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CIÊNCIA

Seu gato está tentando se comunicar com você?

Entenda mais sobre a forma peculiar com que os felinos se comunicam

| ACidade ON

 
Ilustração: Mayara Laurindo
Mandões, preguiçosos e os "donos da casa", os gatos, ou verdadeiras máquinas de ronronar, com certeza estão entre os bichos mais amados do mundo. 


Trouxemos essa matéria para você, que como nós, é apaixonado por gatos e deseja entender mais sobre a forma peculiar com que os felinos se comunicam.  

Confira só!  

Assim como aconteceu com os cães, agora são os gatos que ganham cada vez mais espaço nas residências do mundo inteiro. Esse fato se deve à vida do homem atual com seu tempo e espaço cada vez mais restritos , além da urbanização das cidades e sua consequente verticalização. Demos "adeus" às casas com grandes quintais e ao tempo livre.  

Com esse aumento, cresceu também a necessidade de se entender melhor esse animal tão misterioso, ainda em processo de domesticação. O gato ainda conserva algumas características selvagens, o que confunde alguns proprietários. Pode-se dizer que o erro mais frequente está na interpretação dos sinais sociais que o felino doméstico apresenta nas situações do cotidiano. 

Com o tempo de convívio com o ser humano, os cães aprenderam a "ler" a nossa expressão facial, algo que ainda não aconteceu com os gatos. Para eles, não existe uma hierarquia linear como acontece nas matilhas caninas. O gato nos vê como um outro gato, nem acima e nem abaixo dele.

Vamos entender de quais formas o seu felino se comunica com você?

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Vocalização  

A vocalização em felinos domésticos é um dos traços evolutivos da espécie. Em vida livre e selvagem, os gatos miam apenas como forma de comunicação entre mãe e filhote.

Mas seu convívio com o ser humano o fez entender que o ato de miar desperta um senso de urgência nos criadores. Vários estudos comprovam que os gatos domésticos modulam seu tom de voz de acordo com o que desejam.
 


Expressão corporal

1-   Um exemplo clássico de gatos que estão sob uma situação estressante é dilatar as pupilas e permanecer acuados em um canto, embaixo de móveis ou em locais de difícil acesso 

2- Orelhas posicionadas para trás significam um pré-ataque, quando somadas às vibrissas (bigodes) coladas ao longo da face e ao corpo em posição de impulso 

3- Um gato deitado de forma relaxada, com olhos entreabertos e a cauda parada, indica contetamento

 

Sua forma de comunicação é muito peculiar e seus sinais são muito sutis. Uma das provas disso é a forma como ele recebe o membro preferido da família quando este chega da rua.

Um cão festejaria de forma esfuziante e com vigoroso abanar de cauda. Alguns gatos até encontram seus donos na porta, mas o mais frequente é continuar na mesma posição em que se encontram (normalmente sentados ou em decúbito ventral, como uma "esfinge"), e olhar seu humano preferido com os olhos semicerrados e suaves piscadelas o chamado "beijo felino". A melhor tradução para esse comportamento seria algo como "Eu te amo, seja bem-vindo de volta!".

Outra ideia errada ocorre quando o gato se esfrega nos humanos, geralmente nas pernas. Os gatos possuem glândulas de odor na face e na base da cauda. Esfregando-se, eles depositam seus odores na pessoa ou objeto. Pode-se então concluir que essa seria uma das formas de marcação de território. 

Quando dois ou mais gatos convivem em uma casa dormindo juntos, mantendo contato físico e se limpando entre si (allogrooming), também se pode afirmar que há uma relação harmoniosa. O ato de se esfregar em outro gato ou mesmo em uma pessoa da casa (allorubing) demonstra um ótimo convívio e simpatia com o indivíduo.

Muitos proprietários acreditam que gatos que estão no mesmo cômodo, mas mantêm uma distância e apenas se entreolham, se gostam. Mas isso nem sempre é verdade. Muitas vezes, eles apenas se toleram. Em uma colônia de gatos, manter a distância física é a regra da boa vizinhança para evitar conflitos.  

Ao contrário do que se pensa, fezes e urina também são uma forma de comunicação social entre os gatos. Há uma tendência de os machos de pelagem longa enterrarem seus excrementos em menor frequência, demonstrando sua presença naquele território. O ato de defecar e urinar em locais impróprios também pode demonstrar desaprovação de algo na casa, como, por exemplo, a chegada de outro animal, ou mesmo do novo bebê da família.

Por outro lado, problemas de eliminação devem receber atenção especial do veterinário e de um especialista de comportamento de forma conjunta, pois o problema pode ser clínico ou comportamental.

A análise do comportamento de felinos domésticos por meio de sua comunicação social é imprescindível para o bom convívio e a melhora da interação homem-animal, além de favorecer a prevenção de problemas gerados pelo erro de manejo.

Valéria Zukauskas: bióloga, consultora comportamental de felinos domésticos e membro da Sociedade Brasileira de Etologia

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