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Craque no Brasil e herói no Peru, Didi morreu sem treinar seleção

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Waldir Pereira, o Didi, definitivamente não sabia, mas o gol de falta que marcou diante do Peru, em 1957, no Maracanã, encaminharia os rumos da sua carreira.Esse gol entrou para a história como a "folha seca", um modo singular de cobrar faltas em que a bola, assim que encobria a barreira, caía repentinamente, ganhando velocidade e tirando dos goleiros tempo para reagir.Graças a essa vitória, o Brasil assegurou a classificação à Copa do Mundo de 1958, na qual conquistaria seu primeiro título mundial. Didi, maestro do meio-campo brasileiro, foi considerado um dos melhores jogadores do torneio, que assistiu ao nascimento de Pelé para o grande cenário do futebol.Na decisão contra a Suécia, Liedholm aproveitou uma falha da defesa do Brasil para abrir o placar. Didi foi buscar a bola no fundo do gol, colocou-a debaixo do braço e caminhou, sem pressa, até o círculo central.A lenta caminhada, com a bola em seu domínio, foi a forma que encontrou de tranquilizar os companheiros, como se dissesse: "Está tudo bem, vamos virar". A partida terminou 5 a 2.Aos 33 anos e já no fim de carreira, Didi foi à Copa do Mundo de 1962, da qual voltou com o bicampeonato mundial.Antes disso, porém, ainda no segundo semestre de 1962, o "Príncipe Etíope" —como o chamava o escritor Nelson Rodrigues— teve uma rápida experiência como jogador-treinador do Sporting Cristal, do Peru. Foi vice-campeão pelo clube, mas retornou ao Brasil para curtas passagens por Botafogo e São Paulo, além de nova experiência no exterior com o Veracruz, do México.Tendo pendurado as chuteiras após fazer os últimos jogos de sua carreira no clube do Morumbi, Didi retornou ao Peru, novamente para comandar o Sporting Cristal. Conduziu a equipe à conquista nacional em 1968.O trabalho à frente do time o levou à seleção peruana com a missão de classificar os andinos ao Mundial de 1970, no México. Nas eliminatórias, então disputadas em formato de grupos, caiu na chave com Argentina e Bolívia. Empate em 2 a 2 com os argentinos na Bombonera confirmou a vaga na Copa do Mundo.No México, os peruanos realizaram uma campanha histórica. Venceram Bulgária e Marrocos e perderam para a Alemanha na primeira fase. Nas quartas de final, encontraram o Brasil, que seria campeão do mundo, e venderam caro a derrota por 4 a 2.​Didi deixou o Peru ainda em 1970 e prosseguiu com sua trajetória no comando técnico, passando por países como Argentina, Turquia e Arábia Saudita, além dos trabalhos no Brasil. Herói no país, foi ele que recomendou à federação local o nome de Elba de Pádua Lima, o Tim, para que comandasse a seleção peruana no Mundial de 1982.Na metade da década de 1980, o ex-jogador alimentou o sonho de assumir a seleção brasileira. Na edição de 25 de março de 1984, o jornal Folha de S.Paulo trazia no caderno de Esportes uma matéria com o título "Parreira deve sair, Didi na espera"."Já tenho na cabeça a escalação da seleção brasileira. Mas não vou dar o time agora. Se realmente for chamado para o lugar do Carlos Alberto Parreira, na hora em que anunciarem o meu nome como técnico da seleção, a primeira coisa que faço é dar o nome dos titulares e reservas", disse ao jornal, como fizera João Saldanha assim que assumiu o comando da equipe nacional, em 1969.Didi ainda afirmou que seu sonho era encerrar a carreira de treinador com o trabalho na seleção e que, sob seu comando, o Brasil teria vencido a Itália no Mundial de 1982, dois anos antes da entrevista à Folha de S.Paulo.O desejo, porém, não se concretizou. Waldir Pereira ainda trabalhou em algumas equipes até a década de 1990, quando se despediu do futebol.Morreu em 2001, vítima de falência múltipla de órgãos, resultado de complicações provocadas por um câncer no fígado. Apenas dois companheiros de seleção brasileira (Orlando e Vavá) foram ao enterro, custeado pela CBF. O velório, organizado em General Severiano, sede do Botafogo, não contou com a presença de nenhum dirigente do clube.O Real Madrid (ESP), onde jogou Didi nos anos 1960, jogou de luto no dia anterior contra o Espanyol. O River Plate (ARG), equipe treinada pelo "Príncipe Etíope" e que tem a camisa de faixa transversal vermelha, assim como a do Peru, enviou uma coroa de flores.

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