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ACidade ONEconomiaEntenda a autonomia do Banco Central e os mandatos fixos de presidente e diretores

Entenda a autonomia do Banco Central e os mandatos fixos de presidente e diretores

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A lei que confere autonomia ao Banco Central, aprovada e sancionada em fevereiro deste ano, traz como principal mudança a determinação de mandatos fixos ao presidente e aos diretores da autarquia.
O argumento para a nova lei é que o mandato fixo tem como objetivo blindar o BC de interferências políticas. A diretoria colegiada da autoridade monetária é formada por nove integrantes, incluindo o presidente do órgão.
Quase dois meses depois da aprovação da nova legislação, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi nomeado para permanecer no cargo até 31 de dezembro de 2024, já sob o regime da nova legislação. Segundo a nova regra, ele poderá ter o mandato renovado apenas uma vez.
O decreto com a mudança foi publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (20).
A nova regra também desvincula o BC do Ministério da Economia. A autoridade monetária passa a ser autarquia de natureza especial, sem ligação com qualquer pasta da Esplanada dos Ministérios.
A legislação inclui ainda entre as obrigações secundárias da autoridade monetária fomentar o emprego e suavizar oscilações na atividade econômica. O controle da inflação, no entanto, permanece como objetivo principal. O BC também precisa prover estabilidade ao sistema financeiro.
Além de Campos Neto, o decreto desta terça manteve a atual diretoria da autoridade monetária, que passa ter mandatos em períodos diferentes. Confira quando expira os mandatos de cada diretoria e quem ocupa o cargo:
Política econômica (Fábio Kanczuk) – até 31 de dezembro de 2021
Organização do sistema financeiro (João Manoel Pinho de Mello) – até 31 de dezembro de 2021
Política monetária (Bruno Serra Fernandes) – até 28 de fevereiro de 2023
Fiscalização (Paulo Sérgio Neves de Souza) – até 28 de fevereiro de 2023
Relacionamento, cidadania e supervisão de conduta (Maurício Costa de Moura) – até 31 de dezembro de 2023
Assuntos internacionais (Fernanda Nechio*) – 31 de dezembro de 2023
Administração (Carolina de Assis Barros) – até 31 de dezembro de 2024
Regulação (Otávio Ribeiro Damaso) – até 31 de dezembro de 2024

ENTENDA O QUE MUDA NA AUTORIDADE MONETÁRIA
O que é Banco Central do Brasil? É a autoridade monetária do país. A autarquia é responsável pela emissão de dinheiro, pela condução da política monetária -com a definição da meta da taxa básica de juros (Selic)-, e pela elaboração de normas, fiscalização e organização das instituições financeiras, como bancos, cooperativas, financeiras e fintechs.

Quando a lei de autonomia foi aprovada e por quê?
Com o objetivo de blindar a instituição de interferências políticas e criar mandatos fixos, o projeto de lei era de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM) e foi aprovado pela Casa em novembro de 2020. O texto seguiu para votação na Câmara, que ocorreu em fevereiro de 2021 e em seguida foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
O que significa autonomia do Banco Central? A nova regra desvincula o BC do Ministério da Economia e o órgão passa a ser autarquia de natureza especial. A principal mudança é a criação de mandatos fixos de quatro anos, com possibilidade de uma recondução. O presidente do BC toma posse no terceiro ano do mandato do presidente da República, e os diretores ingressam de forma escalonada.

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Quais são as atribuições legais?
O controle da inflação é o objetivo principal do BC, que também é responsável por prover estabilidade para o sistema financeiro do país. A lei de autonomia incluiu entre suas obrigações secundárias fomentar o emprego e suavizar oscilações na atividade econômica.

Como é feito o controle da inflação?
Por meio da política monetária, com a definição da meta da taxa básica de juros. Quando a inflação está alta, o Copom (Comitê de Política Monetária) sobe os juros com o objetivo de reduzir o estímulo na atividade econômica, o que diminui o consumo e equilibra os preços. Caso contrário, o BC pode reduzir juros para estimular a economia.

Qual é a composição da diretoria?
A diretoria tem nove membros, sendo um deles o presidente. Os diretores atuam em áreas específicas, como fiscalização, regulação e política econômica, por exemplo. Todos têm voto no Copom, que decide a taxa Selic a cada 45 dias.

Como fica o primeiro mandato fixo?
O presidente e dois diretores terão mandatos até 31 de dezembro de 2024. Dois diretores terão mandatos até 31 de dezembro de 2023, outros dois até 28 de fevereiro de 2023 e os outros dois terão mandatos até o dia 31 de dezembro de 2021.
Como o presidente e membros da diretoria são indicados? A escolha é feita pelo presidente da República. Os indicados passam por sabatina no Senado Federal e precisam de aprovação em plenário.

Os membros da diretoria podem ser demitidos?
O presidente e os diretores do BC podem ser exonerados a pedido ou caso sejam acometidos de uma doença que incapacite o exercício do cargo. Além disso, podem ser demitidos se condenados, mediante decisão transitada em julgado -quando não cabem mais recursos- ou proferida por órgão colegiado, pela prática de improbidade administrativa ou de crime cuja pena proíba, temporariamente, o acesso a cargos públicos. Podem também deixar o cargo quando apresentarem desempenho insuficiente para alcançar os objetivos do BC, com decisão do presidente da República, mas precisam do aval do Senado em votação secreta.

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Quais são os argumentos dos defensores da autonomia?
A justificativa é que o mandato fixo e as demissões dificultadas têm o objetivo blindar a instituição de interferência política. A mudança era uma promessa de campanha de Bolsonaro, mas o assunto foi debatido em outros governos. A autonomia foi tema de diversas propostas que tramitaram no Congresso desde 1989 e já foi defendida por vários presidentes da autarquia.

Quais são os argumentos de quem é contra?
Opositores ponderam que a autonomia afasta do Estado a função de regular o sistema financeiro, o que poderia abrir caminho para que prevalecessem os interesses do mercado. Há também o argumento de que caberia ao governo participar de decisões de política monetária em algumas situações.

Como funcionava antes da autonomia?
Os mandatos não eram fixos e os membros da diretoria não tinham prazo estipulado para permanecerem nos cargos. Além disso, poderiam ser demitidos por iniciativa do presidente da República, sem aval do Senado. O BC também não tinha objetivos secundários de fomentar o emprego e olhar para a atividade econômica.

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