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A importância dos insetos no equilíbrio dos ecossistemas

Esses organismos minúsculos têm uma gigantesca importância ecológica

| ACidade ON -




 

Quando se ouve falar em insetos, o que costuma vir à mente são animais "nojentos" e "asquerosos", como baratas, moscas e pernilongos, e as coisas ruins associadas a eles, como sujeira e inúmeras doenças. De certa forma, eles fazem jus a essa reputação, pois trazem muitos danos à população, seja como transmissores de doenças como dengue, leishmaniose, malária, febre amarela e elefantíase, seja causando sérios danos à agricultura. A pecuária também sofre, por exemplo, com a mosca-do-berne, que é um inseto que põe seus ovos na pele de mamíferos e aves, causando feridas que os deixam fracos e podem até ocasionar sua morte. Estima-se que o prejuízo na agricultura e na pecuária atinja a casa dos cinco bilhões de dólares por ano.  


Por outro lado, quando nos referimos aos insetos, estamos falando do mais diverso grupo de organismos na história do planeta. Calcula-se que existam mais de um milhão de espécies descritas e distribuídas nos diferentes ecossistemas. E segundo as estimativas, é possível que ainda existam entre 2,5 e 10 milhões de espécies a serem descobertas. Além disso, registros fósseis apontam que os insetos surgiram há mais de 380 milhões de anos (no Período Carbonífero), indicando que eles estão entre as primeiras formas de vida terrestre.  


Apesar da maior atenção aos prejuízos que os insetos causam, a maioria das espécies é benéfica para o homem e extremamente importante ao meio ambiente.  


Os insetos não são os "vilões" da história. Muito pelo contrário. Se retirássemos todos os vertebrados (anfíbios, répteis, aves e mamíferos) do planeta, os ecossistemas continuariam a funcionar. Entretanto, isso não aconteceria sem os insetos, pois a sobrevivência dos diferentes ecossistemas, e até dos humanos, depende das inúmeras funções desempenhadas por eles.  


Pau pra toda obra
Conheça os principais benefícios desses pequenos agentes ecológicos  


 Produção de mel
O aroma, paladar, e demais propriedades do mel estão relacionadas ao néctar que o originou e à espécie de abelha que o produziu. Alguns estudos demonstram que o mel possui propriedades antimicrobianas, antivirais, antiparasitárias, anti-inflamatórias, antioxidantes e anticarcinogênicas.



Saiba mais sobre as abelhas  



Produção de seda
O bicho-da-seda é uma larva de mariposa (Bombyx mori) usada na produção de fios de seda. Essas mariposas foram domesticadas há cerca de 3.000 anos a.C, e por isso não conseguem voar nem sobreviver no ambiente natural. Vivem apenas criadas pelo homem, de quem dependem para se alimentar. Essa mariposa apresenta glândulas salivares modificadas que produzem o casulo para depositar seus ovos, e é essa seda a que se utiliza na fabricação de tecidos.

Decomposição orgânica
Algumas larvas de insetos se alimentam de matéria orgânica em decomposição. Besouros e moscas são necrófagos, ou seja, alimentam-se de fezes e animais mortos. Formigas e cupins atuam sobre plantas mortas ou fungos, contribuindo para a incorporação de nutrientes e fertilidade do solo. Até as baratas são importantes, pois aproveitam quase todos os detritos orgânicos na alimentação e assim realizam a reciclagem dos nutrientes.



 

Cadeia Alimentar
Muitas espécies de pássaros, mamíferos, peixes, anfíbios e répteis se alimentam dos insetos. Até seres humanos se alimentam deles há milhares de anos, e acredita-se que a prática ainda esteja presente em mais de 100 países. Os insetos são altamente nutritivos e se reproduzem facilmente.  


Controle biológico
Controle biológico significa regular o número de plantas e animais, como as pragas, utilizando inimigos naturais. Isso acontece o tempo todo nos sistemas agrícolas de forma natural, independentemente da ação do homem, quando os insetos se alimentam naturalmente de outras espécies. Em alguns casos, porém, a interferência do homem é necessária.




Polinização das plantas
A polinização é um fenômeno essencial para a manutenção da biodiversidade. Das 250 mil espécies de plantas com flores, 90% são polinizadas por animais, especialmente insetos como abelhas, vespas e besouros. A produção de 2/3 da alimentação humana depende direta ou indiretamente da polinização por insetos.



Impacto ambiental
Os insetos são utilizados para a avaliação de impacto ambiental e de efeitos de fragmentação florestal. Além de responder à qualidade e quantidade de recursos disponíveis no ambiente, suas populações são altamente influenciadas pelas diferenças dentro de um mesmo habitat.


Bioindicador
Os insetos são utilizados também como indicador biológico de qualidade da água, pois eles interagem com os vários poluentes e indicam a presença de contaminantes nem sempre detectados. Os insetos são eficientes bioindicadores, pois são abundantes em todos os tipos de sistemas aquáticos, possuem tolerância variada a diferentes tipos de poluição e um ciclo de vida longo.

 

Entomologia forense
Esse é o nome da ciência que analisa o comportamento de insetos em cadáveres para auxiliar investigações médico-criminais. Embora seja uma área de pesquisa bem difundida em alguns países, ela pode ser considerada recente no Brasil. Estudos sobre moscas-varejeiras, insetos importantes como indicadores forenses, vêm sendo desenvolvidos há alguns anos pela Unesp de Rio Claro.
 

Texto: Gabriel Bochini - doutor pela Unesp Botucatu e trabalha com crustáceos no LABCAM (laboratório de camarões marinhos e de água doce) da Unesp Bauru

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