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Em semana de largada da reforma da Previdência na Câmara, Onyx se ausenta e viaja à Antártida

| FOLHAPRESS

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na semana em que a reforma da Previdência terá largada na Câmara, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, responsável pela articulação com o Legislativo, se ausentará de Brasília. Ele foi escalado pelo presidente Jair Bolsonaro para uma viagem oficial à Antártida, onde visitará o Programa Antártico Brasileiro para a inauguração da infraestrutura de telecomunicações. Segundo a assessoria da Casa Civil, Onyx viajou ao local para representar o presidente e de lá fará uma ligação para Bolsonaro, dando início ao funcionamento da estrutura de telecomunicação da estação científica brasileira, destruída por um incêndio em 2012. A viagem do ministro foi alvo de críticas de parlamentares, que têm se queixado do atendimento dado pelo Palácio do Planalto no início do governo. Em meio às reclamações, a equipe de Bolsonaro busca formas de apaziguar os ânimos e ampliar sua base de apoio no Congresso com o objetivo de aprovar pautas consideradas prioritárias, em especial, a Previdência. É preciso ainda destravar as nomeações para cargos nos estados, o que Bolsonaro prometeu fazer a lideranças do Legislativo logo depois do Carnaval. Em reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no sábado (9), Bolsonaro foi alertado que não será possível conquistar os 308 votos necessários para aprovar o texto na Casa sem que o Planalto faça sinalizações e concessões aos partidos. O governo trabalha com a necessidade de construir uma base de apoio entre 320 e 330 deputados para ter alguma margem de folga. Porém, conta com apenas 160 deputados com apoio garantido à proposta enviada ao Congresso em fevereiro. Um outro bloco, de 100 parlamentares, é acompanhado com cuidado por assessores do Planalto e do Ministério da Economia. Esse grupo intenção de votar de forma favorável à proposta, mas reconhece dificuldades em apoiar pontos como as mudanças no BPC e na aposentadoria para trabalhadores rurais. Para se chegar aos 330 votos, é necessário conquistar o apoio de 70 votos deputados. Bolsonaro ouviu de Maia que esse número dependerá de que sejam aceleradas as nomeações para cargos. Após impasses nas indicações dos partidos, a Câmara instala na próxima quarta-feira (13), a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O governo espera com ansiedade o início dos trabalhos da comissão, já que é por ela que passará primeiro a proposta de emenda constitucional da reforma da Previdência. Com uma base de apoio ainda indefinida, o governo ainda não tem os votos necessários na Câmara para aprovar o texto. Maia é o principal articulador da proposta por ter bom trânsito com diferentes setores do Congresso, em especial com a esquerda. Além disso, ele tem contato diário com o ministro da Economia, Paulo Guedes. A relação de Maia e Onyx, embora ambos sejam do DEM, é ruim por divergências de ambos no passado. A ausência do chefe da Casa Civil esta semana de Brasília pode dar ao presidente da Câmara ainda mais espaço nas negociações, enfraquecendo o ministro, alvo de queixas do Congresso. Onyx enfrenta dificuldades dentro da própria pasta. Ele perdeu na sexta-feira (8) um de seus principais aliados, Pablo Tatim, que teve sua exoneração publicada no Diário Oficial da União. Desde o período transição, Tatim foi alvo de críticas de militares por suspeitas de irregularidades envolvendo seu nome. Onyx queria inicialmente indicá-lo para a SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos), a mais importante subchefia da Casa Civil, por onde passam todos os atos assinados pelo presidente da República. Após desgaste, o ministro perdeu a disputa e Jorge de Oliveira, ex-assessor de Bolsonaro na Câmara, foi escolhido para o cargo. Coube a Tatim então assumir a Subchefia de Assuntos Governamentais. A Casa Civil nega desgaste e alega que ele saiu do cargo a pedido para ocupar um posto na Funasa no Rio Grande do Norte, onde vive a família de sua esposa.

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