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ACidade ONEconomiaPara atender procura por barcos de luxo, elevamos estoque e turno, diz fabricante

Para atender procura por barcos de luxo, elevamos estoque e turno, diz fabricante

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Para atender a demanda por barcos de luxo que explodiu na pandemia, a Intermarine contratou um segundo turno e se preparou com um nível inédito de estoque de insumos de alto valor agregado, como são os motores das embarcações.

Com dezenas de itens de diferentes fornecedores, a escassez de matéria-prima que atinge muitos setores é uma questão sensível na produção dos barcos, segundo Roberta Ramalho, presidente da empresa. Além de vidro e aço, até espuma faltou.

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“Até a compra de motores nós antecipamos e estamos com um estoque de bens extremamente caros para atender as datas de entrega. Essa compra antecipada de tanta coisa nos dá a segurança de implantar um segundo turno, porque não adianta eu estar com o pessoal aqui esperando para poder trabalhar. O objetivo é acelerar”, afirma.

Folha – O que aconteceu com o mercado de barcos de luxo na pandemia? 

Roberta Ramalho – Acelerou muito o amadurecimento do mercado náutico, mas trouxe vários problemas, além das questões intrínsecas da pandemia. Nos obrigou a criar um estoque. A Intermarine fez uma compra enorme de motores para garantir as entregas. A gente se adaptou muito rápido. Temos seis fábricas. Produzimos de forma vertical as embarcações, o que nos permite uma agilidade maior e menor dependência de terceiros. Mas o mundo inteiro está com dificuldade em insumos.

Folha – Esse aumento do estoque tem relação com a falta de insumos que atingiu tantos setores? 

Roberta Ramalho – O barco tem de 30 mil a 50 mil itens. Influencia. Nosso fornecimento é global, desde inteligência até insumos. E sofremos desde a matéria prima-básica até os produtos finais. Muita coisa absorvemos na produção, mas tem aço, vidro. Até espuma, foi tudo para colchão de hospital.

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Juntou um aumento de demanda de outros mercados com a dificuldade de produzir. Antes, colocávamos um número de pessoas para montar a cabine de um barco. Hoje tem restrição por ambiente, com protocolo.

Para nós, fazer estoque é sempre caro. Nosso insumo e bem de produção têm valor agregado alto. Como quando começamos a investir em um estoque de motor, por exemplo. Como tomamos decisões pensando no cliente, até a compra de motores nós antecipamos e estamos com estoque de bens extremamente caros para atender a data de entrega.

Essa compra antecipada de tanta coisa nos dá a segurança de implantar um segundo turno, porque não adianta eu estar com o pessoal aqui esperando para poder trabalhar. O objetivo é acelerar.

Folha – Há quanto tempo vocês não sentiam essa alta demanda?

Roberta Ramalho – O setor deve ter vindo de uma sequência de baques em 2009 e em 2014?  O aumento da demanda é geral nesse mercado. Mas a Intermarine está em um segmento específico, de esporte e lazer, e em um nicho restrito. O nosso menor barco é de 45 pés, que é um barco grande. Uma Intermarine hoje pode custar de R$ 5 milhões a R$ 55 milhões, depende muito.

Não dá para categorizar, mas é um cliente que sofre muito mais pela crise de confiança do que a financeira.

Acho que tem uma questão que não tem a ver com mercado. Aprendemos a nos permitir, a valorizar mais a vida, o lazer. Se tem uma coisa que o barco proporciona para quem tem o privilégio de ter um barco é esse vínculo com a vida, com a família, ter uma qualidade de tempo. Juntou três coisas: o privilégio da nossa costa, a restrição de estar no Brasil com esse clique de que a vida precisa ser vivida.

Folha – Além disso tem alguma outra coisa que pode ter favorecido, como o patamar dos juros? 

Roberta Ramalho – Com certeza. Se comparar com outros barcos do mundo em dólar, virou um barco barato para o brasileiro. Com o dinheiro não rendendo tanto no banco e você querendo viver, não viajando, estimula. Mas para o nicho da Intermarine, de um preço alto, a vontade incentiva mais do que a questão financeira.

Folha – Você mencionou as incertezas, como o seu cliente vê esse momento que estamos vivendo agora, com a dificuldade do país na pandemia? 

Roberta Ramalho – Pela primeira vez, eu acho que ele está olhando mais para a família e para ele mesmo, para o tempo, para a vida, do que se preocupando com essas periferias na tomada de decisão do lazer. Dessa vez, não é o que está influenciando. Muitas vezes, eleição, crises políticas, interferiram muito. Dessa vez, não.

Folha – A demanda começou a subir em 2020. Continua neste ano? 

Roberta Ramalho – Continua. Não teve nenhuma desaceleração.

Folha – Como estão as encomendas? 

Roberta Ramalho – Estou com os dois anos do programa de produção sold out [esgotados]. Para este ano e para o próximo já não consigo absorver. Começamos, neste mês, o segundo turno. Ainda dependemos do insumo para conseguir aumentar a velocidade. Se tivermos fornecimento de material, nosso plano realmente é acelerar e crescer.

Folha – Abrir uma nova planta está no radar? 

Roberta Ramalho – Não precisamos abrir uma nova. Temos uma estrutura. O maior pátio náutico da América Latina é da Intermarine. Temos 50 mil m² aqui e ainda um pedaço do estaleiro fica no Guarujá (SP), que é onde fazemos a montagem final, perto da água, e as entregas. Mas para velocidade de produção e tempo, sim, havendo possibilidade e material. Já começamos um segundo turno e temos toda a competência para acrescentar um terceiro.

Folha – E o número de contratação? 

Roberta Ramalho -Estamos com mais de 700 colaboradores. No segundo turno, tivemos a contratação de mais de 100 pessoas. ​

*Roberta Ramalho é formada em economia pela PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas). Tem 27 anos e comanda a Intermarine desde 2013.

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