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4 - Comédia dramática 'Sueño Florianópolis' contempla desagregação familiar

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ambientado na Florianópolis dos anos 1990, quando o câmbio favorável atraía hordas de argentinos durante o verão, este drama relata as férias à beira-mar de um casal de portenhos e os dois filhos.Os psicanalistas Lucrecia (Mercedes Morán) e Pedro (Gustavo Garzón) estão casados há 22 anos, mas "tecnicamente" separados há algum tempo. A viagem -feita de carro desde Buenos Aires, com conforto espartano- se apresenta como um derradeiro esforço de reaproximação. Mas sem muito empenho das duas partes, principalmente dela.Ambos acabam se envolvendo com nativos, sintoma do desgaste do relacionamento. Afinal, as férias são um período de suspensão da rotina, propício para novas experiências.Os filhos, Florencia (Manuela Martínez) e Julián (Joaquín Garzón), praticamente adultos e contrariados por passarem as férias com os pais, compartilham essa atitude do "juntos, pero no mucho" e logo se dispersam, mais preocupados com conquistas amorosas do que com a convivência em família.Essa dispersão acontece naturalmente, sem muito barulho. Na verdade, mais do que livres, os quatro se veem sozinhos. E nem sempre sabem bem o que fazer com isso.O período de descanso flui com vagar, acumulando situações típicas desse tipo de férias em um "paraíso tropical" -cervejas, passeios de barco, banhos de sol, caminhadas e mergulhos- que se sucedem com certa monotonia.Contra esse pano de fundo pitoresco, mas também bastante previsível, a narrativa observa -privilegiando o ponto de vista de Lucrecia- mais uma etapa, talvez a última, da desagregação da família. Mais interessada em entender os dilemas do casal do que fazer julgamentos ou proclamar verdades, Ana Katz lança um olhar complacente a essa difícil circunstância.Em contraste com Lucrecia e Pedro temos outro casal de idade semelhante, mas há muito desfeito, formado por Marco (Marco Ricca) e Larissa (Andréa Beltrão), que alugam uma casa aos argentinos. Marco fala o tempo todo, demonstrando uma hospitalidade invasiva, comportamento que logo se percebe como um escudo para disfarçar suas inseguranças, enquanto Larissa parece ver tudo com muito mais serenidade.O choque cultural entre argentinos e brasileiros e seus inevitáveis lugares-comuns -sintetizados na oposição entre as supostas melancolia argentina e alegria brasileira- rende algumas situações engraçadas que ajudam a diluir o peso do desânimo do casal de turistas. Ao mesmo tempo, o filme também amplia seu registro e esboça uma representação de certa classe média argentina, com críticas ferinas a alguns comportamentos.SUENÕ FLORIANÓPOLISELENCO Mercedes Morán, Gustavo Garzón, Marco Ricca, Andréa Beltrão, Manuela Martínez, Joaquín GarzónDIREÇÃO Ana KatzCLASSIFICAÇÃO 14 anosAVALIAÇÃO Bom

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