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Mundo dos Bichos

MEIO AMBIENTE

Agrotóxicos: o vilão das abelhas

No Dia Mundial Sem Agrotóxicos entenda como os defensivos ameaçam as abelhas e como isso pode prejudicar a produção de alimentos.

| ACidade ON

Apenas em 2019 o Brasil aprovou o registro de 474 agrotóxicos e este foi o maior registro documentado pelo Ministério da Agricultura desde 2005 (quando estes dados começaram a ser divulgados). Deste total, 110 são substâncias classificadas pela Anvisa como "extremamente tóxicas". Já neste ano, desde março foram publicados o registro de 118 novos produtos. O grande número de liberações de agrotóxicos acende um alerta para as diversas implicações do uso destas substâncias para os humanos, flora e fauna brasileira.  

O objetivo principal do uso dos defensivos agrícolas é aumentar a produtividade das plantações, protegendo as plantas e frutos da ação de fungos e controle de pragas. Entretanto o uso destas substâncias também provoca danos ambientais como contaminação do solo, dos recursos hídricos e o desequilíbrio do ecossistema pois ameaça a vida de diversos animais e insetos.  

Além da ameaça à nossa saúde, outra preocupação acerca do uso de agrotóxicos é o risco de extinção das abelhas. Muitas pessoas não sabem, mas o declínio de colônias de abelhas no Brasil preocupa especialistas nos últimos anos. Segundo uma pesquisa da Embrapa, a aplicação em massa de agrotóxicos via pulverização aérea e terrestre está associada à mortalidade dos polinizadores nos estados de São Paulo e Santa Catarina.  

Você sabe porque as abelhas são tão importantes? 

As abelhas têm um papel essencial na polinização de frutas e vegetais usados na nossa alimentação, por isso, a sua extinção afeta diretamente a produção de alimentos. O biólogo Felipe Mendes Fontes, Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Ambiente da Universidade Tiradentes, explica como os polinizadores são importantes para o ecossistema em geral. 

- A natureza nos fornece diversos benefícios os quais são fundamentais para a promoção da qualidade de vida e consequentemente a nossa sobrevivência, esses benefícios são conhecidos como Serviços Ecossistêmicos. Dentre os mais conhecidos, destaca-se a polinização, que tem como agente principal as abelhas. Como consequência, o desaparecimento das abelhas pode impedir ou reduzir drasticamente a reprodução de diversas espécies vegetais levando ao desequilíbrio dos ecossistemas e a perda da biodiversidade. Esclarece o biólogo.  

 

E se as abelhas desaparecessem?  

Segundo pesquisas divulgadas pelo Greenpeace, a previsão é de que a população de abelhas e outros polinizadores diminua em 13% no Brasil até 2050. As abelhas também atuam na manutenção das florestas, logo, se elas forem extintas, afetará diretamente a reprodução de plantas silvestres. É importante destacar que, segundo a organização, mais de 90% das espécies de vegetação tropical com flores e cerca de 78% das espécies de zonas temperadas serão afetadas já que dependem diretamente da polinização desses insetos.  

- A polinização é o processo que garante a produção dos frutos e sementes, além da reprodução de diversas espécies botânicas. As abelhas possuem papel fundamental nesse processo, já que 70% das culturas agrícolas que servem de base para a nossa alimentação e 85% de toda a flora existente na natureza dependem delas para a sua perpetuação. É importante deixar claro, que muitas espécies são altamente dependentes das abelhas para a sua reprodução, como exemplo, temos as macieiras. Explica Felipe Mendes Fontes. 

É possível reverter este quadro?  

Diante deste cenário é necessário repensar urgentemente a forma que produzimos alimentos, para que esta prática seja mais sustentável e implique em menos riscos tanto para o meio ambiente quanto para o homem. Segundo o biólogo Felipe Fontes existem diversas medidas que podem ser tomadas por parte do poder público como políticas públicas que incentivem a redução do uso de agrotóxicos, fiscalização mais assertiva por parte dos órgãos responsáveis e uma aplicação mais racional por parte os agricultores (que leva em consideração horários, indicadores climáticos e respeito à áreas de preservação).  

E nós também podemos fazer a nossa parte plantando flores, conservando o meio ambiente e também com a construção de "hotéis para abelhas", que são estruturas de madeiras com furos, que servirá como local de nidificação para abelhas solitárias. 

 -A agricultura é uma das principais bases da economia do Brasil e sabemos o quanto é difícil cessar a utilização dos agrotóxicos em países que têm com a agricultura um dos pontos fortes para o seu PIB, contudo se houver um uso mais inteligente, com medidas simples como aplicação nas temporadas corretas, e apenas nos cultivos, evitando aplicar durante a florada, tentar utilizá-los apenas no final dia, pois as abelhas já teriam retornado para suas colônias, são maneira que trariam grandes benefícios e reduziria danos a esses e outros animais. recomenda Felipe Fontes. 


Ficou interessado e quer construir seu próprio hotel de abelhas? Assista este vídeo da Embrapa e veja como é simples.