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Campeão, francês Hugo Lloris é o quarto goleiro a levantar a taça da Copa

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Campeão da Copa do Mundo com a França, o goleiro e capitão francês Hugo Lloris entra para a história dos Mundiais como o quarto camisa 1 a levantar o troféu. Antes dele, Iker Casillas havia sido o capitão da Espanha campeã em 2010, na África do Sul.  Os outros dois goleiros que receberam o troféu das mãos da Fifa foram os italianos Dino Zoff, em 1982, e Gianpiero Combi, em 1934. Há oito anos, Hugo Lloris fazia parte da escória. Ele foi um dos jogadores a voltar para a França sob o signo da vergonha após a queda na primeira fase da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O problema não foi nem a eliminação em si, mas a forma como a seleção se desintegrou durante o torneio, com Anelka enviado de volta para casa após xingar o técnico Raymond Domenech e o elenco ficar à beira do motim. Foi uma bela revanche ser o capitão francês a levantar o troféu da campeão mundial neste domingo (15), após a vitória sobre a Croácia por 4 a 2, em Moscou. "É a minha terceira Copa do Mundo. A gente nunca sabe se terá outra chance. Desde que chegamos à Rússia, sabíamos que nosso momento era agora", disse o jogador, um dos homens de confiança do técnico Didier Deschamps. O treinador é fã não apenas do goleiro que, segundo a avaliação de Diego Maradona, "não comete falhas". Só para contrariá-lo, Lloris deu um gol de graça para Mandzukic na decisão. Mas gosta também do jeito equilibrado, articulado e sem deixar escapar declarações indevidas. Na véspera das sete partidas da seleção na Copa do Mundo deste ano, quando houve conferência de imprensa de um jogador, Deschamps escolheu Lloris. "Ele é um líder para todos", elogiou. Foi algo que ele teve de aprender a ser. Branco, de família francesa de classe média alta, sua mãe é advogada e o pai banqueiro de ascendência catalã de uma instituição financeira com sede em Monte Carlo. Nascido em Nice, abandonou as férias em 2016 para voltar à cidade natal quando um ataque terrorista reivindicado pelo Estado Islâmico matou 86 pessoas e feriu 458. O ataque aconteceu quatro dias após Lloris ter sido o capitão francês na decepção da derrota na final da Eurocopa, em casa, para Portugal. "As duas coisas não se comparam. O futebol se torna muito pequeno perto de uma tragédia como essa. Eu voltei para minha cidade porque era minha obrigação", disse. Mas se a França tinha o segundo time mais jovem da Copa do Mundo, com média de 26 anos, Lloris, 31, era uma das vozes da experiência. Deschamps se preocupa com o que jogadores mais expansivos e fãs de redes sociais, como Mbappé, Griezmann e Pogba estão fazendo. Não com o seu capitão. O goleiro e o treinador partilhavam o sentimento de que havia um trabalho a ser finalizado. Sensação percebida por outros dos principais nomes da equipe que também estavam em campo no estádio Saint-Dennis em julho de 2016. A derrota para os portugueses pode ter moldado uma geração francesa antes da Copa do Mundo. "Eu não estava na seleção, mas é um assunto que outros jogadores que estavam lá, como Hugo [Lloris] sempre falam. É a chance de fazer história", explicou o zagueiro Umtiti. As contas foram acertadas em Moscou neste domingo. Terminada a euforia após o apito final e antes de levantar o troféu, o goleiro deu um abraço em Deschamps enquanto a cartolagem e os políticos eram protegidos da chuva por seguranças e assessores. Por ser calmo, esclarecido e não perder a calma em nenhuma situação (nem mesmo ao falhar de forma tão escandalosa na final do Mundial), Lloris consegue criar uma relação de confiança com os treinadores. Não apenas Deschamps. O argentino Mauricio Pochettino, seu chefe no Tottenham Hotspur (ING), não esconde a admiração que sente pelo seu jogador. "Eu não trocaria Hugo por nenhum goleiro do mundo", define. Porque Lloris vai além das grandes defesas, de ter calma e não querer chamar a atenção. Ele deixou faz tempo de ser considerado parte de um time que era a escória da França. Agora, é capitão do novo campeão mundial de futebol.

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