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Novo clipe da banda underground Teto Preto ataca religiosos e conservadores

| FOLHAPRESS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mergulhar numa semana árdua de gravações foi o jeito escolhido pela banda ativista Teto Preto para lidar com o resultado conservador das eleições presidenciais."Queríamos incomodar, mostrar que estamos presentes. É um recado: a arte está viva, nossa arma é nosso corpo" declara Loïc Koutana, performer franco-congolês integrante do grupo que lança nesta quinta (22) o clipe de "Pedra Preta", faixa que batiza o disco lançado no selo Mambarec. Com artistas transexuais, o vídeo é aberto em imagens do incêndio no Museu Nacional. A partir daí, a trupe encabeçada pela vocalista Carneosso ateia fogo nos valores tradicionais da família ao mostrar uma noiva em fuga de um casamento.  Apoiada pelas madrinhas, ela ainda estica uma "cinta-pênis" de 15 metros, cujo ápice é uma castração em meio a uma suposta igreja neopentecostal. Voam tresloucadas animações penianas.Na trama novelesca ainda há espaço para um aborto da mocinha, em referência ao episódio da Grávida de Taubaté, em que o país acreditou na história de falsos quadrigêmeos.Toda essa epifania é para uma música que fala sobre "romper amarrações de amor". O local do casório é a Casa do Povo, espaço cultural no bairro paulistano do Bom Retiro.O vídeo é resultado de parceria com a produtora Planalto e foi gravado na semana seguinte à eleição do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a declaração da banda sobre a composição de "Pedra Preta", feita por Carneosso e André Sztutman, trata-se de  um grito, um aborto verde-amarelo, um ritual de celebração do que vivemos e acreditamos".Originário das festas undergrounds do coletivo Mamba Negra, em espaços abandonados da cidade, o Teto Preto começou de maneira improvisada com performances "jam session" em meados de 2015, quando contava com o músico L_cio na formação.Carneosso é o codinome da ruidosa vocalista Laura Diaz, atriz com passagem pelo Teatro Oficina, formada em audiovisual na USP, após ter sido presa durante a ocupação da reitoria da universidade em 2007. Além de Koutana, complementam a escalação o exímio instrumentista Zopelar (sintetizadores/bateria eletrônica), Savio de Queiroz (sintetizadores/bateria eletrônica) e William Bica (percussão/trombone).Sem anestésicos, as letras da banda são tapas no conservadorismo, entrelaçadas por referências à contracultura e Boca do Lixo, transitando do cinema novo à vanguarda paulistana.As performances são um incentivo à desordem, atestado no hit do EP "Gasolina" (2016), que fez a banda sair dos galpões e chegar nos principais festivais, como Recbeat, Bananada, Dekmantel, DGTL e ainda uma transmissão histórica no programa inglês de "streaming" Boiler Room.No palco, Laura Diaz canta com a púbis exposta, munida de figurinos sufocantes da estilista Fábia Bercsek que mostram o corpo de forma perturbadora.Em 2017, o grupo conquistou o prêmio de Melhor Direção Nacional do Music Video Festival com o clipe de "Gasolina", além de participações da faixa no filme "Corpo Elétrico" (2017), de Marcelo Caetano, na peça "Quando Quebra, Queima!", da Coletiva Ocupação e na música "Mãe Gentil", do novo disco da cantora Marina Lima, que virou uma espécie de madrinha da banda no mundinho mais tradicional da MPB.O lançamento das oito faixas de "Pedra Preta" revela o amadurecimento do Teto Preto, que evoluiu para atual formação de banda mais afeita ao rock e noise, flertando pesado com industrial, dub, disco e new wave. Mas sem deixar de surpreender ao misturar elementos do techno ao jazz, apimentados por brasilidades, que é característica essencial.A temática feminista de "Pedra Preta" é uma evolução do lançamento anterior, o clipe de outra faixa do disco, a "Bate Mais", sobre a impunidade dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e da artista não-binária Matheusa.

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