Ópera barroca abre série em espaço alternativo Ópera barroca abre série em espaço alternativo

Ópera barroca abre série em espaço alternativo

Ópera barroca abre série em espaço alternativo

Em vez do palco, arquibancadas. Músicos e cantores no centro. O próprio espaço como personagem. É com essas propostas que a Sala do Conservatório, na Praça das Artes, recebe nesta quarta-feira, 3, a ópera Acteón, de Marc-Antoine Charpentier, com direção cênica de Leonardo Ventura e direção musical de Juliano Buosi.

A produção, que será apresentada também na quinta e na sexta, inaugura a série Ópera Fora da Caixa, criada pelo Teatro Municipal de São Paulo para pensar o gênero em espaços alternativos - serão outros dois espetáculos ao longo do segundo semestre: L'Isola Disabitata, de Haydn, em outubro, e uma nova obra do compositor Maurício de Bonis, em dezembro.

'A busca por um outro espaço esteve na gênese do espetáculo e na interpretação. Desde o início, me pareceu mais interessante entender os elementos da história, do barroco, a relação da ópera com o mito. E a partir daí construir uma leitura. Uma das premissas do barroco é que tudo aparece em camadas, e o que busquei foi traduzir esses elementos para hoje, oferecendo vários pontos de vista', explica Ventura.

Acteón foi escrita no final do século 17 a partir de um dos episódios das Metamorfoses de Ovídio. O personagem-título descobre por acaso, em uma floresta, Diana e suas irmãs que, preocupadas com a possibilidade de ele revelar seus segredos, o transformam em um veado. Um grupo de caçadores chega e o procura; mas seus cães matam Acteón sem saber de que se trata do jovem rapaz e não de um animal selvagem.

GRUTA E VALE

Ventura constrói a gruta de Diana sobre o palco e, na plateia, cria um vale com a posição das arquibancadas onde estará o público. Mas a sua concepção não diz respeito apenas à configuração do espaço. Ele entende os caçadores como figuras que adentram um novo território que pretendem conquistar e devastar. Diana, a essa altura, na transformação de Acteón, representa um limite para essa destruição.

O diretor resolveu também criar um prólogo para a história. 'Como não haverá legendas, achei importante situar o espectador, explicar o que acontece. E nesse prólogo teremos também uma pessoa em transformação, uma pessoa trans feminina, que é agente da transformação, da cena, do espaço, dos corpos', explica.

A realização musical estará a cargo de músicos da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coro Lírico Municipal, regidos por Juliano Buosi. Entre os solistas, especialistas na música barroca, como a soprano Marília Vargas e o contratenor Jabez Lima.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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