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Símbolos que moram na memória

Desde que os primeiros Jogos da modernidade foram disputados, as Olímpiadas vivem da força e da representação dos seus símbolos. Sabe quais são eles?

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Símbolos que moram na memória Foto: COI - Divulgação

Qualquer tradição, seja ela política, cultural, religiosa ou esportiva. Não importa! Ela só consegue se manter viva na memória coletiva com o passar dos séculos graças à força da representação dos seus símbolos.  

E se existe um segmento em que os símbolos são tradicionais e remontam a história da própria humanidade, este segmento são os Jogos Olímpicos.  

Símbolos como: a bandeira com seus anéis coloridos que simboliza a união entre os povos. O compromisso das palavras por meio do juramento. O respeito ao mitológico fogo olímpico. A beleza das moedas e a fofura e simpatia dos mascotes.
Se prepare agora para saltar na piscina do conhecimento e mergulhar fundo nas histórias e curiosidades de cada símbolo olímpico.   

Símbolos que moram na memória Foto: COI - Divulgação

A bandeira da paz e da união dos povos
Quando o francês Barão de Coubertin criou os Jogos Olímpicos lá no final do século 19, a ideia dele era conectar o esporte a outros segmentos da vida humana em sociedade como a saúde, a cultura, a cidadania e a união de todos os povos do mundo.  

A primeira edição dos Jogos Olímpicos aconteceu em Atenas na Grécia em 1896, mas a bandeira dos Jogos, aquela que tremula lindamente em estádios, ginásios e locais de competição só surgiu em 1914.  

O Barão francês percebeu que faltava um símbolo que representasse os ideais olímpicos defendidos por ele. A primeira versão da bandeira olímpica foi costurada a mão pelo próprio Barão de Coubertin.  

Como buscava a tão sonhada paz entre as nações, a cor de fundo da bandeira não poderia ser outra se não fosse o branco.
Sob a cor da paz, cinco anéis de cores diferentes que juntos representam todos os povos do globo. O azul representa a  

Europa, o verde a Oceania, o preto a África, o vermelho às Américas e o amarelo a Ásia.
A bandeira idealizada e costurada há mais de 100 anos, hoje é a principal representação gráfica dos Jogos Olímpicos e a marca do próprio Comitê Olímpico Internacional (COI).   

Símbolos que moram na memória. Foto: COI - Divulgação

O compromisso com as palavras
Desde a abertura dos Jogos Olímpicos da Antuérpia na Bélgica em 1920 existe o momento solene em que o atleta assume publicamente o compromisso de participar da competição de forma limpa, honesta e com total respeito aos ideais olímpicos. O juramento!  

Quando o compromisso foi incluído na Bélgica, apenas um atleta fazia o juramento enquanto os outros competidores repetiam juntos o texto no estádio. Ao longo das edições, a solenidade do juramento sofreu mudanças.  

Nos Jogos de Munique na Alemanha em 1972, por exemplo, foi incluído também na abertura o juramento dos árbitros: "Em nome de todos os juízes e árbitros, prometo que participaremos destes Jogos Olímpicos, sem preconceito, respeitando e seguindo as regras que os regem com o verdadeiro espírito da esportividade".  

Oito décadas depois que o juramento foi implantado nas Olímpiadas, o texto foi modificado nos Jogos de Sidney na Austrália para ser incluída uma referência ao desejo de competir sem o uso de substâncias proibidas.  

O COI promoveu mudanças no texto do juramento para os jogos de Tóquio. De acordo com a entidade, a mudança tem como objetivo ressaltar valores humanos como a igualdade, a solidariedade, a inclusão social e o combate à discriminação.  

Os Jogos no Japão entram para a história como o primeiro a ter participação de atletas transgêneros.
Outras mudanças estão relacionadas ao número de pessoas no juramento. Subiu de três das Olimpíadas no Rio de Janeiro para seis em Tóquio. São eles: dois atletas, dois treinadores e dois árbitros.  

O atual texto do juramento olímpico ficou assim:
"Prometemos participar desses Jogos Olímpicos, respeitando e acatando as regras e dentro do espírito de jogo limpo, inclusão e igualdade. Juntos, somos solidários e nos comprometemos com o esporte sem doping, sem trapaças, sem qualquer forma de discriminação. Fazemos isso para a honra de nossas equipes, em respeito aos princípios fundamentais do olimpismo e para tornar o mundo um lugar melhor por meio do esporte." 

Símbolos olímpicos fogo Foto: COI - Divulgação
A chama dos Deuses que nunca se apaga
Quando o assunto são os Jogos Olímpicos, mitologia, história, memória e realidade se convergem. Um dos grandes símbolos olímpicos que é tradição na modernidade há quase 100 anos, na verdade, surgiu antes mesmo da Era Cristã.  

A iluminada chama Olímpica só passou a fazer parte do Jogos da Era Moderna no ano de 1928 nos Jogos Olímpicos de Amsterdã na Holanda. E, como não poderia ser diferente, a inspiração para tal fogo veio da Grécia Antiga.  

O fogo existia na memória coletiva na antiguidade como algo sagrado e fez parte dos primeiros Jogos ao manter iluminado os templos como o de Zeus e Hera durante as competições, antes de Cristo.  

A mitologia grega acreditava que a história da humanidade estaria relacionada ao fogo e a um personagem, o mais sábio dos titãs, Prometheus. Ele teria roubado o fogo dos Deuses e entregue aos homens. Com o avançar do tempo e da história, os homens mantiveram acesa a chama da tradição e incluíram o mitológico fogo nas competições da Era Moderna.

Só que a primeira vez que o fogo foi introduzido, ainda não existia a tocha olímpica e seu revezamento. Na abertura dos Jogos de Amsterdã, a pira foi acesa por um empregado que atuava na empresa de energia elétrica holandesa durante a cerimônia de abertura.  

Apenas em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, o revezamento da tocha foi incorporado à competição. Ela foi acesa na Grécia e partiu de mão em mão até entrar no estádio olímpico e chegar nas mãos do atleta alemão Fritz Schilgen, o primeiro competidor da história a ter a baita responsabilidade de acender a pira olímpica.  

A prática do revezamento do fogo olímpico empregado em Berlim se mantém mais viva do que nunca. Mesmo que tentem apagar a chama olímpica com uma arminha dagua, como aconteceu no revezamento para as Olímpiadas de Tóquio em 2021.  

A chama é acesa 100 dias antes da competição em uma solenidade nas ruínas do templo de Hera em Olímpia na Grécia que reproduz o método usado na antiguidade.  

Mulheres interpretando sacerdotisas de Héstia colocam uma tocha na concavidade de um espelho que concentra os raios solares e acendem a chama que representa o começo de mais uma disputa olímpica.  

Acesa, a chama é depositada em uma espécie de lampião numa urna e levada até o antigo estádio olímpico. Lá, a chama dá vida a tocha olímpica que é transportada por um atleta responsável pelo primeiro trecho do revezamento que tem como destino final a cidade sede dos Jogos.  

Via de regra, atletas, ex-atletas e personalidades envolvidas com o esporte se revezam para carregar a tocha até o tão esperado acendimento da pira na cerimônia de abertura. Tradicionalmente o trajeto é jeito a pé, mas vira e mexe, o fogo de Prometheus é conduzido por diferentes meios de transporte. Alguns Jogos abusaram da criatividade.  

Nas Olímpiadas de Montreal no Canadá em 1976, o fogo olímpico foi transformado em impulso elétrico e enviado da terra dos Deuses, via satélite, para ser aceso novamente no Canadá por meio de um laser.  

Já em Sidney no ano de 2000, um dos trajetos do fogo olímpico foi debaixo dagua. Mergulhadores australianos carregaram o fogo olímpico no mar de Coral em Queensland. Isso foi possível já que a chama se manteve preservada com uma lanterna resistente a água.  


As moedas comemorativas
Embora não seja considerada um símbolo oficial dos Jogos Olímpicos, as moedas são muito comuns. É uma forma encontrada para homenagear e divulgar os Jogos nos países em que eles acontecem. Por isso, pode se dizer, que essa é uma tradição não oficial.  

Geralmente, as moedas são produzidas em uma edição limitada e ficam sob responsabilidade da casa da moeda de cada país sede.  

A tradição de criar moedas comemorativas faz um sucesso danado entre os visitantes e enche os olhos dos colecionadores.
Nos Jogos do Rio foram produzidas diferentes medalhas em homenagem a atletas e personalidades do esporte. Parte delas (17 medalhas) contava com a imagem das modalidades esportivas Olímpicas e Paraolímpicas, mascotes e a bandeira Olímpica.  

Embora muito querida pelos colecionadores e apaixonados por esporte, vale ressaltar que essa situação provoca a falta de moedas em circulação, só a moeda da bandeira teve mais de dois milhões de unidades e é quase impossível encontrá-las em circulação.  

Para os Jogos de Tóquio foram lançados, em quatro etapas, cerca de 30 modelos diferentes de moedas comemorativas. São medalhas em ouro, prata e metais menos nobres como níquel e cobre.  

Símbolos que moram na memória Foto: COI Divulgação
A fofura dos jogos  

Em 1972 nas Olimpíadas de Monique na Alemanha é incorporado à competição outro símbolo olímpico. Este menos mitológico, porém, mais fofo. O primeiro mascote oficial dos Jogos foi o cãozinho Waldi. A figura de um cachorro da raça Dachshund muito popular na Alemanha na região da Bavaria. A raça de Waldi é conhecida pela sua resistência, lealdade e agilidade. Adjetivos indispensáveis para qualquer herói olímpico.  

O cãozinho Waldi abriu passagem para a criação de diferentes personagens que foram idealizados com base em características regionais e a mistura de elementos.  

Normalmente, a escolha dos mascotes se dá por meio de um concurso e, assim como acontece com as tochas olímpicas, são escolhidos pelo voto popular. Não apenas o modelo da personagem, mas também o seu nome.  

Por exemplo, nos Jogos de Pequim na China foram cinco mascotes representando desejos. Já em Londres 2012 e Atlanta 1996 os personagens desenvolvidos não eram animais.  

Foram criados em computador e misturavam diversos formatos. Só que de Monique a Tóquio, a maioria dos Jogos Olímpicos teve mascote relacionado a um ou mais animais.  

Um dos mascotes inesquecíveis considerado o número um dos Jogos Olímpicos é o fofo ursinho Misha, mascote dos Jogos de Moscou em 1980. Se Misha foi a protagonista desfilando pelo estádio Lênin na cerimônia de abertura, foi no encerramento que ela fez o mundo todo chorar.  

Em dois de agosto de 1980 as arquibancadas estavam lotadas. Formada por um enorme mosaico, Misha derrubou carinhosamente uma lagrima e, mais de 40 anos depois, está ainda é considerada uma das cerimonias de encerramento mais emocionante desde 1896.  

No Rio de Janeiro em 2016, o macaquinho Vinícius foi inspirado na fauna brasileira, mas também contou com influências do vídeo game, animação e da cultura pop. A convergência entre realidade e ficção fez parte da construção da identidade do mascote Vinícius teria nascido no dia dois de outubro de 2009, data em que o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.  

Em Tóquio, o mascote foi batizado de Miraitowa. O nome se refere a escrita japonesa, na verdade, é a junção das palavras futuro e eternidade. Já o mascote paralímpico foi batizado de Someity que em português significa "tão poderoso".  

Os mascotes foram inspirados em robôs, possuem super poderes e têm a missão de propagarem uma mensagem de esperança para um mundo melhor.


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