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Torcida foi de vaias no início a apoio na reta final da Copa América

| FOLHAPRESS

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A seleção brasileira começou a Copa América sob vaias e a terminou sob aplausos. Desde a preparação, sabia-se que não seria fácil a relação com a torcida na competição, disputada no Brasil, e a comunhão com as arquibancadas só foi obtida definitivamente a partir da vitória sobre a arquirrival Argentina na semifinal. Os amistosos anteriores ao torneio mostravam alguma distância. O público foi bom no duelo com o Qatar, em Brasília, mas o estádio Mané Garrincha se esvaziou ainda durante o jogo, após a lesão de Neymar. A partida seguinte exibiu um cenário pior: só 16.521 foram ao Beira-Rio, em Porto Alegre, ver a vitória por 7 a 0 sobre Honduras, o número mais baixo em um jogo da seleção no país desde 2001. "Minha expectativa era mais. Eu pensei que teria mais gente. Não sei dizer o porquê. Se fosse um jogo da Copa América, valendo, talvez pudesse trazer um apelo maior", disse o técnico Tite, que também não encontraria casa cheia no Morumbi na abertura do campeonato. Ainda assim, com preços altíssimos, os 46.342 pagantes que foram ao estádio para o duelo da seleção com a Bolívia proporcionaram a maior renda da história do futebol brasileiro, mais de R$ 22 milhões. Quem pagou, em média, R$ 485 se sentiu no direito de vaiar ao fim do primeiro tempo sem gols em São Paulo. O triunfo por 3 a 0 construído na etapa final calou os apupos, que voltaram com força na segunda rodada, em Salvador, no empate por 0 a 0 com a Venezuela. Houve até gritos de "olé" irônicos, entoados a cada passe dos visitantes no fim do confronto. Àquela altura, estava claro que não se tratava de uma questão regional. Entre a primeira e a segunda partida, o baiano Daniel Alves dissera que é sempre difícil jogar em São Paulo e previra "um axé diferente" em sua terra, o que não se concretizou. Em qualquer campo, a exigência era por triunfos convincentes. Por isso, a torcida fez festa com a vitória por 5 a 0 sobre o Peru, que fechou a primeira fase, novamente em São Paulo. Everton se estabeleceu como o xodó da galera e teve o apelido Cebolinha gritado pelos torcedores, que se divertiram também provocando Guerrero -ex-jogador do Corinthians, dono do estádio de Itaquera. Ainda era, porém, uma paz apenas temporária. A torcida reagia ao resultado, não apoiava a equipe em busca dele. Esse cenário ficou claro ao término do empate por 0 a 0 com o Paraguai, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, nas quartas de final. Foi sob vaias que a seleção se preparou para a disputa por pênaltis, vencida por 4 a 3. Foi necessário que o Brasil encontrasse seu arquirrival para que as arquibancadas apresentassem um comportamento mais próximo do exibido pelos torcedores de clube. No Mineirão, em Belo Horizonte, os torcedores cantaram bastante antes do jogo, durante o clássico e após o triunfo por 2 a 0 que colocou os donos da casa na decisão. "A gente trouxe a torcida para o nosso lado. Isso foi muito importante para a gente dentro da competição. A gente cresceu na hora certa e conquistou esse apoio com o nosso futebol", disse Everton, sempre o mais festejado nos momentos em que a escalação verde-amarela era anunciada no placar. Já o técnico Tite chegou a ser alvo de vaias quando seu nome apareceu no telão antes da semifinal. Mas a seleção derrotou a Argentina e selou sua paz com o público. Com o título pertinho, já não havia motivo para abusar na exigência na decisão contra o Peru, neste domingo (7), na qual a conquista foi confirmada com a vitória por 3 a 1. Assim, pela quinta vez em cinco edições nas quais o Brasil sediou, a seleção premiou a torcida com o troféu, desta vez erguido no Maracanã, no Rio de Janeiro. Também campeão em casa em 1919, 1922, 1949 e 1989, o time fez novamente a festa diante de seus torcedores.

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