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ACidade ONEconomia'Nunca escutei tanta besteira no Brasil', diz coautor de antologia

‘Nunca escutei tanta besteira no Brasil’, diz coautor de antologia

‘Nunca escutei tanta besteira no Brasil’, diz coautor de antologia

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Sete anos depois, os economistas Fabio Giambiagi e Gustavo Franco estão de volta às livrarias com o segundo volume do livro de citações Antologia da Maldade (Zahar). O lançamento será marcado por uma sessão de autógrafos com os autores no dia 24, no Rio.

Organizadas em verbetes, as citações são frases de artistas, jornalistas e políticos, entre outros, que ganharam destaque no noticiário, além de clássicos da literatura, da ciência e da filosofia. As páginas trazem associações maliciosas, irônicas, maldosas, ou venenosas – para ficar na definição dos autores.

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“Muito da maldade, ou do veneno, reside em se abduzirem as frases de seu local de origem: tirá-las de seu contexto original de forma maldosa, eis a receita, e os verbetes procuram auxiliar o leitor quando tiver a necessidade de praticar a arcana arte do envenenamento verbal ou escrito”, escrevem Franco e Giambiagi, na apresentação.

Se o estilo foi mantido, o cenário político, cultural e até sanitário – por que não? – do País é outro. “Onde tínhamos ‘contabilidade criativa’ e ‘pedaladas’, bem como a armazenagem do vento, agora temos outras esquisitices, como o ‘negacionismo’ e aquelas decorrentes da polarização política extrema, sem esquecer as vacinas que convertem seres humanos em jacarés”, diz outro trecho da apresentação.

‘Um país estressado’

A diferença aparece também no subtítulo de cada volume. No primeiro, era Um dicionário de citações, associações ilícitas e ligações perigosas. Agora é Epígrafes para um país estressado. Se o momento do País parece mais grave, para os autores, a ironia pode servir para “aguçar o senso de ridículo” dos exageros atuais, dialogando com “a realidade de um país nervoso, meio dilacerado em refeições familiares que terminam em gritos e palavras amargas de recriminação” e nos quais “todos ralham e ninguém mais se entende”.

Ao Estadão, Giambiagi disse que os dois contextos são muito ruins, mas o momento atual é pior. Em 2015, “havia uma situação econômica terrível”. O humor, então, “era uma forma de ajudar a nós e aos leitores a lidar com essas angústias do dia a dia”. Agora, continua o economista, “o buraco é mais embaixo”, porque o País “regrediu”.

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“Primeiro, em termos políticos: naquela época se discutiu um impeachment dentro das quatro linhas do campo de jogo e agora estamos discutindo se o resultado das urnas será aceito, ou não, pelo perdedor. Segundo, em termos civilizatórios: antes lidávamos com as frases às vezes ridículas da (ex-presidente) Dilma (Rousseff) e agora estamos lidando com a barbárie, como a indiferença diante da morte de quase 700 mil pessoas, do desmatamento da Amazônia etc. E terceiro, em termos mentais: eu nasci aqui, mas fui para a Argentina com apenas 10 meses de idade e voltei com 14 anos. Em 46 anos de Brasil, nunca escutei tanta besteira como nos últimos quatro anos e nunca vi tantas pessoas desqualificadas emitindo opiniões absurdas sobre temas relevantes. Vale a frase citada no texto, do Augusto Frederico Schmidt, ‘o Brasil virou um país considerado idiota’. Isso entristece”, disse Giambiagi.

Verborragia de Guedes

Assim como no primeiro volume, Franco e Giambiagi não poupam os colegas economistas da ironia, mas, no segundo volume, chama a atenção a profusão de frases do ministro da Economia, Paulo Guedes. Questionado se o fato de Guedes – conhecido pela língua ferina – estar no comando da política econômica elevou a quantidade de veneno destilado contra os colegas economistas, Giambiagi citou um antigo político mineiro, sem dar nomes: “Criticar o governo é tão gostoso que não deveria ser privilégio da oposição”.

“Guedes levantava a bola com as frases dele, e a gente chutava em gol. Observe que no Maldades 1 havia apenas duas frases do Pedro Malan (ministro da Fazenda de 1995 a 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso) e ambas eram bem interessantes, uma delas aquela famosa de que aqui (no Brasil) ‘até o passado é incerto’. Por quê? Porque o Pedro foi um ministro que ficou oito anos no cargo e não cometeu um único deslize verbal”, disse Giambiagi.

No cenário atual, uma citação do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, sobre os rumos do País diante das eleições gerais de outubro – “Não tem graça votar no Bolsonaro para derrotar o Lula e agora votar no Lula para derrotar o Bolsonaro” – é “um fiel retrato de época”, segundo Giambiagi. “Se você perguntasse aos eleitores de Bolsonaro em 2018 por que votavam nele, a resposta era: ‘Para não ter o PT no Poder’. E hoje a campanha do PT é para quê? Não para eleger uma proposta programática, pois esta é um mistério, e, sim, ‘para tirar o Bolsonaro do Poder’. O Sardenberg reportou uma realidade inegável, um dado da realidade”, afirmou o economista.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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