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As abelhas

Elas são organizadas, disciplinadas e se comunicam bem para garantir a sobrevivência

| ACidade ON -

Os insetos sociais, como as abelhas, vespas, formigas e cupins, são um verdadeiro exemplo de organização. Entre eles destacam-se as abelhas que, unidas e disciplinadas, fazem funcionar uma engrenagem perfeita, necessária para a sobrevivência de cada uma delas e da espécie. Algumas colmeias podem reunir até 300 mil indivíduos divididos em castas: rainha, operárias e zangões, cada qual com sua função determinada.

Um apaixonado pelas abelhas, o coordenador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Unesp Rio Claro, Osmar Malaspina, diz que uma colônia de abelhas é uma empresa eficiente, onde todos sabem suas funções, a comunicação é feita com exatidão e quem não tem função é excluído.

A vida na colmeia é comandada pela rainha. Só ela se reproduz. O restante das abelhas, chamadas de operárias, é responsável por encontrar pólen, produzir mel, cuidar das larvas e garantir a manutenção da colônia.  

Abelhas: operária, rainha e zangão

De acordo com o professor Malaspina, a ciência ainda não descobriu o que determina quais larvas, entre as milhares que nascem todos os dias, são escolhidas para se tornar rainha. Para que essa transformação ocorra, as larvas selecionadas são alimentadas com geleia real, enquanto as operárias são alimentadas com mel e pólen. "Esse processo tem que ser feito em até 72 horas após o nascimento. Estudos comprovaram que, durante este período, essa alimentação especial dispara um mecanismo genético que faz com que essas abelhas fiquem maiores, percam a capacidade de ferroar e ganhem a aptidão de fecundação", explica.

A rainha sai apenas uma vez da colmeia, com o objetivo de fazer o voo nupcial. Ela voa a uma altura de 15 metros e libera um feromônio sexual que atrai os machos a uma distância de até quatro quilômetros. Durante o voo, é fecundada por vários zangões, não sem brigas e até algumas mortes entre eles, e armazena os espermatozoides para o resto de sua vida. Os zangões morrem logo após a cópula.   


Amigas de mesa 

As abelhas contribuem para a alimentação dos humanos não apenas com a produção de mel. Elas são importantes para diversas culturas agrícolas. Aproximadamente 90% das plantas frutíferas contam com os serviços de polinização das abelhas para a produção de frutos e, assim, a reprodução da espécie. 


Após a fecundação, a rainha volta para a colmeia e nunca mais sai. Durante toda a sua vida, que dura cerca de um ano, ela coloca em torno de mil ovos todos os dias. O feromônio produzido pela rainha mantém seu status na colônia, inibindo o desenvolvimento de ovários nas operárias, mas quando a quantidade de ovos que ela produz começa a diminuir, as abelhas sentem que é hora de escolher uma rainha nova e matam a antiga, deixando de alimentá-la ou atacando-a e estraçalhando-a.  

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Entenda mais a importância dos insetos 

 

Uma por todas e todas por uma 

A organização primorosa é o segredo da sobrevivência da colmeia. Nela, todas as abelhas exercem suas funções para manter a vida na colônia. Malaspina diz que, no caso das abelhas, o organismo é toda a colônia, porque as operárias não podem viver sem a rainha e vice-versa. "Todos funcionam como uma coisa só. Se não houver interação, o bicho não vive", diz.

Um bom exemplo dessa interação é o esforço conjunto para manter a temperatura ideal dentro da colmeia. As abelhas vivem a uma temperatura entre 28 e 32ºC. Quando esquenta demais, elas providenciam um "ar condicionado natural", aumentando a quantidade de água dentro da colmeia e sincronizando o bater das asas para resfriar o local. Já quando a temperatura cai demais, elas se juntam para gerar calor.

O instinto de sobrevivência também é responsável pela matança de zangões quando a população de abelhas começa a ficar maior do que o alimento produzido pode sustentar. O crescimento demasiado da colmeia também faz com que ela se divida, levando a rainha e várias operárias a abandoná-la para formar uma nova colônia, deixando para trás uma nova rainha.

Comunicação com dança    



O processo de comunicação das abelhas é tão interessante que rendeu ao austríaco Karl von Frisch o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1973 por decifrá-lo. Esses insetos se comunicam principalmente por meio de processos químicos em sua maior parte, cheiros, como os feromônios. "Para cada comportamento, existe uma molécula que é liberada", explica Malaspina. O cheiro permite que elas entendam o momento de trocar a rainha e identificar um indivíduo invasor. Após ferroarem um animal ou pessoa, por exemplo, é liberado um odor para alertar as outras abelhas sobre uma situação de perigo.

Para o pesquisador, um dos meios de comunicação mais fascinantes da abelha é a dança que ela faz para contar a suas companheiras onde encontrou pólen. "Ao voltar para a colônia, ela começa a requebrar fazendo voltas em forma de oito várias vezes", conta. A dança representa exatamente o ângulo entre a colmeia, a árvore com pólen e o sol, criando um mapa a ser seguido pelas outras.  

Ladras e solitárias  

Existem mais de 20 mil espécies de abelhas e nem todas vivem em sociedade (aliás, as espécies sociais são minoria, e representam apenas 5% do total).

Algumas abelhas são solitárias e nem chegam a conhecer suas mães que, ao ovipositar, deixam junto uma bolota de polén para garantir o alimento do futuro filho e vão embora sem esperar pelo seu nascimento. Outras abelhas são consideradas pilhadoras ou cleptobióticas, isto é, saqueiam os ninhos de outras espécies para roubar mel, pólen e até cera. Para se defender dessas "ladras", cada espécie desenvolveu mecanismos próprios de defesa.

A espécie Jataí (Tetragonisca angustula) conta com abelhas-soldados para exercer a segurança da colmeia. Outras espécies, por sua vez, preparam armadilhas com bolas de cera e própolis para prender as saqueadoras. 

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Texto: Fabiana Assis


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