoria Hilst
  • +

    Curadoriahilst

    ESG - Tempo, Tempo, Mano Velho

    O conceito da moda no momento é ESG, mas na verdade estamos falando de Tempo

    | ACidade ON

    "Tempo perdido nunca é reencontrado" Benjamin Franklin

    O conceito da moda no momento é ESG Environmental, Social and Corporate Governance, ou Ambiental, Social e Governança Corporativa. Está na moda por que grandes empresas de consultoria de investimento e alocação de recursos estão impulsionando o desenvolvimento de políticas de Responsabilidade Corporativa das empresas. Basicamente, é o seguinte: quem não estabelecer políticas claras nesse sentido não receberá meus investimentos ou os investimentos daqueles a quem eu assessoro.  

    Mas, afinal, o que isso tem a ver com o tempo?  

    Quando o meio-ambiente e as preocupações científicas com os impactos ambientais entraram para o trabalho de administradores de empresas, instituições e corporações, a resistência foi grande. Isto por que se tratava de um novo custo que diminui o resultado das empresas e, portanto, o retorno do acionista ou do dono da empresa. Também por que parecia um desvio completo do propósito de qualquer empresa. A solução finalmente apareceu quando alguém incluiu a variável do tempo na equação.  

    De fato, quando se olha para o resultado de uma empresa no longo prazo percebemos a estupidez de realizar lucros maiores hoje e destruir os lucros no futuro. Especialmente se você é o dono da empresa ou investe em ações de uma corporação, o resultado deve vir e precisa continuar vindo por muito tempo.  

    Aplique-se a mesma lógica aos custos sociais, culturais e humanos e o que temos é o ESG. Se o propósito de uma empresa é dar retorno econômico e financeiro para seus acionistas, que o faça hoje e sempre.  

    E, assim, faz sentido para a empresa zelar pela preservação e desenvolvimento do patrimônio ambiental e cultural, ocupar-se de desenvolver humanos (colaboradores, fornecedores e consumidores) - capazes de criar, produzir e escolher produtos e serviços de melhor qualidade e pagar preços justos - e investir na harmonização dos desequilíbrios sociais e econômicos no conjunto da população.  

    Empresas que investem em Cultura e Arte estão, portanto, entre aquelas que vão sobreviver oferecendo resultado aos acionistas por mais tempo.
      
    Renato Musa é Consultor de Negócios Culturais, diretor executivo da RMusa Responsabilidade Cultural e Diretor do Instituto Hilda Hilst. Escreve às quintas-feiras.

    Mais do ACidade ON